Mundo de ficçãoIniciar sessãoEntre sonhos, dores e descobertas, um grupo de jovens enfrenta o último ano do ensino médio em meio a segredos, romances e a dura realidade da vida. Luciele, recém chegada à escola, se vê envolvida em conflitos inesperados, amores intensos e ameaças que testam sua força e coragem. Ao lado de David, músico apaixonado que sonha em viver de arte, ela encontra apoio e o amor verdadeiro - mas também precisa enfrentar a sombra de inimigos, a pressão da formatura e escolhas que definirão seu futuro. A banda formada por David, Ericson, Sarah, Márcio e Arnaldo torna-se palco de união e desavenças. Amizades são testadas, paixões florescem e rivalidades ganham força. No coração dessa jornada estão os dilemas da juventude: entre liberdade e responsabilidade, a dor das perdas e a esperança de recomeçar.
Ler maisLucieleOito anos depois…O som das guitarras ecoava pelo Bar Opinião, em Porto Alegre. As luzes coloridas piscavam, refletindo nos rostos animados da plateia. O ambiente estava lotado, como sempre, mas para mim havia algo de especial naquela noite.Eu sentia cada acorde vibrar dentro do meu peito — não só pela música, mas porque era o David quem estava lá em cima, tocando como artista convidado na banda de seus alunos da faculdade. O mesmo menino que conheci nos corredores da escola agora era um homem feito: professor universitário de música, mas ainda apaixonado pelo palco. Eventualmente aceitava esses convites para incentivar os alunos — e, no fundo, para lembrar a si mesmo que a música ainda vivia em seu coração.De vestido leve, acariciava minha barriga de seis meses. Nossa filha se mexia ao som da batida da bateria, como se já dançasse. Sorri. Ela já ama música como o pai, pensei.A vida tinha tomado rumos que eu jamais poderia prever, mas uma coisa era certa: nós sobrevivemos.
Carolina“You're my angelCome and make it all right”Angel - AerosmithEu nunca imaginei que a vida me colocaria diante de um tribunal, sentada na plateia, vendo os homens e mulheres que destruíram a paz da minha filha serem julgados pela justiça. Durante meses, carreguei esse peso — o medo de que nada fosse feito. Mas, naquele dia, ao entrar na sala de audiências, senti que a história estava prestes a virar uma página.As paredes brancas, o crucifixo à frente, os advogados sussurrando, os réus enfileirados… tudo tinha um peso simbólico. Era o fechamento de um ciclo de dor. No fundo, eu só queria ouvir uma palavra ecoar para cada um deles: condenado.Gabriel foi o primeiro a ouvir sua sentença. O líder do Círculo, que acreditava ser intocável, recebeu anos de prisão que mal davam conta de todo o mal que fez. Ouvi o número da pena e pensei: não importa quanto tempo seja, já é uma marca eterna no nome dele. Algum tempo depois, soube que seria transferido para o Paraná, em regime fechad
Luciele“Eu quero uma casa no campoDo tamanho ideal, pau-a-pique e sapéOnde eu possa plantar meus amigosMeus discos e livros e nada mais”Casa no Campo - Elis ReginaA beca já havia sido devolvida, e o vestido da festa ainda cheirava a perfume — mas a vida não esperava. Os corredores da escola estavam vazios, os professores já respiravam aliviados, e nós… nós só falávamos do que vinha a seguir: vestibular, cursos, bolsas, novos caminhos.Era como estar no topo de uma montanha, olhando para todos os lados e sabendo que não dava mais para voltar. Só havia descidas, diferentes trilhas, e cada um de nós precisava escolher a sua.David estava decidido: sua faculdade seria de Música. Podia ser Licenciatura ou Bacharelado, mas seria música.— Se for licenciatura, a sala de aula vai ser meu palco — dizia, com um sorriso tímido.Eu, depois de meses de indecisão, escolhi Arquitetura ou Psicologia. Em qualquer uma das duas áreas, eu teria projetos sociais. A Psicologia me chamava, porque eu q
Luciele“Você não sabe o quanto eu caminheiPra chegar até aqui”A Estrada - Cidade NegraO sábado da formatura amanheceu diferente. O sol entrava pela janela com força, iluminando cada canto do meu quarto, e eu tive a sensação de que não era apenas mais um dia — era O dia. Aquele que todos nós, mesmo entre quedas e tormentas, esperávamos alcançar.Em casa, minha mãe estava a mil, corria pela cozinha enquanto separava os documentos, ajeitava minha beca no cabide e gritava para que eu não esquecesse os sapatos novos. Minha irmã Camila chorava de emoção antes mesmo de eu me arrumar. João, que a acompanhava, ria dela.— Ainda nem começou e já tá nesse estado, Camila? — ele provocava. — Cala a boca, João! — ela retrucava entre lágrimas. — Minha irmã tá se formando!No quarto do David, em outro bairro da cidade, Carina e Lourenço também estavam em polvorosa. Ela ajeitava o terno do filho, enquanto ele, com seu jeito mais prático, verificava se a câmera estava carregada para registrar cada





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