Mundo de ficçãoIniciar sessãoLuara é uma mulher de beleza marcante e alma resiliente. Criada entre os morros do Turano e dos Prazeres, ela segue vivendo casada com Marlon. Um dos traficantes mais perigosos do Rio de Janeiro. Ela trabalha como dona de um salão de estética muito conhecido. Sua vida pessoal é cercada de críticas, inveja, fofocas e pessoas querendo tomar seu lugar. Após a saída do seu marido da prisão, muitas coisas na sua vida irão mudar. Novas descobertas, traições, recomeço e muitas emoções para vocês. Embarguem nessa história de amor e ódio, baseada na realidade das favelas do Rio de Janeiro.
Ler maisLuara
08 de setembro de 2025.
Até que enfim esse dia chegou. O dia em que o meu amor vai sair do presídio, depois de cinco anos trancado. Até que enfim a Lili cantou.
Estou tão ansiosa. Nem acredito que, depois de tantos anos indo visitá-lo naquele lugar horrível, agora vou poder viver com ele na nossa casa.
Eu e Marlon estamos juntos há oito anos. Comecei a me envolver com ele logo depois que minha avó morreu. Antes, eu morava no morro do Turano, e então resolvemos vir morar aqui nos Prazeres com minha avó materna. Naquela época, eu tinha quinze anos e ele estava completando vinte.
Ele é capricorniano, do dia 15 de janeiro. Eu sou taurina, do dia 23 de abril. Quando viemos morar aqui, foi numa das casas do pai dele, que naquela época ainda era vivo. Houve uma invasão, e não só o pai dele, mas também a mãe foram mortos pelos policiais. Foi um tempo terrível. Quase um mês de confronto.
Quando isso aconteceu, eu ainda não o conhecia pessoalmente. Só o via algumas vezes passando de moto ou no bar com os amigos, mas ele nem me notava. Vez ou outra, eu curtia o baile com minhas amigas. Vi ele no camarote com a ex e até com algumas piranhas.
Todos diziam que ele amava muito a ex. Eles ficaram cinco anos juntos. Eu me lembro bem dela andando arrogante pelas ruas do morro, se achando melhor que todo mundo. Ninguém gostava dela, mas por ser mulher dele, ninguém falava nada — porque se falasse, apanhava.
Ela era muito bonita, mas sua arrogância ofuscava. Eu nunca falei com ela, mas minha amiga Dadá, que faz parte da tropa de segurança do Marlon, conhecia ela desde criança. Me contou que ela era insuportável. Era humilde antes de ser fiel, mas depois que Marlon assumiu o morro, ela mudou.
Mudou tanto que acabou traindo Marlon por ganância. Conheceu um cara rico, e ele se apaixonou por ela. Era um dos comerciantes do Marlon e vivia frequentando os Prazeres para vê-la. Ninguém sabe como se envolveram, só se sabe que ela fugiu com ele — viram ela entrando no carro dele com uma mala, e os dois sumiram.
Quando Marlon descobriu, quis matar ela. Se revoltou e não quis saber de mais ninguém... até me conhecer.
A primeira vez que fiquei com ele, eu tinha dezoito anos. Minha avó, infelizmente, morreu de infarto um ano depois que nos mudamos para os Prazeres. Ela não tinha problema nenhum de saúde. Era saudável como uma rocha. Até que um dia foi dormir como de costume... e não acordou mais.
Naquela época, eu tinha apenas dezesseis anos. Morávamos só eu e ela. Depois disso, tive que me virar sozinha e sustentar a casa com o que eu podia. Corri atrás. Antes de casar com o Marlon, me sustentei até os vinte anos. Com dezesseis, fazia o segundo ano do ensino médio e trabalhava como menor aprendiz numa empresa chamada Tecnova Informática. Ganhava só meio salário. Vendo que a renda era pouca, comecei a me especializar em estética, buscando ter uma renda para incrementar meu salário. Se desse certo, eu largaria meu trabalho e viveria como autônoma.
Eu não tinha quem pudesse me ajudar então eu fiz meu corre com o que eu podia.
Eu não conheço meu pai. A única coisa que eu sei dele, é que ele era um homem casado quando ficou com a minha mãe. Ela era secretária dele e acabou se iludindo. Eles ficaram apenas uma vez e ela engravidou dele. achando que fosse golpe, ele mandou ela embora e ameaçou acabar com ela se ela fosse atrás dele.
Minha mãe mora em São Paulo, mas eu não quis ir morar com ela. Infelizmente, não temos vínculo afetivo. Ela arrumou um cara que não me aceita por eu ser filha de outro homem.
Culpa eu não tinha nenhuma, mas ele não queria que a filha deles dividisse atenção comigo. Pra dizer o certo, ele quis ter só a família dele — sem acréscimos. No caso, eu. Sempre que ele vinha com ela ver minha avó, o desprezo estava escrito nos olhos dele.
Eu não sei o porquê, mas nunca me importei.
Eu vivia muito bem com minha avó. Não precisava deles pra nada. Minha mãe, quando lembra que eu existo, me liga pra perguntar se tá tudo bem — ou quando precisa de dinheiro. Às vezes eu mando, mas tem vez que eu finjo que não vejo. Acho muita cara de pau ela ter me trocado por homem e ainda ter coragem de me pedir dinheiro.
Abri meu salão de estética, onde trabalho com design de sobrancelha, cílios, massagem e limpeza de pele. Graças a Deus, minha agenda vive cheia. Meu progresso cresceu com meu suor, sem depender de ninguém, e eu me orgulho disso.
Muitos dizem que conquistei tudo por causa do Marlon, mas não é verdade. Quem trabalha com estética sabe: não depende só de dinheiro. Tem que ter dom e talento — e isso, graças a Deus, eu tenho de sobra.
Comecei a ficar com o Marlon quando fui ao pagode com minhas amigas. Lá estava eu: linda, loira e gostosa, com meu vestido coladinho branco, sambando lindamente, quando ele me avistou. Trocamos olhares, mas eu não demonstrei interesse nenhum.
Marlon sempre foi lindo. Apesar da frieza de bandido, ele é muito atraente — impossível não notá-lo. Eu não esperava vê-lo ali, mas ele estava. Todo trajadão, estiloso, usando seus ouros e aquele olhar de molhar a calcinha.
Até então, eu não queria nada com ele. Sou dessas que corre de problema. Não fujo quando aparece, mas quando dá pra evitar, eu meto o pé. Apesar da minha vida não ser tranquila, eu preservo o que posso pra ter paz. Naquele tempo, eu ainda mais.
Ele me viu e não tirou os olhos de mim a noite toda. O pagode estava uma delícia, e eu me sentia uma rainha do samba — que eu adoro, por sinal. Onde tem pagodinho e bom samba, eu tô dentro. Gosto muito mais de samba do que de funk, pra falar a verdade. Ouço funk, mas o pagodinho sempre ganha meu coração...
Quando o pagode acabou, ele me chamou de canto. Eu não quis ir de início, mas como geral sabe: quando o chefão pede, ninguém diz não. Então fui encontrar com ele. Ficar de frente com o dono do morro mais cobiçado do RJ. Não se via foto dele em lugar nenhum, porque ele não gosta. Mas todas que o viram sempre comentavam o quanto ele era lindo e gostoso.
De frente com ele, eu quase passei mal. Aquela voz grossa, aquele olhar malicioso, azul, intencional. Meu corpo aqueceu na hora, e eu tive que me controlar. Naquele momento, esse safado roubou meu coração — e eu nunca mais consegui sair de perto dele.
Ele não tinha ninguém como fiel, mas tinha as putas que se consideravam. Quando souberam que ele me chamou, começaram a fazer da minha vida um inferno. Como ele era solteiro e eu também não tinha nada a perder, fiquei com ele naquela noite achando que seria só aquela vez... mas me enganei.
Ele se apegou ao meu jeito. Vivia mandando os seguranças me buscar em casa pra ir até ele fazer "massagem". Essa era a desculpa pra me ver toda vez.
No início, eu tentava agir como profissional. Ia pronta pra fazer massagem. Levava meus cremes certinho e fazia massagem ou limpeza de pele nele. Mas como ele é safado, descarado, sempre dava um jeito de roubar nem que fosse um beijo meu.
Nosso sexo, desde a primeira vez, foi envolvente — encaixe perfeito. Eu consigo sempre dar o prazer que ele quer, e vice-versa. Foi por causa dessa conexão que me apaixonei por ele.
Mesmo apaixonada, demorei dois anos pra aceitar ser fiel dele. Como não é segredo pra ninguém como vive a fiel de dono do morro, eu sabia e não queria viver nada disso. Ele dizia que eu era dele, mas eu não aceitava. Várias vezes ele tentava me obrigar a ir ficar com ele, e eu negava. Nunca deixei ele acreditar que mandava em mim de verdade.
Eu não nasci pra ser aprisionada, muito menos pra viver sendo corna de ninguém. Enquanto estávamos naquele rolo de ser ou não ser fiel, ele ainda ficava com umas vadias. E eu não podia ficar com ninguém — se tentasse, ele mandava bater ou até matar. Eu odiava isso, mas já sabia que poderia acontecer quando cedi e fiquei com ele pela primeira vez.
Vivemos num conflito de amor e ódio por dois anos, até que resolvi aceitar e me tornei a fiel. Uma das maiores loucuras que já fiz. Não imaginava viver essa vida. Deixei minha casa e vim morar com ele, bem aqui no alto dos Prazeres.
Já faz seis anos dessa decisão, que me traz alegria e tristeza na mesma intensidade. Alegria porque, quando estou com ele, sinto que vivo um amor intenso e avassalador. Ele sabe me completar como ninguém. Sem os problemas, nós dois somos o par perfeito. Mas, infelizmente, a tristeza existe. Tristeza por ele estar preso e eu poder vê-lo.
Tristeza misturada com raiva dessas putas que vivem atrás dele. Mesmo preso, os boatos de que ele me trai com elas continuam surgindo só pra me atormentar.
Ele sempre diz que não, que não tá comendo ninguém, mas às vezes b**e uma insegurança dentro de mim. Ser fiel não é fácil. Além de viver na opressão de ser alvo dos inimigos dele e da polícia, ainda tem essas ratas invejosas. Eu consigo lidar com elas, mas com uma traição... isso eu não aguentaria.
Eu não sei. Amo ele demais, mas também me amo muito pra aceitar qualquer coisa. Eu garanto: mulher melhor que eu ele nunca vai encontrar. Mesmo com ele preso, eu sou fiel. Nunca dou espaço pra ninguém flertar. Tenho postura, e ele sabe disso. Mesmo que ele não esteja aqui, eu tô com ele. Não importa o que dizem. Enquanto eu não tiver prova, eu continuo sendo a fiel.
Como eu tô empolgada pra vê-lo, me produzi toda hoje. Acordei às cinco da manhã, enrolei as pontas do meu cabelo, passei meu creme e meu perfume roxo da Eudora. Vesti meu macaquinho curto, vermelho, de amarração no pescoço e costas nuas. Calcei minha sandália plataforma marrom.
Agora tô aqui, toda linda e cheirosa, esperando ele sair. Nem passei maquiagem, porque eu sei que vou chorar quando ver ele saindo por esses portões. Tô tão ansiosa que meu coração b**e forte e sinto um calafrio toda vez que escuto um barulho no portão.
Na frente tem vários policiais, e alguns me encaram com olhares sugestivos, descaradamente. Mas eu não olho pra nenhum deles. Tudo que eu mais quero é ver meu amor saindo por ali.
Tô do lado de fora da minha CR-V vermelha, minha cor favorita. Ganhei ela dele no meu aniversário, ano passado. Era meu sonho, e ele realizou. Hoje ele volta nela comigo pra casa...
Dada — Ai mona, relaxa! Desse jeito você vai ter um troço antes dele sair. Se controla caralho! _ Ela diz fazendo carão e eu faço o mesmo, mostrando a língua.
c Me deixa, piranha! Caralho! Eu tô ansiosa pra ver ele saindo desse caralho! _ Digo querendo roer minhas unhas em gel.
Dada — Eu sei, mano! Mas o que vai adiantar tu fica assim, mano? Ele só vai poder sair quando os bota quiser. Não adianta fica de neurose desse jeito, pô! Tu tá me deixando bolada desse jeito! _ Rolo meus olhos, ciente que ela é tão impaciente e estressada como eu.
— Mas e se eles não quiserem deixar ele sair? Eu tô com medo, amiga, caralho! _ Mordo minha boca, sentindo meu coração batendo forte.
Dada — Gata! Fica em paz, mano! Ele vai sair, pô! O juiz já deu o aval. Não tem motivos pra eles deixa ele ai mais não. O bagulho já tá consumado. Fica em paz... _ Estalo meus dedos, olhando pra esse maldido portão de ferro fechado, parecendo que tem um king kong preso dentro. Pra que tudo isso gente?
Dada — Alá, eles estão abrindo! Te falei que teu boy sai hoje, piranha! _ Ela b**e a mão no meu ombro e meu coração para por um segundo e começa a b**er ainda mais forte.
Pelo portão sai, ninguém mais que ele. Usando uma camisa branca, calça azul escura e chinelo. Meu coração quase sai pela boca, e eu vou correndo na direção dele. Com meus cabelos longos balançando nas minhas e meu sorriso e olhar emocionados. Finalmente ele saiu...
Ele sorri torto, com seu olhar azul intenso olhando diretamente para mim. Minha alegria é tanta que eu não consigo conter minhas lágrimas antes de chegar perto dele, quase me desmontando de euforia. Eu me jogo em seus braços sem me importar com nada e nem ninguém ao lado. Sei que muitos me julgam por ser mulher e bandido, mas eu quero que eles se fodam. Eu amo meu marido.
Ele riu me abraçando e me tira do chão, enfiando a sua cabeça na dobra do meu pescoço e na sequência beija meu rosto.
Marlon — Coé minha lora gostosa! Veio toda cheirosa assim pra mim? Que delícia..._ Ele diz no meu ouvido, comigo pendurada e fungando baixo no seu pescoço, chorando de emoção. — Não precisa ficar assim não, pô! Teu bandidão saiu. Até que enfim a lili cantou! Agora eu tô livre pra ficar contigo... _ Sinto seu hálito no meu rosto que me faz suspirar, tranquilizando.
— Eu nem acredito, meu amor! Eu juro... Eu estava tão nervosa. Fiquei com medo de você não sair e quase tive uma crise de nervoso... _ Digo com a voz embargada, sentindo minhas lágrimas correndo no canto do rosto
Marlon — Relaxa, fi! O pai tá na pista de novo. Agora ninguém me segura. Do livre pra tu, gostosa! Bora mete logo o pé daqui? Quero sumir o mais rápido possível desse inferno... _ Concordo, sorrindo radiante. Inclino minha cabeça para trás, enquanto limpo meu rosto banhado em lágrimas, e ele aproveita pra beijar minha boca.
Seu beijo não é tão emocionante, mas é o suficiente para acalmar meu corpo eufórico, vibrante e emocionado. Assim que ele finaliza com selinhos, ele entrelaça nossas mãos e seguimos para o meu carro, onde Dada, Tirulipa, Vascaíno e o Mineiro estão nos esperando.
Tirulipa — Até que enfim, paizão! Lili cantou! _ Diz com animação e estende sua mão para pegar na dele.
Marlon — Pra cima cria! É nois! Tô na pista de novo! _ Ainda segurando a minha mão, ele abraça ele com um gesto camarada e na sequência faz o mesmo com o Vascaíno...
Vascaíno — O brabo tá na pista. Aí sim! Só fé paizão!
Dadá — Lili cantou lindão, paizão! Tua mulher aí tava quase parindo aqui, te esperando. Mais um pouco eu ia ter que levar ela para o hospital! _ Diz debochada e Marlon sorri para mim, com olhar cafajeste.
Marlon — Dramática como sempre! Segredo nenhum! _ Ele pega na mão dela e eu rolo meus olhos, me sentindo um pouco tímida. — Bora mete o pé rapaziada. Fica nessa porra já deu. Quero sentir a liberdade do meu lar de novo. Subindo alto... _ Ele gesticula a subida com a mão, sorrindo com sarcasmo antes de cumprimentar o Mineiro...
Mineiro — A comunidade já tá em festa paizão. Geral esperando o retorno do rei. Né segredo!
Marlon — Só fé cria! Bora mete o pé então! _ Todos nós assentimos e entramos nos carros.
Marlon como esperado vai dirigindo meu carro e eu vou no passageiro e Dadá vai atrás. Os outros vão no outro carro. Um corolla prata. Seguimos para os prazeres, ouvindo funk que ele gosta.
Seguimos conversando e eu olhando a todo momento pra ele, sorrindo tranquilo depois de cinco anos preso naquele lugar. Apesar do sofrimento de está preso, a beleza desse homem continua intacta. É irônico, mas parece que ele está ainda mais lindo. Seu rosto está bem mais maduro do que nos anos atrás.
Marlon — Conseguiu pedir pro Dendê me esperar lá em casa, pra dá um talento no meu cabelo e na barba?
— Já tá tudo no esquema meu amor. Só esperando você voltar. Já deixei suas coisas prontas do jeito que você gosta. Fiz aquele arroz maluco que tu gosta. Deixei os ingredientes preparados, só pra montar quando tu chegar e comer com churrasco, lá em casa...
Marlon — Puta que pariu, mano! É por isso que eu me casei com você, sua gostosa! Mulher ligeira, sabe tudo que pai gosta! _ Diz com excitação e pega meu cabelo pela nuca, me puxa pra beijar sua boca com uma pegada possessiva que me faz sorrir beijando sua boca com um selinho apertado.
— Gostoso! Eu te amo! _ Sorrio com os olhos, ele me dá um último selinho, antes de voltar sua atenção para a rua...
Pelo retrovisor, vejo a Dada nos olhando com um olhar entediado. Ela não gosta de melosidade. No nosso meio eu sou a única que me dedico assim com todos. Sou intensa, gosto de demonstrar o que sinto, já eles são mais frios.
Marlon mesmo, só está me tratando dessa forma mais carinhosa, porque a Dada faz parte da nossa família. Ela é um dos seguranças dele, desde de antes dele ser preso.
O irmão dela, Jonas, era amigo dele desde criança, mas morreu na mesma invasão que prenderam ele. A maioria da nossa patotinha são amigos desde a infância, eu sou a única que chegou depois.
Como eu disse, eu sou bem intensa e verdadeira. Não uso falsidade para agradar ninguém. Quando eu gosto, eu gosto mesmo. Brinco, me simpático, tiro onda, mas quando eu não gosto ou pego ranço, sai de baixo. Só de ouvir a voz da pessoa, eu já fico irritada.
Quando estou nervosa, eu também não sou flor que se cheire. Xingo todo mundo e não tô nem aí. Quem me conhece sabe que eu sou calma como uma ovelha, demoro para tirar do sério, mas quando tira também meu amigo, sou uma onça.
Eu gosto de ser delicada, pois sou muito vaidosa. Não daquelas que se emperiquitam demais, porém gosto de marcar presença. Sou uma vibe de patricinha maloca, tá ligado?!
Quem me vê acha que sou patricinha, mas quando pega simpatia reconhece que eu sou bem cria. Gosto de falar besteira e se precisar mando pra casa do caralho. Não sou de meter o esculacho em ninguém, no entanto, se precisar eu desço do salto e sambo na cara de quem for.
Se eu pudesse descrever minha vida, eu diria que eu sou intensamente louca e feliz. Não sou de esperar o amanhã. Faço o que eu tenho que fazer hoje e amanhã só Deus sabe. Infelizmente eu não sou perfeita, mas faço de tudo para viver bem. Principalmente pensando em mim, que sou meu maior foco. Tudo que eh faço é porque eu quero e gosto, não tem caô.
Muitos me descrevem como louca, mas eu não tiro a razão deles, pois são apenas os loucos que sabem viver a vida. Já dizia o eterno chorão. Só os loucos sabem! E eu sou tudo isso. Amo viver minha vida intensamente louca...
Tati Raquel — Ela era só marmita do Tato e pagava de fiel e queria crescer peito pra cima de mim. Toma no cú dela. Veio cheia das razão e eu fui pra cima nos esculacho mermo, tá ligado? Raquel — Não passa de puta e quer ficar de gracinha. Odeio gente folgada que se acha sem nem ser. Ela gosta de intimidar quem abaixa a cabeça pra ela. Age na covardia porque é cuzona. Não aguenta porra nenhuma… — Hum… _ Arqueio minhas sobrancelhas e nem digo nada. Não sou de briga, mas se essa louca vier de gracinha, eu não vou me intimidar por ninguém. Não gostei muito de saber que o Tato colocou alguém pra vigiar ela. Mesmo que ela seja louca assim, dá uma sensação estranha. Será que ele tá fazendo isso por proteção ou tá me escondendo alguma coisa? Depois eu vou tirar essa história a limpo com ele. Não sei se ele sente alguma coisa por ela e tá preservando só pra “brincar” comigo por um tempo e depois volta pra ela. Vai saber? Depois de tudo que eu passei, sendo enganada pelo meu ex,
TatiRaquel — Esquenta não, gata. Só botar a raba pra jogo que a magia acontece. Vem que eu te acompanho… _ Sorrio, me preparando pra ir com ela… Flávio — Vai pra onde? _ Diz apertando minha cintura, me prendendo no lugar. — Vou dançar com ela… Flávio — Não fica longe. Fica aqui perto mermo… _ Faço careta cínica e ele me encara sério. Raquel — Fica em paz, chefe. Ela tá comigo aqui mermo. Nois não vai fugir não… _ Ele faz cara feia e eu fico em dúvida. — Vai ficar bravo comigo? _ Pergunto franzindo o cenho. Ele aperta os lábios e nega… Flavio — Só tu não rende atenção pra vagabundo nenhum que tá tega. Ninguém ainda te conhece, então fica ligada. Qualquer coisa tu fala me chama. Não dá bobeira… _ Ele diz em tom de alerta e eu concordo sorrindo. — Tá bom… _ Pego na mão da Raquel, dando as costas para ele, porém ele segura meu braço e me puxa me dando um selinho apertado. De início eu fico surpresa, mas não o fasto. Ele transforma o selinho em um beijo rápido e
Tati Flavio — Coloca. Depois eu encomendo umas joias pra tu… — Não, Flávio. Não precisa. Eu to bem assim… _ Nego com o dedo e mesmo assim, ele coloca a corrente grossa no meu pescoço. Flávio — Deixa de caô, fi. Tu é minha mulher e tem que andar trajada que nem eu. Flavio — Tu tá todo simples e eu trajadão como eu tô, o que vão pensar de nois? Vão dizer que eu não te dou nenhuma assistência, pô… — Ah, então quer dizer eu não estou a altura de ser sua mulher? Eu não uso ouro, não tenho silicone, não sou bombada e nem sou tão vaidosa como as outras aqui… _ Fino ironismo e ele me olha feio Flavio — Para de caô, pô. Que mané altura de ser a minha mulher. É tu que eu quero desse mermo jeito, caralho. Mas eu quero te deixar forte pra tu não se sentir desse jeito aí, tá ligado? Flavio — Do meu lado, eu quero que tu se sinta em casa e a vontade. Pegou a visão? Flavio — Do meu lado cê é a patroa da porra toda, a mulher que eu quero do meu lado fechando comigo. Tu não pode se senti
Cleyton Com os punhos e dentes cerrados, olho para a vista do alto, vendo o Rio de Janeiro com vários fogos. Sinto o ódio queimando dentro de mim por não estar voltando com ela aqui comigo. Com certeza ela deve tá achando que eu vou desistir, mas eu não vou. Infelizmente eu não pude ir atras dela por causa do idiota do meu primo. Aquele bandido filho da puta, armou aquele esquema e chamou atenção de quem não devia. Agora eu tenho que ir embora esconder as fraudes, minha e do meu pai. Todas as coisas ilegais que a gente mexe, vamos ter que esconder antes que a federal faça uma busca e apreensão. Não foi isso que eu planejei. Eu vim aqui apenas para buscar minha mulher, agora estou indo embora sem ela, sem meu filho e levando dor de cabeça. O pior de tudo é saber que ela tá se envolvendo com outro bandido, filho da puta. Ela teve essa ousadia, mas isso não vai ficar assim. Depois que eu consegui resolver toda essa merda, eu volto. Eu ainda tenho duas peças úteis no meu tabul
Tati — É devagar que a gente alcança, não acha? Pra todo bom esforço, sempre há uma boa recompensa no final… Eu te garanto… _ Digo convencida, olhando profundamente nos seus olhos que brilham para mim… Flavio — Desse jeito tu vai me deixar maluco, papo reto… _ Ele diz se afastando, tirando o boné da cabeça e passa a mão no cabelo, antes de colocá-lo novamente… — O que eu posso te garantir é isso meu amor. Me faz acreditar que eu faço valer a pena… Raquel — Ai, papai… Essa é das minhas. Se joga pra cima dele mermo, mana… Pega pesado… _ Ela diz em tom sarcástico e eu olho para ela dando uma piscadinha. Flávio — Pode ir parando com esse papinho aí, pô… Não vem desvirtuar minha mulher não caralho. Fica na tua maluca… _ Diz marrento olhando para ela que dá risada. Ele volta a me olha, enfiando uma mão no bolso. Suspira. Ergue o queixo como quem espera uma reação. — E então? Vai ficar só me olhando? _ Aperto meus olhos, audaciosa e ele inclina a cabeça levemente de lado, nega
Tati Ele é um bandidão que é impossível não apreciar. Seus músculos se movimentam enquanto ele caminha. Seus olhos me encaram como um águia. Avermelhados. Ele também já está chapado. Flavio — Qual foi moreninha? Não vai beber nada? _ Pergunta me abraçando como um armário gigante e eu me sinto uma passarinha nos seus braços. — Não. Por enquanto eu tô bem assim… Flavio — Feliz ano novo gatona! Que seja um ano maneiro pra nois… _ Diz beijando o topo da minha cabeça… — Feliz ano novo pra você também, gato! Muita saúde, muita paz e alegria…_ Digo abraçando ele que me envolve mais em seus braços. Flávio — Pra tu também mineirinha gostosa… _ Ele me tira do chão me dando um selinho na boca. Flávio — Que seja um bom ano pra nois, gatona… _ Sorrio sentindo meu coração disparado, com um pouco de vergonha por ele me tratar assim na frente dos outros. Flávio — Falando nisso, o ano mal começou e eu tenho uma noticia boa pra tu. _ Pico meus olhos, encarando os seus sorrindo. — O qu
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