Capítulo 37
Helena Baldin
O cheiro de pólvora ainda ardia no ar quando o disparo ecoou pela última vez.
Um som seco.
Final.
Irreversível.
Eduardo cambaleou para trás com os olhos arregalados, as pupilas dilatadas como se estivessem tentando capturar a realidade que, pela primeira vez, ele não conseguia controlar.
A boca dele se abriu.
Uma bolha de sangue surgiu no canto dos lábios.
Depois outra.
E outra.
O vermelho escorreu pelo queixo, quente, espesso, quase negro sob a luz fraca do galpão. Ele ergueu a mão algemada, como se quisesse me tocar ou me atingir pela última vez, eu não sabia dizer.
Talvez nem ele soubesse.
— Você… — ele tentou falar, mas a palavra morreu na garganta junto com ele.
Eu não recuei.
Não tremi.
Não fechei os olhos.
Eu encarei.
Vi o fim acontecer bem na minha frente.
Vi o homem que me quebrou… quebrar.
E só então percebi que eu estava respirando rápido demais, fundo demais, como se meus pulmões estivessem tentando recuperar todos os anos que passei sufocada.
Edu