Capítulo 05

Capítulo 05

Helena Baldin

Entrei no banheiro e quase caí para trás. Cada detalhe ali parecia um exagero luxuoso, mas elegante: a louça dourada refletia a luz de forma quase hipnotizante, como se cada objeto fosse feito de ouro maciço. Um arrepio percorreu meu corpo, estranho e fascinante ao mesmo tempo.

Liguei a banheira e deixei que a água enchesse o espaço, o aroma dos sais de banho se espalhando pelo ar. Havia sabonetes de todas as formas, óleos, essências… tudo tão diferente de tudo o que já conheci. Por um instante, permiti-me relaxar, um luxo que não experimentava há anos. Meu corpo foi ficando leve, quase leve demais, como se o peso de todo o medo que carregava estivesse sendo drenado para a água morna.

Mas uma sombra de estranheza me percorreu: ali estava eu, completamente vulnerável, sob o teto de um desconhecido, e ainda assim me sentia mais segura do que em casa, o lugar que deveria ser meu refúgio há muito tempo deixou de ser.

Terminei o banho, me sequei com a toalha preta que combinava com todo o ambiente, coloquei o roupão macio, também preto, escovei meus cabelos e os sequei com o secador, perfeitamente à disposição. Sentia-me quase estranhamente mimada, um luxo que jamais permiti a mim mesma.

Quando me dirigia de volta ao quarto, a porta se abriu, e lá estava Samara, com algumas sacolas de roupas cuidadosamente dobradas.

—Senhora Helena, aqui estão as roupas que o Senhor Dante mandou. Se não servir, me avisa.

—Obrigada, Samara — respondi, com a voz ainda meio trêmula.

—Ele pediu que a senhora fosse almoçar assim que estiver pronta.

Apenas acenei com a cabeça. Mas meu coração disparou. A simples menção de encontrá-lo frente a frente me causava um nó inexplicável no estômago, uma mistura de ansiedade, medo e algo que eu não sabia nomear.

Escolhi uma roupa simples, mas elegante, que parecia feita para mim. Meu reflexo no espelho me devolvia a imagem de alguém que poderia ser confiante de novo, mas que por dentro estava cheia de incertezas e nervosismo. Respirei fundo e segui até a sala de jantar.

A mesa estava posta para dois. Cada detalhe era calculado: talheres perfeitamente alinhados, copos reluzentes e a luz suave refletindo no dourado de alguns objetos da mesa. Ele já estava lá, imóvel, olhando para mim quando entrei. Meu coração pulou uma batida, e senti um calor subir pela espinha.

—Sente-se, Helena. — A voz dele era baixa, firme, e carregava uma intensidade que me deixou sem fôlego.

Obedeci, sentando-me diante dele. Cada movimento dele parecia medido, como se observasse cada gesto meu com atenção. A sensação era quase sufocante: ele não falava muito, mas seus olhos escuros e penetrantes acompanhavam cada detalhe, como se tentasse decifrar algo que eu mesma desconhecia.

Tentei me concentrar na comida, mas minhas mãos tremiam levemente, e o apetite desaparecia sob o peso da tensão. A cada vez que ele olhava diretamente para mim, sentia um frio na barriga, e meu coração parecia tentar fugir do peito.

—Você está comendo pouco — disse ele, quase um comentário casual, mas com um tom que me fez erguer os olhos, encontrando os dele. Havia algo em sua presença que fazia tudo parecer mais intenso, mais urgente, mais perigoso e… excitante.

—É… que estou nervosa — admiti, sentindo a vulnerabilidade escapar sem querer.

Ele arqueou uma sobrancelha, quase imperceptível, e permaneceu em silêncio. O silêncio entre nós era denso, carregado de tensão. Cada gesto dele parecia amplificado: a forma como pegava a taça, como tocava levemente os talheres, o leve franzir da testa. Tudo me deixava hipnotizada.

O almoço seguiu nesse clima, cada garfada um desafio, cada olhar um teste silencioso. Eu queria falar, quebrar aquela barreira de silêncio, mas tinha medo do que poderia surgir dele. E ao mesmo tempo, a curiosidade me queimava, precisava entender aquele homem e, de alguma forma, seu mundo sombrio parecia me chamar.

Quando terminei, Dante levantou-se, aproximando-se da janela que deixava entrar a luz do sol filtrada pelas cortinas pesadas. Virou-se lentamente, apoiando as mãos no vidro, olhando para o horizonte, mas eu sabia que seu olhar estava tão presente quanto antes.

—Tem muito mais que você ainda precisa ver — disse ele, a voz baixa, carregada de algo que parecia uma promessa e um aviso ao mesmo tempo.

Meu coração acelerou. A intensidade da presença dele preenchia a sala, deixando meu corpo tenso, minha mente alerta, e meu peito… estranhamente acelerado.

E então, naquele momento, senti que algo estava prestes a mudar. Que ele, Dante, estava prestes a se revelar mais do que apenas um homem misterioso e perigoso. Que suas intenções, seu passado e seu poder começariam a se entrelaçar com a minha vida de forma definitiva.

E eu, apesar de cada medo, não consegui me afastar daquilo.

Ele se virou completamente para mim, e seus olhos escuros encontraram os meus, fixos, intensos, como se soubesse que eu não conseguiria desviar o olhar.

E então começou a falar...

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