Capítulo 39
Dante Guimarães
Gabriel e Vittorio chegaram cedo, cada um carregando uma pasta preta, expressão de missão cumprida e cansaço guardado atrás dos olhos. O tipo de olhar que só homens que enfrentam monstros conseguem carregar.
Eu sabia o que significava.
Hoje, o filho de Helena, deixaria de existir apenas na dor, no silêncio e nas memórias roubadas.
Hoje, ele seria dela, seria nosso.
De verdade.
No papel, no mundo.
Entrei na sala de estar e encontrei Helena sentada no tapete com Léo, o menino desenhando um dinossauro torto enquanto ela narrava a história com aquela voz baixa que acalmava até meu inferno interno.
Ela levantou os olhos para mim.
Aquele sorriso pequeno, cansado e vitorioso ao mesmo tempo.
— Eles chegaram? — ela perguntou.
— Chegaram. — estendi a mão para ela levantar.
Léo segurou meus dedos antes que eu pudesse me mover.
Automático.
Instintivo.
Como se sempre tivesse feito isso.
Quase fez.
Levei os dois comigo. Nada mais de segredos. Nada mais de portas fechadas