Capítulo 36
Helena Baldin
O galpão abandonado cheirava a ferrugem, pólvora velha e podridão humana.
Era o cenário perfeito para um fim.
Ou para um renascimento.
Eu entrei primeiro.
Meus passos ecoaram no chão de cimento rachado, marcando cada batida do meu coração. Atrás de mim, Dante acompanhava de perto, o olhar afiado, postura preparada. Ele era a muralha ao meu redor.
Mas não era o escudo.
Não hoje.
Porque hoje eu não precisava de proteção.
Eu precisava de testemunhas.
Eduardo estava no centro do galpão, algemado, mas de pé. Dois dos homens de Gabriel o mantinham sob controle. Ele levantou o rosto quando me ouviu entrar. E sorriu.
O mesmo sorriso que me destruiu anos atrás.
Mas agora…
agora era diferente.
— Helena… — ele disse, como se meu nome fosse um sabor. — A mulher que eu fiz. A mulher que eu moldei. A mulher que sempre foi minha obra-prima, a esposa perfeita e casta.
Meu estômago virou, mas não desviei os olhos.
— Eu não sou sua obra — respondi, firme. — Eu sou o seu erro,