Mundo de ficçãoIniciar sessãoHelena Vasconcellos é uma advogada talentosa que vê sua vida desmoronar após uma traição pessoal e uma demissão injusta. Sem alternativas, ela aceita um cargo temporário na Imperium Capital, uma empresa dominada pelo enigmático e implacável CEO Arthur Delacroix — o mesmo homem que, anos atrás, esteve envolvido na ruína da empresa de seu pai. O reencontro entre os dois é explosivo. Helena entra em um mundo corporativo onde lealdade é moeda rara e decisões são tomadas com sangue frio. Mas o que começa como um embate entre orgulho e ressentimento logo se transforma em uma atração perigosa e irresistível. Arthur, acostumado a controlar tudo e todos, se vê desarmado pela coragem e inteligência de Helena. E ela, por sua vez, precisa decidir se pode confiar no homem que representa tudo o que ela jurou combater. Quando um escândalo ameaça destruir a reputação de Arthur e colocar Helena no centro de uma guerra jurídica, ambos terão que enfrentar seus fantasmas — e descobrir se o amor pode sobreviver ao peso do passado e ao jogo cruel do poder.
Ler maisClara acordou antes do sol. A mala já estava pronta, encostada na parede do quarto. Não era grande. Não precisava ser. Ela não levava tudo só o essencial: cadernos, uma blusa vermelha, um livro de Helena, um bilhete de Arthur, e a certeza de que partir não era abandono. Era escolha. A cidade ainda dormia. O Instituto seguia em silêncio, como se respeitasse sua decisão. As mulheres que ela escutou, acolheu e levantou agora caminhavam com as próprias pernas. E Clara… Clara queria descobrir até onde as suas podiam ir. --- Não havia dor. Havia desejo. Desejo de ver o mundo com outros olhos. De se apaixonar por outras causas. De se perder em outras ruas. De se encontrar em outros espelhos. Ela não partia por falta. Partia por excesso. Excesso de vontade. De vida. De amor por si mesma. --- Na mesa da cozinha, um bilhete de Helena: “Vai. Mas não esquece que você é raiz, mesmo quando vira vento.” E outro de Arthur: “O mundo precisa da sua escuta. Mas você também precisa se
A casa estava silenciosa naquela manhã de setembro. Clara preparava café com calma, enquanto Helena regava as plantas do quintal e Arthur lia um livro encostado na varanda. Não havia urgência. Não havia pressa. Só presença. Ali, entre os gestos cotidianos, morava o amor. --- Clara havia crescido. Não só em idade, mas em consciência. O Instituto florescia, as mulheres se reuniam, os projetos ganhavam força. Mas o que mais a sustentava era saber que, por trás de tudo, havia raízes firmes: seus pais. Helena, depois de anos sendo solo para os outros, havia finalmente se permitido florescer. Criou um grupo de mulheres maduras, escreveu textos que tocavam, dançou sem medo, vestiu vermelho. Descobriu que ainda havia tempo e que o tempo agora era dela. Arthur, sempre discreto, continuava sendo o silêncio que escuta, o gesto que sustenta, o olhar que acolhe. Nunca precisou de palco. Seu amor era feito de espera, de chá na porta, de mãos que seguram sem apertar. --- Naquela tarde,
ClaraHoje acordei com vontade de escrever sobre eles. Meus pais. Helena e Arthur. Não como mãe e pai. Mas como pessoas. Como história. Como amor que me formou.Porque às vezes, a gente cresce tanto tentando ser diferente que esquece de olhar pra quem nos ensinou a ser.---Minha mãe é força. Mas não aquela força dura, que empurra. É força que sustenta. Que levanta. Que cala quando precisa. Que fala quando ninguém mais tem coragem.Ela me ensinou a pensar. A questionar. A não aceitar o mínimo. E também me ensinou que ser mulher não é carregar tudo é escolher o que vale a pena carregar.---Meu pai é silêncio. Mas não ausência. É silêncio que escuta. Que observa. Que segura sem apertar. Que espera sem cobrar.Ele me ensinou a respirar. A confiar. A entender que presença não precisa de palavras. E que amar também é saber quando não dizer nada.---Eles são diferentes. E talvez por isso funcionem. Minha mãe é vento. Meu pai é terra. E eu? Eu sou mistura.---Hoje, no Instituto, uma mulh
ArthurHelena sempre foi movimento. Mesmo quando estava parada, ela vibrava. Tinha aquele jeito de pensar rápido, de falar com firmeza, de entrar num ambiente e mudar a temperatura sem levantar a voz.Eu me apaixonei por isso. Pela força. Pela clareza. Pela forma como ela parecia saber quem era mesmo quando duvidava.---Nos conhecemos num evento sobre educação. Ela falava sobre mulheres e política pública. Eu falava sobre juventude e território. Ela me interrompeu com uma pergunta que desmontou meu argumento. E eu soube: ali estava alguém que não aceitava menos do que verdade.Depois daquele dia, tudo foi rápido. Mas nunca raso.---Helena não era de gestos românticos. Era de presença. De cuidado. De olhar atento. E eu aprendi a amar assim sem espetáculo, mas com profundidade.Quando Clara nasceu, Helena virou outra. Mãe, sim. Mas também guerreira. Ela não dormia, não parava, não reclamava. Só fazia. E eu? Eu tentava acompanhar.---Teve um tempo em que a gente se desencontrou. Não
Último capítulo