Mundo ficciónIniciar sesiónLeon Whitmore, um poderoso CEO de 41 anos, vive preso a uma cadeira de rodas e a uma mente adormecida após um grave acidente. Frio, distante e sem esperança, ele acreditava que jamais voltaria a sentir algo. Tudo muda quando Ísis, uma jovem de 21 anos, se torna sua cuidadora. Com sua doçura, determinação e uma presença impossível de ignorar, ela desperta aos poucos o homem que parecia perdido para sempre. Conforme a névoa em sua mente desaparece, nasce entre eles uma paixão intensa, proibida e capaz de mudar suas vidas. Anos depois, Leon acredita ter encontrado a felicidade ao lado da mulher que ama e dos filhos que construíram sua família. Mas quando um inimigo do passado decide destruí-lo, mentiras, manipulações e falsas provas colocam seu casamento à beira do abismo. Para proteger Leon e seus filhos de uma ameaça mortal, Ísis toma a decisão mais dolorosa de sua vida: deixá-lo partir e permitir que ele acredite na pior das traições. Agora, separados pela dor, pelo ódio e por segredos que jamais deveriam existir, Leon e Ísis travam uma batalha entre o amor e a desconfiança. Mas algumas paixões sobrevivem até mesmo à destruição. E quando a verdade finalmente vier à tona, eles descobrirão que certos corações nunca deixam de pertencer um ao outro.
Leer másCapítulo 1
Ísis pagou a corrida e desceu do táxi. Apertou a alça da bolsa com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Por um instante, ficou imóvel na calçada, apenas olhando. A casa era maior do que nas fotos. O jardim parecia saído de um catálogo, era tudo tão perfeito que dava a impressão de ser falso. Antes que reunisse coragem para tocar o interfone, um funcionário saiu da guarita ao lado. — Senhorita Ísis? Ela confirmou com a cabeça. O portão foi aberto, Ísis murmurou um agradecimento, respirou fundo e andou pelo caminho de pedras, passou pelo chafariz até a frente da casa. Quando seus olhos encontraram a enorme parede de vidro da sala de estar, ela parou. E lá estava ele. Sentado em uma poltrona reclinável virada para o jardim. Leon parecia fazer parte da própria casa: imóvel e num silêncio que parecia eterno. Os cabelos loiros, um pouco longos, caíam sobre a testa. O rosto de traços firmes conservava uma beleza incrível e parecia intocada pelo tempo. Mesmo à distância, aqueles olhos verdes permaneciam fixos além das árvores, presos a um horizonte que só ele conseguia ver. Algo dentro dela se agitou. Uma sensação incômoda e familiar. Ísis reconheceu a solidão estampada naquela quietude. Era como olhar para um espelho que não queria ver. Ela engoliu seco, subiu os poucos degraus da entrada e, antes que pudesse tocar a campainha, alguém abriu a porta. Uma senhora a recebeu com um sorriso gentil: — Senhorita Ísis? Seja bem-vinda. Sou Grace, a governanta da casa. O senhor Caio está esperando pela senhorita. O interior era impecavelmente limpo, arrumado e silencioso. Um silêncio que parecia denso. A governanta fechou a porta e indicou o caminho com a mão: — Por aqui, por favor. Na sala de estar, Caio foi ao seu encontro e apertou sua mão em um cumprimento rápido. Olhou para ele de forma rápida: tinha olheiras profundas, a barba por fazer e um cansaço que parecia ter se instalado nos ossos. Era um homem bonito. Mas a preocupação parecia que o consumia devagar. — Obrigado por ter vindo — disse, num tom baixo e rouco. — Espero poder ser útil de alguma forma, senhor Whitmore. Caio deu um meio sorriso que mal tocou os olhos. — Já tivemos neurologistas, fisioterapeutas, psicólogos renomados... gente que cobra uma fortuna por hora. Todos fizeram o que sabiam. Nenhum chegou perto. — Ele olhou na direção da janela de vidro antes de continuar: — Quero que você simplesmente fique. Converse com ele. Leia. Coloque música. Leve-o para o jardim. Trate-o como se ele ainda estivesse vivo dentro daquele corpo. Porque eu acredito que esteja. Ísis sustentou o olhar dele por alguns segundos. — E por que eu? — perguntou baixinho. — O que te faz pensar que eu seria diferente? Caio demorou a responder. Passou a mão pela nuca antes de falar. — Porque aconteceu uma coisa que pode parecer insignificante para qualquer outra pessoa. Ísis esperou ele continuar, em silêncio. — Quando você entrou naquela porta... tive a impressão de que ele tentou acompanhar você com os olhos. Ela franziu a testa. — A impressão? — Sim. Não posso afirmar que foi isso. Talvez qualquer médico dissesse que foi apenas um movimento involuntário. — Ele soltou um suspiro cansado. — Mas conheço meu irmão a vida inteira. Há dois anos observo cada respiração, cada piscar, cada mínimo movimento, esperando encontrar um sinal de que ele ainda está ali. E... pela primeira vez em muito tempo, senti que havia alguma intenção naquele olhar. Caio sustentou o olhar dela: — Posso estar enganado. Posso estar me agarrando a uma esperança que não existe. Mas, quando vi você ali, pensei que não podia deixar essa oportunidade passar. Caminhou pela sala envidraçada e parou a dois metros da poltrona. De perto, Leon era ainda mais bonito. Ela puxou uma cadeira e sentou diante dele. Durante um longo minuto, não disse nada. Apenas observou o subir e descer de seu peito. Então respirou fundo. — Meu nome é Ísis. A voz saiu baixa e calma: — Disseram que eu devia conversar com você... mas estou um pouco perdida. Nunca fiz isso antes. Ela sorriu, sem graça. — Não sou médica. Nem terapeuta. Talvez seja a pessoa menos preparada para isso. Seus olhos voltaram para ele. — Por isso vou te fazer uma promessa, Leon. Enquanto eu estiver aqui, nunca vou falar de você no passado. Nunca. Por um instante, o sol refletiu nos olhos dele... e Ísis jurou ter visto um leve brilho. Caio se aproximou mantendo um tom baixo: — Lembre-se de uma coisa... ele pode não responder, mas isso não significa que não esteja ouvindo. Os médicos nunca conseguiram provar. Às vezes achamos que houve, outras vezes não. Então... eu prefiro agir como se ele pudesse escutar cada palavra. Ísis assentiu devagar. Havia compaixão em seus olhos, mas também uma serenidade difícil de explicar. — Então é assim que vou tratá-lo. Como alguém que continua aqui, mesmo sem conseguir mostrar. Caio a encarou por um instante. — É exatamente isso que eu queria ouvir. Ela voltou o olhar para Leon. O homem sentado na poltrona parecia uma obra de arte esquecida pelo tempo. Os cabelos loiros estavam levemente desalinhados, e os olhos verdes permaneciam perdidos em um ponto invisível. Quase sem perceber, ela perguntou: — Ele sorria muito? Caio deixou escapar um sorriso nostálgico. — Demais. Era daqueles que riam alto e faziam todo mundo rir junto. Teimoso, implicante... vivia provocando quem amava. O sorriso desapareceu aos poucos. — Às vezes ainda espero que ele faça alguma piada quando entro por aquela porta. Ísis baixou os olhos por um instante. — Deve ser muito difícil. Caio respirou fundo. — É como perder alguém... sem nunca poder se despedir. Silêncio. Caio lançou um olhar ao relógio de pulso e soltou um suspiro. — Preciso ir. O trabalho não espera. Olhou para Ísis. — Se acontecer qualquer coisa, me ligue, não importa o horário. A enfermeira cuida dele o dia todo com alguns momentos de folga, com você aqui, ela terá mais tempo para descansar. Ísis confirmou com um leve aceno. — Pode ficar tranquilo. Vou cuidar dele. Caio sorriu, grato. Sem dizer mais nada, caminhou até o irmão. Ajoelhou ao lado da poltrona e apoiou a mão em seu ombro. — Tenho que ir, Leon. Esperou um instante, como se realmente aguardasse uma resposta. — A Ísis vai fazer companhia para você. Então... tenta facilitar a vida dela, está bem? Silêncio. Leon continuou imóvel, com os olhos perdidos além da janela. Caio já conhecia aquele silêncio. Convivia com ele há dois anos. Mesmo assim, nunca deixou de falar com o irmão. Porque desistir das palavras seria o mesmo que desistir dele. Levantou devagar e olhou para Ísis. — Obrigado por estar aqui. Ela sorriu de forma serena. — Espero poder ajudar ao máximo. Caio sustentou o olhar dela por um breve instante, como quem depositava sua última esperança nas mãos de uma desconhecida. Então fez um gesto de despedida e saiu. Ísis e Leon ficaram completamente sozinhos. Ele puxou uma cadeira para perto da poltrona e sentou com calma, cruzando as pernas. — Bom... então somos só nós dois agora. Ela apoiou o braço no encosto da cadeira e sorriu de leve. — Acho que vou acabar falando por nós dois. Seu olhar deslizou até a mão dele, imóvel sobre o apoio da poltrona. Por um instante, pensou em tocá-la, mas recuou. — Sabe, Leon... eu não vim aqui para te consertar. Nem sei se alguém consegue. Mas... eu posso ficar. Posso conversar com você, mesmo que ninguém tenha certeza de que está ouvindo. Fez uma pequena pausa. — E, se estiver... não precisa ter pressa. Eu sempre estarei por perto. Ela permaneceu alguns segundos observando o rosto dele. Havia algo naquela quietude que a impedia de desviar o olhar. Do lado de fora, uma brisa fez as cortinas balançarem, espalhando a luz da manhã pela sala. Seu olhar caiu sobre a mão imóvel sobre o apoio da poltrona. Ergueu a própria mão em direção a dele. Ela ficou suspensa no ar por um instante, a poucos centímetros da dele, antes que a razão falasse mais alto e a fizesse recuar.Capítulo 161 O jato particular da família Whitmore pousou em um pequeno aeroporto próximo à aldeia. Ísis desceu as escadas da aeronave com Leon segurando sua mão. Julian e Hanna caminhavam logo atrás, curiosos e um pouco tímidos. Liam e Emma dormiam nos braços de Sofia e Rose. Ísis respirou fundo. O ar quente do deserto trouxe memórias que não eram mais fragmentos. Ela sorriu. — Aqui... eu nasci de novo. Leon apertou sua mão. — Vamos agradecer quem cuidou de você. *** A aldeia recebeu o pequeno grupo com surpresa e alegria. As pessoas começaram a se aproximar. A curandeira foi uma das primeiras. A idosa caminhou devagar até Ísis, seus olhos brilhavam de emoção. Ísis a abraçou com carinho. A curandeira acariciou seus cabelos, como fazia quando ela era apenas uma mulher sem nome. Falou algo em árabe. Ísis compreendeu cada palavra. — Você voltou... minha filha. As lágrimas desceram pelos rostos das duas. Amina apareceu correndo. Parou a alguns metros deles e arregalou os o
Capítulo 160 Assim que amanheceu, Julian abriu os olhos devagar. Ainda estava um pouco sonolento e esfregou os olhos. Virou para o lado e congelou. A mãe estava na frente dele, dormindo. A mão dela permanecia entrelaçada à do pai por cima dele e de Hanna. Julian arregalou os olhos. - Mamãe... — sua voz saiu num sussurro. Ísis abriu lentamente os olhos, demorou alguns segundos para entender onde estava. Então encontrou o rostinho do filho bem diante do seu e sorriu. - Bom dia... Julian não disse nada, se atirou sobre ela. Que o abraçou com força. - Meu menino... — disse entre as lágrimas. O movimento acordou Hanna, que olhou para o pai e depois se virou e viu a mãe. - Mamãe? Ísis abriu um dos braços, olhando para sua filha com carinho. - Vem cá, meu amor. Hanna também se jogou nos braços dela. Leon observava em silêncio o reencontro deles. Seu coração parecia pequeno demais para tanta felicidade. Hanna levantou o rostinho. - Você voltou? Ísis acariciou seus cabelos. -
Capítulo 159 - Arthur, apenas dirija. Sem pressa - Leon disse ao motorista. - Sim, senhor. Em seguida, acionou o botão que fechava completamente o vidro de privacidade entre eles. Ísis piscou algumas vezes e depois olhou para Leon. - Não me olhe assim, amor. Está tudo bem - O sorriso dele era tranquilo. Ele passou um braço por sua cintura, puxando para mais perto e a acomodou sentada em seu colo. Ela arregalou os olhos e colocou as mãos sobre os ombros dele para manter o equilíbrio. - O que está fazendo? - perguntou, um pouco preocupada. Ele sorriu com ternura. - Aproveitando o fato de que minha esposa finalmente voltou para mim. - Eu ainda não consigo lembrar direito... - Eu sei. Os olhos dele passearam delicadamente pelo rosto dela. Com muito cuidado, afastou uma mecha de cabelo que caía sobre sua testa. - Só vou fazer aquilo que você permitir. Ela relaxou os ombros. Passou as mãos pelo peito dele sentindo o coração ainda acelerado. - Continua acelerado. - Culpa sua
Capítulo 158 Enquanto isso, na cozinha da Mansão Whitmore. — Molly! Uma das cozinheiras se ajoelhou ao lado dela. — Tragam água! Arthur ligou novamente e alguém atendeu. — O que aconteceu? Ela está bem? — Senhor Arthur? — Sim! — Ela desmaiou. — Chamem um médico imediatamente! — Já chamamos. — Me Avise quando ela acordar. Momentos após o susto, Molly abriu lentamente os olhos. Piscou algumas vezes olhando para o teto. Ela sentou tão depressa que assustou todos ao redor. — O telefone! A cozinheira entregou o aparelho e ela ligou para o marido. — Molly! Ela nem o deixou terminar de falar. — Você mentiu para mim? — Não. — Jura por Deus? Arthur enxugou discretamente uma lágrima. — Pela minha vida. Ela está viva. Molly colocou a mão na boca. E começou a chorar alto, um choro que parecia vir de dentro da alma. — Meu Deus... Meu Deus... Ela está viva... Arthur respirou fundo. — Ela está sentada à mesa com o patrão neste momento num restaurante. Molly fechou os olho





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