Capítulo 09
Helena Baldin
Fechei a porta do quarto devagar quando subi depois do café. O estômago ainda embrulhava com todas as últimas palavras de Dante. As frases dele martelavam na minha cabeça como se estivessem presas num looping que eu não conseguia interromper.
"Você vai destruir o Eduardo ao meu lado."
"Ele gosta de machucar mulheres indefesas, é hora de pagar"
"Eu vou ensinar você a acabar com ele."
Aquelas palavras… não eram simples. Não eram jogadas ao vento. Ele não era o tipo de homem que falava por falar. Quando Dante Guimarães prometia algo, o mundo ao redor dele aprendia a tremer, e isso eu aprendi nesses dias aqui.
E agora… ele estava dizendo que eu faria parte desse tremor.
Me aproximei da janela, abraçando meus próprios braços. O Rio de Janeiro, lá embaixo seguia sua rotina barulhenta, viva, cheia de caos… Mas aqui dentro, tudo estava silencioso demais. Como se o ar tivesse ficado denso, pesado, incapaz de se mover.
Eu não sabia se tinha medo dele.
Ou do que eu mes