Capítulo 40
Um Ano Depois
Helena Baldin
Parece pouco quando se fala, mas quando se vive… é uma eternidade inteira.
E, pela primeira vez na minha vida, uma eternidade boa.
A casa Guimarães, nossa casa, parecia respirar de um jeito diferente. Quando cheguei aqui, eu estranhava o silêncio, o espaço, os corredores longos. Agora, tudo era preenchido pela risada de Léo, pelo barulho dos cachorros correndo atrás dele, pelas conversas rápidas que Dante e eu tínhamos entre um compromisso e outro.
Eu nunca imaginei voltar a ter rotina.
Muito menos uma feliz.
Mas ali estava eu, com a xícara de café quente entre as mãos, olhando pela varanda para o quintal enquanto meu filho corria com Thor e Nina, os dobermans gigantes que tinham virado seus guarda-costas pessoais. Léo gritava, ria, caía, levantava. A luz do fim de tarde desenhava ouro no cabelo dele.
Ele estava tão diferente de quando chegou.
Mais leve.
Mais solto.
Mais criança.
Um ano de amor faz milagres que mesmo toda a dor do mundo não con