Mundo de ficçãoIniciar sessãoDesempregada e sem opções, Ayla faz o impensável para sobreviver: veste um terno, esconde a própria voz e se torna Alex. É assim que conquista um trabalho bem pago — sem saber que acabou de entrar no mundo implacável do Cartel, e Máfia, onde identidades são armas e corpos, moeda de troca. Durante um ano inteiro, Ayla vive como um homem, submetida ao controle cruel de Otton, líder frio, dominante e perigosamente obsessivo. Criado por Mateo, seu padrasto, Otton governa com mãos firmes e regras claras: obediência absoluta ou destruição. E Ayla aprende rápido que, naquele mundo, não há espaço para inocência. Mas o verdadeiro perigo nasce longe das armas. Otton passa a desejá-la — primeiro como posse, depois como tentação, e por fim como algo que ameaça seu próprio controle. Ao mesmo tempo, Mateo, dividido entre lealdade, culpa e proteção, vê sua moral ruir ao perceber que a mulher por trás do disfarce desperta sentimentos que jamais deveria sentir. Quando Ayla revela quem realmente é, o jogo muda. O desejo se torna explícito. A tensão explode. E cada olhar passa a carregar promessas perigosas. Entre dois homens poderosos, laços proibidos e um Cartel que não perdoa fraquezas, Ayla precisará decidir se continuará sendo usada… ou se usará o desejo deles para conquistar o único poder que importa: o controle do próprio destino. Porque no Cartel, e Máfia, amar é um risco. Desejar é uma sentença. [Cartel][+18]♡.
Ler maisAo amanhecer eu já estava em exaustão, pois pensei, e repensei sobre a vaga de motorista. Mandei um e-mail para o nome de “Lia” provavelmente deve ser a secretária dele, ou sei lá. E a mesma respondeu quase de imediato, e para minha infelicidade realmente tinha que ser um homem.
Me coloco de pé indo até a minha janela, abrindo a mesma, e respirando o ar puro que vinha de fora, a brisa fresca bateu em minha face me fazendo estremecer. Estava ao ponto de enlouquecer, e só tinha uma solução. — Que merda ! — Resmungo já me descabelando. Pois não iria ter outra oportunidade dessa, então pensei na última alternativa, irei me disfarçar, aliás me transformar em um homem. É isso ! Graças a Deus eu sabia usar maquiagem, e tinha alguns trajes masculinos aqui em casa. Então sem pensar mais vezes, pois já tinha pensado demais. Decidi por fim ir me arrumar, liguei no número que Lia tinha me passado, sem ela saber que eu era a mulher do e-mail, engrossei a minha doce voz e fui aprovada para entrevista, aliás… “Aprovado”! Para uma parda de cabelo preto liso, e longo, irei lutar um pouco para por essa peruca masculina que usava na época de teatro do colégio. Com a maquiagem deixei os traços levemente masculinos, a peruca não ficou tão ruim. Agora o terno que era do meu pai…vou ter de fazer uns ajustes. Ainda bem que aprendi algo com a minha avó antes dela falecer. E assim foi a minha manhã, correria e agitação. Tudo isso para se tornar um homem, e conseguir um emprego. Espero não servir de chacota, pois minha estrutura não é das melhores. Não sou tão alta, então serei um homem baixo, só falta isso me ferrar de vez. Por fim, estava pronto, e modéstia a parte, estava lindão. Um pouco delicado para um homem, mais que seja, é isso ou nada. Um moreno muito de boa aparência eu me tornei. Peguei minha cnh, documentos, meu carrinho e fui. Eu dirigia um fusca, não dos antigos, desses mais novos, parece uma bolinha com olhos preto. Chamo ele de fúria da noite “irônico eu sei”. Enfim, irei tentar me dobrar com a Lia sobre a documentação. Pois eu era Ayla na documentação, e tinha que ter outro nome, mais qual ? Um parecido, porém forte, e de homem. — Acho que já sei qual nome usar. No entardecer eu cheguei no local da entrevista, achei que seria um escritório, ou uma casa. Mas não, é uma mansão ! Um lugar completamente afastado, que eu jamais imaginaria ter aqui nessa cidadezinha pacata. Lugar chique, mas me fez ter calafrios, parece um tanto abandonado. E escuro, trás um ar sombrio, que me deu medo. Assim que cheguei na frente dos grandes portões de grade preta, todo chique, e cheio de detalhes, quando desci para falar com o segurança. Os portões se abriram, mas também, passei a descrição toda para Srta Lia, ela já deve ter me visto, e permitiu a minha entrada. Aqui deve ter câmeras por todo lado, devo me cuidar para não ser descoberta. Assim que estacionei o carro de frente a mansão, vejo uma bela mulher, deve ter a minha idade, se veste bem. Com um terninho na cor cinza, saia justa, e salto preto. Tão branquinha, cabelos loiros, e um tanto ondulados, olhos azuis, realmente ela é muito linda. — Boa tarde, eu sei que te pedi para vir com urgência. Que nem ao menos perguntei o seu nome, como se chama ? — A bela mulher me perguntou, deve ser a Lia. — Me chamo Alex senhorita, Alex Belmonte ! Vejo que cheguei no horário, achei que teria mais pessoas para entrevista. Acho que sou ingênuo demais, dá pra ver que aqui é outro nível. As entrevistas devem ser todas separadas, e em horários diferentes não ? — Perguntei curioso, quase me esquecendo de engrossar a voz. Ela me olhou meio surpresa, agora não sei se é pelo óbvio, ou se perdi algo. — Na verdade é somente você Alex, mas ninguém teve tal ousadia. Só uma mulher, mas deixei claro que deveria ser homem. Enfim, nem vai precisar de documentação por hora, ele vai te pagar no dia. Vai que você desiste rápido, ou acontece algo ruim. Opa… a mulher era eu também, mas porque ninguém teve “ousadia” ? Sinto que me meti em alguma furada. Algo ruim… isso me deu calafrios. — Não entendi, primeiramente o “ousadia” perdão mas fiquei confuso — Confesso aguardando uma resposta de Lia. — Ah, você não leu o nosso sobrenome, não é mesmo ? Sou Lia, Lia Azepeta. Meu Deus, ouvi boatos sobre a chegada deles, por isso ninguém quer a vaga. Mesmo sendo muito boa, corre risco de vida. Já que dizem que quando ele não gosta de alguém, é morte na certa. — Azepeta… os mafiosos ? — Pergunto já me arrependendo de todos os esforços para me transformar em homem, e vir até aqui. — Sim, por isso disse que é ousado. A vaga é sua ! E cuidado com a língua, sou irmã do Mafioso Otton Azepeta. A vaga é minha, ferrou…Epílogo — Onde o Amor Fica!A primeira coisa que Mateo ouviu foi o choro.Não era um som que conhecia do mundo que viveu. Não era alerta. Não era ameaça.Era vida!Ele ficou parado por um segundo a mais do que o normal, como se o corpo precisasse aprender um novo reflexo. Então entrou no quarto.Ayla estava exausta. Linda. Inteira de um jeito que nenhuma armadura jamais permitiria. O cabelo grudado na testa, os olhos marejados, o sorriso pequeno — verdadeiro.— Eles chegaram… — ela sussurrou, a voz fraca e cheia de tudo.Mateo se aproximou devagar, como se qualquer passo em falso pudesse quebrar aquele instante.— Os dois? — perguntou, quase sem voz.— Os dois — ela confirmou!Lia estava ao lado da cama, segurando um embrulho pequeno demais para conter algo tão grande. Yuri estava alguns passos atrás, rígido, tentando entender como alguém podia amar tanto em silêncio.— Quer segurar? — Lia perguntou a Mateo.Ele assentiu, incapaz de falar.O menino se acomodou em seus braços com um s
A última ultrassom chegou quase como um acordo silencioso com o destino.Ayla já estava grande, a barriga firme, viva, marcando presença antes mesmo das crianças nascerem. As consultas anteriores tinham sido sempre assim: risos nervosos, o médico pedindo para esperar mais um pouco, os bebês “escondidos”, virados do jeito errado, como se quisessem guardar segredo.— Esses dois gostam de suspense — o médico brincou mais de uma vez.Dessa vez, porém, algo era diferente.A sala estava calma. A luz suave. Mateo ao lado de Ayla, segurando sua mão com força contida. Lia sentada mais atrás, quase prendendo a respiração. Yuri encostado à parede, tentando parecer tranquilo — sem sucesso.O gel frio tocou a pele de Ayla, e ela respirou fundo.— Vamos ver se hoje eles resolvem colaborar — disse o médico, sorrindo enquanto ajustava o aparelho.A tela começou a se formar.Batimentos fortes.Movimentos claros.Dois corpos ocupando o espaço como se aquele lugar fosse exatamente onde deveriam estar.O
Os meses avançaram quase silenciosos.A mansão se adaptou ao novo ritmo como um organismo vivo. Menos correria desnecessária, mais previsibilidade. Segurança redobrada, mas sem paranoia. Mateo seguia negociando cargas e armamentos como sempre — firme, calculado, respeitado. Nada entrava ou saía sem passar por ele. O nome Azepeta havia se consolidado de vez.E ainda assim… ele nunca deixava Ayla fora do campo de visão por muito tempo.A barriga agora era impossível de ignorar. Redonda, evidente, quase desafiadora. Dois corações crescendo ali dentro. Ayla se movia mais devagar, mas não menos forte. Continuava treinando — adaptado, supervisionado — e implicava com Mateo sempre que ele exagerava no cuidado.— Se você continuar assim — ela dizia, arqueando a sobrancelha — vai acabar pedindo autorização médica pra eu respirar.Mateo apenas suspirava. — Dois bebês, Ayla. Dois. Me deixa exagerar um pouco.Ela sorria. Sempre sorria!Otton, por outro lado, apodrecia em silêncio.A cela era
Os dias passaram como algo quase esquecido.Rotina…Silêncio bom.Uma paz que nenhum deles lembrava quando havia começado — apenas que sempre pareceu impossível.Otton desapareceu do jogo sem o espetáculo que ele tanto buscava.Oficialmente, responderia por crimes antigos que convenientemente voltaram à tona. Contas bloqueadas. Aliados sumidos. Visitas cada vez mais raras. Não morreu — e para alguém como ele, isso foi pior.Vivo o suficiente para assistir tudo ruir.Sozinho o bastante para entender que ninguém vai salvá-lo!Na mansão, a vida se reorganizava.Lia e Yuri estavam cada vez mais próximos, sem rótulos, sem promessas. Cafés divididos em silêncio, piadas internas, mãos que se encontravam por acaso e não se soltavam tão rápido assim. Lia ainda tinha medo de se apaixonar — mas já não fugia quando o sentimento batia à porta.Mateo treinava com Ayla quase todos os dias.O ritmo era outro agora.Mais pausas.Mais água.Mais olhares atentos.— Se eu cair, prometo que não é drama
A madrugada avançava lenta, como se o mundo estivesse reaprendendo a respirar depois do caos.Ayla estava sentada na cama, encostada na cabeceira, os dedos entrelaçados sobre o ventre ainda plano. Mateo caminhava pelo quarto, inquieto, o celular finalmente em silêncio depois de horas de ordens, confirmações e encerramentos.— Você vai gastar o piso andando assim — ela comentou, tentando soar leve.Mateo parou. Olhou para ela como se estivesse vendo algo precioso demais para ser real.— Eu quase perdi vocês hoje — disse, sem rodeios.— Não perdeu — Ayla respondeu. — E não vai.Ele se aproximou, ajoelhando à frente dela, ficando na mesma altura. A mão dele pousou ali, com cuidado absoluto, como se até o ar precisasse pedir permissão.— Eu passei anos achando que meu corpo era só arma e cicatriz — ele murmurou. — Nunca pensei… nisso.Ayla sentiu os olhos arderem. — Eu também não pensei. Não planejei. — Respirou fundo. — Mas quando descobri… não senti medo. Só… respeito.Mateo riu baixo,
Os sensores do perímetro piscaram em vermelho uma segunda vez.— Dois veículos agora — Yuri informou, a mão já no comunicador. — Um deles sem placa.Mateo não respondeu de imediato. Caminhava pelo corredor como quem já tinha tomado a decisão antes mesmo do aviso chegar. Calmo demais. Perigoso demais.— Ele veio — disse apenas. — E veio para perder.No andar de cima, Lia fechou a porta do quarto de Ayla e encostou as costas nela, respirando fundo.— Ei — disse, suave. — Olha pra mim.Ayla estava pálida, a mão apoiada no estômago, os olhos mais atentos do que assustados.— Ele sabe — murmurou. — Otton sabe do bebê.Lia sentiu o chão inclinar por um segundo. — Eu sei, calma... — Forçou um meio sorriso. — Mas ele não chega nem perto de você. Não hoje. Não, nunca.Ayla assentiu, mas havia algo diferente nela. Não era medo. Era raiva contida.— Ele falou como se ainda tivesse algum direito — disse, a voz firme demais para alguém que tinha acabado de vomitar minutos antes. — Como se eu ain
Último capítulo