Mundo ficciónIniciar sesiónDepois de anos vivendo sob ameaças, humilhações e agressões, Helena finalmente fez o que sempre achou que não teria coragem: reagiu. Numa noite em que seu marido um policial corrupto conhecido por “fazer sumir” qualquer denúncia contra si, passou dos limites, ela golpeou-o na tentativa desesperada de sobreviver. Com as mãos tremendo e o rosto marcado, fugiu levando apenas o celular, a roupa do corpo e a sensação de que agora ninguém, absolutamente ninguém, iria ajudá-la. Sem conseguir distinguir modelos ou placas, Helena pediu um Uber e entrou no primeiro carro preto que parou. Não era o Uber. Era Dante Guimarães, o chefe mais temido do jogo do bicho no Rio de Janeiro, conhecido no meio como o Cobra. Ao perceber o desespero dela, Dante fez apenas uma pergunta: — Pra onde, senhora? — Pra longe. Por favor, pra bem longe. Mas fugir de um policial violento e influente é quase impossível. E proteger uma mulher como Helena pode colocar Dante em guerra com toda uma corporação que ele já aprendeu a não confiar. O que começa como uma carona errada se transforma em uma aliança improvável: ela, tentando sobreviver; ele, tentando entender por que aquela mulher desperta nele algo que ele jurou nunca sentir. Helena acha que caiu no carro errado. Dante tem certeza de que ela entrou no único carro capaz de salvá-la. Entre perseguições, segredos, lealdades quebradas e um sentimento que cresce sem permissão, os dois vão descobrir que às vezes fugir não é covardia, é o primeiro passo para recomeçar.
Leer másCapítulo 11 Dante GuimarãesEntrei no meu quarto indo direto para o banho. Porra… são onze da manhã e eu já imaginei umas vinte formas diferentes de foder aquela garota. Meu corpo inteiro ainda está eletrizado só porque fiquei perto dela.O que diabos está acontecendo comigo?Abri o chuveiro no máximo, o jato quente batendo nas minhas costas, mas nem assim a tensão diminuiu. Passei as mãos pelo cabelo, tentando organizar meus próprios pensamentos não consegui. Sempre fui um homem de controle, de regras, de lógica. Nunca dei espaço para mulher alguma entrar onde só eu mando. Mas Helena… merda, Helena é uma ameaça silenciosa.Uma ameaça que eu quero.Uma ameaça que eu não deveria querer.Peguei o celular e disquei o número de Mathias, meu bicheiro da Zona Norte, o dono daquela casa de swing que ele chama de “empreendimento milionário”. Eu precisava tirar Helena da minha cabeça. Precisava comer alguém, extravasar, voltar a ser quem sempre fui antes que eu cometesse uma idiotice da qual
Capítulo 10 Helena Baldin Dante entrou como se o quarto fosse dele desde sempre, e na verdade é, a case é dele afinal.O ar pareceu diminuir pela metade quando seus olhos encontraram os meus. Ele fechou a porta atrás de si com um clique lento, calculado, como quem sabe exatamente o efeito que provoca.E provocava.Meu peito subia e descia rápido demais, denunciando tudo o que eu tentava esconder.Ele deu dois passos para dentro. Cada passo parecia arrastar todas as minhas certezas junto.— Você tá tremendo — ele disse baixo, a voz rouca, carregada de algo que eu não entendia se era irritação, preocupação… ou outra coisa ainda mais perigosa.— Não tô — respondi rápido demais.Um canto da boca dele levantou como se dissesse não mente pra mim.O pior é que funcionava. Por algum motivo, eu não conseguia sustentar uma mentira olhando dentro daqueles olhos escuros.— Eu subi porque você parecia ansiosa — ele continuou, andando mais devagar agora. — E fiquei com uma sensação estranha…sensa
Capítulo 09 Helena BaldinFechei a porta do quarto devagar quando subi depois do café. O estômago ainda embrulhava com todas as últimas palavras de Dante. As frases dele martelavam na minha cabeça como se estivessem presas num looping que eu não conseguia interromper."Você vai destruir o Eduardo ao meu lado.""Ele gosta de machucar mulheres indefesas, é hora de pagar""Eu vou ensinar você a acabar com ele."Aquelas palavras… não eram simples. Não eram jogadas ao vento. Ele não era o tipo de homem que falava por falar. Quando Dante Guimarães prometia algo, o mundo ao redor dele aprendia a tremer, e isso eu aprendi nesses dias aqui.E agora… ele estava dizendo que eu faria parte desse tremor.Me aproximei da janela, abraçando meus próprios braços. O Rio de Janeiro, lá embaixo seguia sua rotina barulhenta, viva, cheia de caos… Mas aqui dentro, tudo estava silencioso demais. Como se o ar tivesse ficado denso, pesado, incapaz de se mover.Eu não sabia se tinha medo dele.Ou do que eu mes
Capítulo 08 Dante GuimarãesFiquei encarando minha mãe, esperando que falasse logo o que estava acontecendo. Mas, ao invés disso, ela se serviu de um whisky, virou o copo inteiro como se estivesse criando coragem. Isso nunca era bom sinal.— Você sabe que tirei o Vittorio daqui porque não queria que ele seguisse essa vida — começou ela, voz cansada. — Aliás, nem você queria que seguisse essa vida, mas…— Mas o que esse bostinha aprontou agora? — rosnei, já sentindo a dor de cabeça crescer.Ela respirou fundo.— Ele tem se envolvido com a máfia italiana…— Eu não tenho poder na Itália, mãe! — bati a mão na mesa, irritado.— Eu sei, Dante… mas e se você tentar alguma aliança? Eu preciso impedir que ele continue com isso.Fechei os olhos por um segundo, tentando controlar o impulso de quebrar alguma coisa.— O que exatamente o Vittorio está fazendo? — perguntei entredentes.— Ele está… namorando a bisneta do Don Massimo. E esse homem não aceita ninguém de fora. Ou morre, ou entra para a
Capítulo 07Dante GuimarãesJá fazem alguns dias que Helena está na minha casa.Dias em que o Sargento Eduardo Silveira tem virado o Rio de Janeiro de cabeça para baixo atrás dela, vasculhando becos, movimentando gente, fazendo barulho.E mesmo assim…Nem um rastro.Eu sou melhor.Desci para tomar café, como faço todas as manhãs, e ela estava lá, sentada à mesa, as mãos em volta da xícara como se tentasse aquecer a alma, e os olhos sempre distantes. Ela não faz perguntas, não pede nada, não exige explicações.Ela apenas sobrevive. Ela tem sido uma ótima sobrevivente.— Bom dia, Helena — falei, quebrando o silêncio.Ela levantou lentamente o olhar.— Bom dia, Dante.Seu tom sempre é o mesmo: medido, contido, quase vazio. Mas eu enxergo o que existe por trás.Medo. Confusão.E uma chama quase apagada, que eu pretendo reacender com fogo e sangue.— Após o café, temos algumas coisas para alinhar — informei, bebendo um longo gole. — Já deu tempo de acalmar os nervos.Ela engoliu seco. Não
Capítulo 06Dante GuimarãesO mundo sempre pareceu dividir-se entre os que têm poder e os que não têm. Eu aprendi isso cedo, muito cedo. Aos dezoito anos, meu pai estava prestes a matar minha mãe. Eu o vi levantar a mão para um golpe final, e então algo dentro de mim quebrou, sem qualquer limite de hesitação. Não pensei. Não senti medo. Só agi.Ele morreu pelas minhas mãos. Vivi minha infância toda, vendo ele bater, trair, abusar, dela, mas naquele instante eu só vi o ódio me consumir, apenas agi. E naquele dia, herdei tudo: o império do jogo do bicho do Rio de Janeiro, e os inimigos, e também o poder, e toda a responsabilidade. Minha mãe se mudou para fora do país logo depois, deixando para trás o legado de sangue e a violência que ela não suportava. Vive a vida que quer, longe de tudo isso, e não a culpo. Eu mesmo, no entanto, aprendi a confiar apenas em mim.A polícia? Não passam de peças jogando num tabuleiro que conheço melhor que ninguém. Pago, observo, e manipulo. Mas jamais c










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