Mundo de ficçãoIniciar sessãoAlice Vitali é uma artista brilhante, mas desesperada. Peter Blackwood é um bilionário italiano que não aceita "não" como resposta. Quando seus mundos colidem em um leilão de luxo, o interesse dele por ela se torna uma obsessão instantânea. Ele vê a escuridão que ela esconde e lhe oferece uma saída... por um preço. Presa em seu jogo de sedução e poder, Alice terá que decidir o quanto vale sua liberdade. E se ela está disposta a perder a alma no processo.
Ler maisO tempo no hospital passou rápido demais, como areia escorrendo entre os dedos. Peter, surpreendentemente, nos deu espaço. Ele ficou no corredor, atendendo ligações do império, deixando-me sozinha com Lúcia por quase uma hora. Eu me sentei na beirada da cama enquanto minha mãe comia uma gelatina vermelha com a voracidade de quem estava redescobrindo o paladar. Conversamos sobre coisas banais — a novela que ela perdeu, a vizinha fofoqueira do Bixiga, o clima. Mas, nas entrelinhas, falávamos sobre sobrevivência. — Ele é um homem difícil, Alice — disse ela, raspando o pote. — Mas ele te olha como se você fosse a única cor no mundo dele. — Ele me olha como se eu fosse um investimento, mãe. — Investimentos a gente protege. Paixões a gente consome. — Ela me olhou séria. — Só certifique-se de que você é quem segura o fósforo no final. A frase dela ficou girando na minha cabeça quando me despedi. Beijei a testa dela, prometendo voltar em breve, e saí para o corredor. Peter estava lá, en
O elevador desceu em silêncio, mas o ar entre nós crepitava. Eu ainda sentia a marca da boca dele no meu seio, escondida agora sob uma blusa de seda nova que ele me obrigou a vestir em três minutos. Entramos no Maybach. O motorista, treinado para ser invisível, fechou a divisória de vidro imediatamente. Estávamos no nosso aquário blindado. Peter se acomodou no banco de couro, exalando aquela calma irritante de quem acabou de reafirmar sua divindade. Ele pegou o tablet, pronto para voltar aos seus impérios e números, como se não tivesse acabado de me devorar contra uma parede. Eu olhei para ele. Para a linha dura do maxilar. Para as mãos grandes que me seguraram com tanta força. A raiva e o desejo se misturaram no meu estômago, criando uma bomba relógio. Ele achava que eu estava domada? Ele achava que eu estava ali, encolhida de vergonha? Não. Sem pensar, movida puramente pelo instinto do caos que eu havia pintado, eu me joguei. Não esperei. Atravessei o espaço entre os bancos e
Acordei com a adrenalina ainda correndo nas minhas veias. A visão da tela, com suas linhas azuis frias escondendo a rede silenciosa de carmim, era o meu triunfo. Mas eu sabia: o triunfo era apenas a isca. A fúria de Peter seria o anzol. Eu me vesti com o linho neutro e desci. Peter estava me esperando no estúdio. Ele não estava em sua mesa. Estava parado, as mãos nos bolsos da calça preta, olhando para a tela. Ele não se virou quando entrei. A luz da manhã inundava a sala, revelando a complexidade da minha rebeldia. O silêncio era insuportável. — O Caos sob a Ordem — disse ele, a voz baixa, preenchendo o espaço. Ele não estava perguntando. Estava diagnosticando. — Você pegou a estrutura fria do meu império e a usou como máscara. Mas o que a sustenta... a rede de sangue, a fúria. É a sua assinatura. — É a verdade — respondi, parando a uma distância segura, mas sem desviar o olhar. Ele se virou. Não havia raiva nos olhos dele. Havia uma satisfação gelada. O Imperador não se zangava
As paredes do estúdio eram minhas. Mas a tela era dele. Fazia vinte e quatro horas que Peter havia me dado a ordem surreal: pintar a Ordem, a Geometria, o seu Poder. E me ameaçado com o cancelamento da visita à minha mãe caso eu falhasse. Eu estava parada diante da tela branca. Eu odiava o comando. Odiava a pressão do prazo. Mas acima de tudo, eu odiava o fato de que a ideia dele era irresistível. Pintar a estrutura fria de um império era um desafio que a artista em mim não podia ignorar. Comecei com a frieza que ele exigia. Tons de azul-cobalto e prata metálico. Linhas retas. Formas geométricas que imitavam a arquitetura dos prédios dele, do hall do seu banco. Eu estava pintando uma prisão de cristal. Eu não o via. Mas eu o sentia. Eu sentia os olhos dele. Sabia que as câmeras invisíveis da cobertura estavam direcionadas para o estúdio. O Peter não precisava estar aqui para exercer sua vigilância. O seu poder era onipresente. À meia-noite, exausta e suja de tinta fria, eu estav





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