Capítulo 38
Helena Baldin
A Casa Torricelli estava silenciosa demais.
Não o silêncio de calmaria.
Mas o tipo de silêncio que vem antes de uma revelação que pode mudar a vida de alguém para sempre.
Cada passo meu ecoava no mármore como se gritasse que eu não estava pronta, mesmo sabendo que não existia preparação possível para o que viria.
Meu filho.
Meu menino.
Cinco anos perdido de mim.
Cinco anos vivendo um nome que não era dele.
Cinco anos ouvindo uma mulher que nunca o quis de verdade, chamá-lo de “arrependimento”. E agora eu sei que nem foi por amor, malditos.
Eu precisava ser forte por ele.
Mais forte do que fui em qualquer dia da minha vida, até mesmo nesses últimos dias.
As portas duplas da sala se abriram quando uma das empregadas me viu se aproximar. Ela fez uma pequena reverência — um gesto quase automático desde que Dante assumiu a casa — e então sorriu com um carinho tímido.
— Ele está esperando, senhora.
Meu coração se apertou.
Eu respirei fundo.
E entrei.
Ele estava sen