Mundo de ficçãoIniciar sessãoDesempregada e sem opções, Ayla faz o impensável para sobreviver: veste um terno, esconde a própria voz e se torna Alex. É assim que conquista um trabalho bem pago — sem saber que acabou de entrar no mundo implacável da máfia, onde identidades são armas e corpos, moeda de troca. Durante um ano inteiro, Ayla vive como um homem, submetida ao controle cruel de Otton, líder frio, dominante e perigosamente obsessivo. Criado por Mateo, seu padrasto, Otton governa com mãos firmes e regras claras: obediência absoluta ou destruição. E Ayla aprende rápido que, naquele mundo, não há espaço para inocência. Mas o verdadeiro perigo nasce longe das armas. Otton passa a desejá-la — primeiro como posse, depois como tentação, e por fim como algo que ameaça seu próprio controle. Ao mesmo tempo, Mateo, dividido entre lealdade, culpa e proteção, vê sua moral ruir ao perceber que a mulher por trás do disfarce desperta sentimentos que jamais deveria sentir. Quando Ayla revela quem realmente é, o jogo muda. O desejo se torna explícito. A tensão explode. E cada olhar passa a carregar promessas perigosas. Entre dois homens poderosos, laços proibidos e uma máfia que não perdoa fraquezas, Ayla precisará decidir se continuará sendo usada… ou se usará o desejo deles para conquistar o único poder que importa: o controle do próprio destino. Porque na máfia, amar é um risco. Desejar é uma sentença. [Cartel][+18]♡.
Ler maisA madrugada caiu pesada sobre a cidade.No pátio externo da mansão, Mateo falava baixo com Yuri, os dois inclinados sobre o capô de um carro apagado, apenas a luz fraca do poste iluminando mapas e rotas no tablet.— Ele não está tentando tomar território — Mateo disse, os olhos fixos na tela. — Está tentando provocar reação.— Otton sempre foi assim — Yuri respondeu, seco. — Barulho antes de estratégia.Mateo soltou um meio sorriso sem humor. — Barulho denuncia desespero.O som veio antes do aviso.Um estampido seco.Depois outro.Depois muitos.— Contato! — alguém gritou pelo rádio.O primeiro tiro estourou o vidro lateral da guarita.— Filho da p*ta… — Yuri já sacava a arma. — Ele veio pelo flanco norte.Mateo levantou a cabeça, a calma evaporando.— Proteção interna, agora. — falou no rádio. — Ninguém sobe sem minha ordem.Mais tiros. Um carro acelerando e freando bruscamente. Gritos curtos. Ordens sendo lançadas no escuro.— Ele quer parecer maior do que é — Mateo disse, já andan
O médico saiu do quarto com a discrição de quem sabia demais para falar alto.— Ela está fisicamente bem — disse, baixo. — Exaustão extrema, estresse acumulado, o corpo cobrando uma conta antiga. Precisa descansar. E… — hesitou um segundo. — Precisa se sentir segura.Mateo assentiu uma única vez.— Isso ela vai ter.Quando a porta se fechou, ele ficou parado por alguns segundos, a mão ainda no trinco. Depois respirou fundo e entrou.Ayla estava deitada de lado, coberta até a cintura, o rosto ainda pálido, mas os olhos atentos. Lia sentava na poltrona, braços cruzados, claramente de guarda.— Vocês dois estão me olhando como se eu tivesse quebrado — Ayla murmurou.— Não — Lia respondeu na hora. — A gente tá olhando como quem quase perdeu algo importante.Mateo se aproximou devagar, sentando-se na beira da cama.— Como você está? — perguntou.— Cansada de ser forte — ela respondeu, sincera demais para qualquer máscara.Ele segurou a mão dela. Não disse nada por um instante.— Então não
Ayla saiu do quarto devagar, ainda com o gosto amargo na boca, como se o corpo estivesse tentando expulsar algo que não era físico. Cada passo parecia exigir mais esforço do que deveria.Lia percebeu na hora.— Ei — chamou, virando-se. — Você não está andando normal.— Eu tô — Ayla respondeu rápido demais.— Não, não tá.Lia segurou o braço dela com firmeza, não agressiva, mas irredutível. — Senta. Agora.Ayla obedeceu, sentando-se no banco perto da janela. O sol batia fraco, mas nem isso parecia alcançar o que ela sentia por dentro.— Desde quando você começou a esconder dor assim? — Lia perguntou, cruzando os braços.Ayla soltou um riso curto, sem humor. — Desde que esconder virou sobrevivência.Silêncio.Lia respirou fundo. — Eu vi você mudar. Não foi de uma vez. Foi… em camadas.Ayla manteve o olhar fixo na janela.— Um ano atrás — Lia continuou — você falava baixo, pedia desculpa até quando não devia, ficava vermelha quando alguém te elogiava.— Isso não é útil aqui — Ayla murmu
A mansão não estava silenciosa.Estava em suspensão.Homens se moviam com cuidado demais, como se o ar pudesse quebrar. Telefones vibravam e eram silenciados. Olhares se cruzavam rápido e desviavam mais rápido ainda.No quarto, Ayla sentiu primeiro como um aperto no estômago.Depois, o mundo deu um passo em falso.Ela levou a mão ao colar, respirou fundo — não adiantou.— Merda… — murmurou, sentando na cama.A porta se abriu quase no mesmo segundo.— Eu sabia — Lia disse, já atravessando o quarto. — Você ficou pálida no café.— Não é nada — Ayla tentou levantar. Falhou.Lia a segurou firme. — Não minta pra mim. Você mente mal quando está mal.Ayla respirava curto agora. — É como se… tudo estivesse acelerado. E pesado. Ao mesmo tempo.— Ótimo — Lia respondeu, prática. — Crise existencial com sintomas físicos. Vem, deita.Ela pegou um copo d’água, sentou-se ao lado e falou num tom que não admitia discussão:— Olha pra mim. Respira comigo. Um… dois…Ayla obedeceu, mesmo contrariada.— Ma
Mateo fechou a porta do quarto com o pé, ainda com Ayla nos braços. O mundo lá fora podia esperar alguns segundos.— Você sente quando as coisas mudam — ele disse, baixo, quase um elogio. Você sempre sente…— Eu sobrevivi tempo demais fingindo que não sentia — Ayla respondeu. — Não faço mais isso.Ele a soltou devagar, como quem reluta em voltar à realidade.— Dante está sob custódia. Otton… fora do tabuleiro.— Fora do tabuleiro não é fora do jogo — ela rebateu, direta.Mateo sorriu de canto. — Por isso eu te escolhi.Na sala principal, Lia jogou a bolsa no sofá e se deixou cair ao lado, exausta — mas com aquele brilho perigoso nos olhos.— Da próxima vez — Yuri comentou, encostando-se à parede — avisa antes de usar a própria cabeça como isca.— Se eu avisasse — Lia respondeu, tirando o casaco — Dante não aparecia. Homens como ele só falam quando acham que estão no controle.Yuri cruzou os braços. — Você gosta de provocar incêndio.— Eu gosto de saber onde está o fósforo.Mateo entr
O endereço piscava na tela do celular de Lia como um desafio mal disfarçado.— Claro… — murmurou, pegando a bolsa. — Um convite anônimo. O que poderia dar errado?Ela não avisou Mateo.Não por descuido.Mas porque sabia exatamente o que estava fazendo.O galpão ficava em uma área antiga da cidade. Iluminado demais para ser abandonado. Silencioso demais para ser seguro.Lia entrou sem hesitar.— Pontual — disse uma voz masculina, ecoando pelo espaço. — Gosto disso.Dante saiu das sombras com um sorriso preguiçoso, elegante demais para aquele lugar.— Você manda mensagens misteriosas e espera flores? — Lia rebateu. — Poupe meu tempo.Ele riu. — Direta. Entendo agora por que Mateo confia tanto em você.— Não confia — ela corrigiu. — Ele sabe.Dante se aproximou um pouco mais. — Então vamos ao ponto. Otton está desesperado. E homens desesperados cometem erros… barulhentos.— E você? — Lia cruzou os braços. — Está aqui por altruísmo?— Estou aqui porque gosto de sobreviver — ele respondeu
Último capítulo