Helena
Acordei com o som da chuva fina batendo na janela. O céu estava cinza, mas não triste. Era um cinza que abraçava. Que pedia pausa. Que dizia: respira.
E eu respirei.
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Clara saiu cedo, como sempre. Deixou um bilhete com um desenho de um relógio e a frase:
“O tempo é seu. Use como quiser.”
Sorri. Porque ela tá aprendendo a me ver como mulher, não só como mãe. E eu... tô aprendendo a me ver como tempo. Não só como função.
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Fiz café devagar. Sentei na varanda. Olhei o quintal molhad