Mundo ficciónIniciar sesiónEntre sonhos, dores e descobertas, um grupo de jovens enfrenta o último ano do ensino médio em meio a segredos, romances e a dura realidade da vida. Luciele, recém chegada à escola, se vê envolvida em conflitos inesperados, amores intensos e ameaças que testam sua força e coragem. Ao lado de David, músico apaixonado que sonha em viver de arte, ela encontra apoio e o amor verdadeiro - mas também precisa enfrentar a sombra de inimigos, a pressão da formatura e escolhas que definirão seu futuro. A banda formada por David, Ericson, Sarah, Márcio e Arnaldo torna-se palco de união e desavenças. Amizades são testadas, paixões florescem e rivalidades ganham força. No coração dessa jornada estão os dilemas da juventude: entre liberdade e responsabilidade, a dor das perdas e a esperança de recomeçar.
Leer másDavid
“Foi um sonho de verão numa praia…”Quatro semanas de amor - Luan e Vanessa
Ela era a garota mais linda que já vi em toda a minha vida. Talvez seja justamente por isso que o desejo de pedi-la em casamento tenha surgido de forma tão precoce. Naquele fim de tarde, nossos pés descalços afundavam na areia da praia, enquanto nossas mãos se entrelaçavam no caminho em direção ao mar.
Aquela praia deserta era um cenário perfeito para um momento romântico só nosso. Era o instante certo, e eu não tinha dúvidas.
Antes de qualquer palavra, encarei seus olhos e, com o coração acelerado, coloquei sobre sua cabeça a coroa de flores, que havia preparado antes de vir. Ela combinava com seus traços – doces e rebeldes, ao mesmo tempo.
Nos beijamos, e ela me pegou pela mão, apressada até a beira do grande mar. Eu a amava de todo o coração e queria me unir a ela o mais breve possível, embora a prudência sussurrasse em meus ouvidos.
Mesmo assim, não hesitei: ajoelhei-me diante dela e, do bolso da minha bermuda, tirei a caixinha de veludo que guardava o anel com o qual sonhava pedi-la em casamento.
“Sim”, pensei. “Eu quero casar com ela agora. Não quero esperar mais nada.”
Eu estava prestes a fazer o pedido, perdido entre pensamentos e no desejo de tomá-la nos braços, quando um barulho distante começou a se aproximar. Primeiro discreto, depois cada vez mais alto, até se tornar ensurdecedor e arrancar-me do transe em que me encontrava.
“Droga! É o despertador!”
Desliguei aquele maldito alarme com a força do ódio, ainda atordoado. Olhei em volta, desnorteado, e percebi: não havia ninguém ali. Só eu, no meu quarto, com o despertador gritando a todo volume.
Sai da cama, direto para o chuveiro, no banheiro do meu quarto.
Aquele era um dia importante: meu dia de aula no turno da noite. Eu estava um pouco nervoso — não conhecia ninguém daquela turma.. Até então, sempre estudava de manhã, mas resolvi mudar no terceiro ano do ensino médio, na esperança de conseguir um estágio.
Acordei daquele sonho com gosto de quero mais, porém tudo o que me restava era um banho morno para aliviar a tensão — afinal, eu nem namorada tinha, quem dirá alguém com quem pudesse me casar.
O dia inteiro foi tomado pela ansiedade. Às vezes, parecia que os ponteiros do relógio conspiravam contra mim, arrastando-se lentamente. Em outras, o tempo disparava, e quando o fim da tarde se aproximou, tive a certeza de que as horas estavam voando.
Cheguei à escola e dei de cara com uma fila gigantesca de pessoas procurando seus nomes nas listas de turmas. Fui me enfiando no meio da multidão até encontrar as folhas dos terceiros anos. Lá estava o meu nome: turma 305.
Saí do empurra-empurra com cuidado, tentando não esbarrar em ninguém. Além do material escolar, eu carregava comigo o meu violão — e, com ele, nunca me sentia sozinho.
Felizmente, não esbarrei em ninguém e consegui sair ileso daquela confusão. Foi então que meus olhos encontraram a garota mais bonita que já tinha visto.
Ela parecia uma deusa: cabelos longos e negros, olhos azuis intensos, um corpo esculpido pela academia. Eu simplesmente não conseguia desviar o olhar, como se um ímã invisível me prendesse a ela.
Minha atenção, no entanto, foi desviada por uma gritaria e um burburinho que se formava próximo à sala onde eu estudaria. Saí do meu transe quando percebi que as pessoas se aglomeravam em torno de duas garotas, do lado oposto ao que eu estava olhando.
— O que é isso? Rebelião?
Imediatamente, fui levado junto à multidão que se formava para assistir à primeira briga do ano. E eu ainda nem tinha dado o primeiro passo na escola. “Imagina como será o ano letivo?” pensei, antes mesmo de conseguir observar direito o caos à minha frente: gritos femininos, um rapaz desajeitado ao lado de uma das moças.
Aquela cena deplorável marcou meu primeiro dia de aula no turno da noite.
“Seja lá o que for isso, espero que não vire rotina.” Fui me aproximando da multidão, para ver a cena com maiores detalhes. Foi então que pude ver uma moça de cabelos negros escorridos, segurando uma ruiva pelos cabelos e erguendo sua cabeça na altura da própria barriga.
— Sua cretina! Você não tem vergonha na cara, para ficar dando em cima do namorado das outras? – A moça de cabelos pretos e olhos amendoados dominava a ruiva com raiva.
— Priscila, larga ela! – ordenou o rapaz ao lado dela. — Não aconteceu nada! Essa garota só estava conversando comigo, não houve nada demais!
— Seu cafajeste! Nem no primeiro dia de aula você me dá sossego. Acha que não te conheço o suficiente para saber o quanto você é mulherengo? – A garota não largava o cabelo da ruiva, que mal conseguia se mover. Sem ar nos pulmões, ficava vermelha como um pimentão.
Naquele momento, só consegui pensar em me aproximar o máximo possível da cena. Pensei em diversas formas de ajudar a ruiva, mas todas me pareceram absurdas. Continuei observando, esperando o instante certo para intervir e tirá-la daquela situação.
— Vou te mostrar que aqui não é um galinheiro, sua galinha! Vai procurar tua turma e deixa eu e meu namorado em paz! — Priscila cuspia as palavras como se estivesse enlouquecida.
— Você perdeu o juízo, garota?! Veja lá como fala comigo! Não te dei intimidade! E tira suas mãos de mim! — A ruiva, tomada pela raiva, juntou todas as suas forças e empurrou a valentona, que perdeu o equilíbrio por um instante.
Nesse momento, eu resolvi agir, pois percebi a situação da menina e achei que ela podia desmaiar, então reuni toda a coragem que tinha e, na maior cara de pau, com o único intuito de ajudá-la, falei:
— Colega, tu tá viajando na maionese. Essa garota é nova na escola. Ela estava comigo, mas a gente acabou se perdendo um do outro.
— Larga ela! Não ouviu o cara? Ela tá com ele! – Pelo visto, o rapaz sabia que era uma encenação, mas aproveitou a deixa pra convencer a namorada.
Se ela estava mesmo contigo, então fala qual é o nome dela, e aí eu largo ela. – A brutamontes ciumenta não era nada boba, e não caiu de cara no meu teatro. Mas eu tinha certeza de que ela também não sabia o nome da menina, então, fiz o óbvio: falei o primeiro nome feminino que veio à minha mente.
— O nome dela é Bárbara. Agora, solta ela. — Olhei para o namorado da agressora. — Pode, por gentileza, fazer a sua namorada soltar a minha por bem? Ou eu vou ter que fazê-la soltar por mal? — perguntei, olhando para o rapaz, sem pestanejar.
Quando Douglas finalmente segurou um dos braços dela, para fazê-la soltar a ruiva, Priscila resistiu.
— Tira a mão de mim! Eu já vou largar ela, seu babaca! Eu faço o que eu quiser!
Douglas a soltou, e Priscila finalmente liberou a garota, que se ergueu, tentando se recompor.
— Cuida melhor da sua amiga, porque se eu vê-la se assanhando de novo para o meu namorado, o pau vai comer. — avisou Priscila, saindo de fininho e puxando Douglas pela mão, passando entre os jovens e enxotando todo mundo, dispersando a todos. — Acabou o show, galera! Já podem ir arrumar o que fazer!
— Isso vai ter volta, sua cavala ridícula! Pode esperar, que isso não vai ficar assim! — Luciele pensou alto, em voz baixa, enquanto tentava ajeitar cabelo e roupa.
— Vocês não têm mais nada de importante para fazer, não? — perguntou a ruiva, no auge da indignação, afastando-se do lugar e deixando o burburinho para trás. Segui com ela.
— Eu até tenho pena do cara, mas se ele realmente não prestar, então tem a namorada que merece! — falei, e finalmente olhei com atenção para a menina ruiva que acabara de salvar. Ela tinha uma beleza naturalmente rebelde, com cabelos curtos e bagunçados. Exótica, uma garota diferente demais para não chamar minha atenção.
— Você chegou bem na hora, colega! Muito obrigada por me tirar dessa situação. — Ela olhou para mim, e eu esbocei um sorriso, que ela correspondeu imediatamente.
— Não por isso... Bárbara? — perguntei, ainda sem saber o verdadeiro nome da garota.
— Ah — ela sorriu, divertida, percebendo que eu realmente queria saber — Luciele. Meu nome é Luciele. Prazer!
— Prazer em te conhecer, Luciele. Meu nome é David, ao seu dispor. — Sorri, fazendo uma mesura para quebrar o clima de caos que ela acabara de viver.
“Que estranho! Tenho a impressão de que já vi o rosto dela antes… Onde foi que eu vi aquele rosto?"
Novamente me perdi em pensamentos, até ser chamado à realidade pelo sino da escola, anunciando o início da aula. Mais uma vez, o barulho me tirou do transe naquele dia, e segui para a sala, cumprindo meu destino.
Luciele“No pido que todos los días sean de SolNo pido que todos los viernes sean de fiesta”La tortura - Shakira e Alejandro SanzEu ainda não consigo acreditar que uma briga inesperada e indesejada me tirou da comissão de formatura — e da escola — por três dias. Pior: por uma situação da qual eu não fui culpada. Mais uma vez, me vejo em maus lençóis. Mas também não vou deixar de reagir. Nem de me defender.Desde que entrei nesta escola, parece que tudo virou um caos. Foi barraco atrás de barraco. Perdi praticamente todo o primeiro trimestre por causa de um grupo de loucos que me sequestrou. Depois, fiquei longe por problemas psicológicos e outras situações absurdas.Se alguém tivesse me dito, no ano passado, que eu passaria por tudo isso, eu teria rido, chamado a pessoa de maluca. Tudo o que vivi neste ano… eu não pensei que fosse possível nem nos meus piores pesadelos.Sempre fui bem-humorada, carismática, alegre. Me dava bem com todos. Nunca briguei na escola. Nunca tive problema
David“Eu presto atenção no que eles dizemMas eles não dizem nada” Toda forma de poder – Engenheiros do HawaíA chegada do terceiro trimestre nos trazia algumas certezas: A primavera vinha com suas flores, alguns ficariam no provão e outros iriam se formar. A comissão de formatura precisava se agilizar para decidir quem seriam os professores homenageados, o paraninfo das turmas, quem seria o orador — e todas essas tretas apocalípticas desse momento tão especial.— Eu voto na festa dos Cem Dias — falou Charles, do alto de sua insensatez.— Cara, a maioria de nós nem tem 18 anos! — replicou um colega muito nerd, que sempre sentava lá na frente.— Vai quem tem, ué! — retrucou Charles, com aquele senso de humor debochado dele. — Te garanto que é uma forma ótima de ganhar dinheiro. Quem não pagaria uns trocados pelo convite de uma festa do terceirão?— Faz sentido… mas, de fato, muitos de nós ainda não têm 18 anos — falou Milena, tentando amenizar a situação.— Eu voto numa rifa de algo
David“Diz que aceita meu coraçãoQue eu te dou o mundo em minha cançãoSer teu porto em qualquer marTe amar sem medo de naufragar”Teu porto seguro - Círculo Inverso Depois de tudo o que aconteceu, eu ainda me pego, às vezes, acordando no meio da noite, com medo de que aquilo volte a acontecer. Minha mente, às vezes, me prega peças. Faz parecer que tudo aquilo foi mentira, que nada aconteceu. Mas aconteceu. E ver a Luci naquele estado… destruída, vulnerável… foi a coisa mais difícil que eu já enfrentei na vida.Quando eu soube — foi a mãe dela que ligou lá pra casa, quase sem conseguir falar direito — eu larguei tudo o que estava fazendo. Mas me dei conta de que não podia fazer nada, só orar. Mais tarde, ela nos ligou de novo, para nos tranquilizar, dizendo que a Luci já estava a salvo, graças a Deus. Mas tudo o que vivemos… marcou a gente pra sempre.Desde então, eu tenho tentado ser o mais presente possível — mas sem sufocar. A Luci é forte! Muito mais do que ela imagina. Só prec
Luciele “Don't you goWon't you stay with me one more day?”Stay – Oingo BoingoDavid me deixou na frente de casa com aquele sorriso doce, despreocupado, que sempre me fazia esquecer de qualquer coisa ruim no mundo.— Se cuida, meu amor! — ele disse, com um beijo rápido na minha testa, antes de entrar no carro de aplicativo e ir embora.Acenei, com a chave já na mão, pronta pra entrar... Mas quando girei o corpo em direção à porta, senti algo estranho.O ar ficou mais denso, pesado. Não sei explicar… um arrepio me percorreu a espinha como se alguém estivesse me observando.Antes que eu pudesse colocar a chave na fechadura, senti um leve arranhão no braço.— Ai! — murmurei, instintivamente levando a mão até o local.Foi quando, das sombras ao lado da porta, emergiu uma figura conhecida — mas que eu nunca imaginei ver ali, daquele jeito.Cabelos ruivos flamejantes. Olhos frios e brilhantes. Um sorriso entre o desejo e a loucura.— Olá, Luciele… — a voz era baixa, quase um sussurro, mas
David“Entre o fim do mundo e o fim do mêsEntre a verdade e o rock inglêsEntre os outros e vocês”A revolta de Dândis (Part I) - Engenheiros do Hawaii “E o vencedor é…” Essas palavras não saíam da minha cabeça nem por um minuto.Eu sabia que éramos muito bons. Mas havia muitas outras bandas e pessoas talentosas ali. Eu dei o meu melhor, disso eu tenho certeza. Cantei uma música inédita — coisa que mais ninguém fez. Se isso for levado em consideração, o fato de ser uma composição autoral pode ser um grande diferencial.Estávamos ali, nervosos, tentando curtir tudo o que a ansiedade nos permitia. Mas não estava sendo fácil esperar o grande momento. E pensar que talvez não sejamos os ganhadores… Não ajuda em nada nessa situação.O ginásio da escola estava transbordando de expectativa. As luzes do palco ainda piscavam em tons suaves, mas o som dos aplausos já havia se dissipado, dando lugar a um burburinho tenso. Acho que todos estavam na mesma ansiedade que a gente.Os estudantes coch
Luciele“Vazio dentro da multidãoTentando achar direçãoQuebrado, mas lutando ainda Um lugar ao sol vou achar”Um Lugar ao Sol - Círculo InversoAs aulas retornaram com força total. O professor de Física mal deixou a gente respirar — já veio com prova logo na primeira semana. O David não sabia se focava nos estudos ou na banda, porque precisava estar bem para o Festival. E ainda tinha as turmas de violão na igreja, que voltaram cheias de expectativas para o segundo semestre. E o David que lute pra dar conta de tudo isso.Quanto a mim, eu acompanhava tudo de perto, o máximo que podia. Dentro de casa, o clima era sempre depressivo. Não dava vontade de estar lá.Por incrível que pareça, nunca mais vi o meu pai. Parece que tomou um chá de sumiço. Liga de vez em quando, mas nada muito intenso. Os intervalos entre uma ligação e outra são tão grandes que, às vezes, acho que ele está sumindo no mapa de propósito.Minha irmã se trancou num casulo só dela. Nada a fazia querer sair de casa. E,
Último capítulo