Mundo ficciónIniciar sesiónArthur Monteiro construiu um império bilionário com a mesma precisão com que ergueu seus muros emocionais. CEO de uma das maiores empresas do país e pai solo, ele acredita que controle é a única forma de manter tudo — e todos — no lugar. Inclusive seu coração. Helena Duarte só precisa de uma chance. Marcada por perdas e responsabilidades precoces, ela aceita o emprego de babá na luxuosa cobertura do CEO sabendo que aquele não é um mundo feito para ela. Existe apenas uma regra: profissionalismo absoluto. Sentimentos não fazem parte do contrato. Mas quando Helena conquista a confiança de Sofia e começa a preencher os silêncios da casa — e de Arthur —, linhas perigosas começam a se desfazer. Olhares se prolongam. Toques se tornam inevitáveis. E o que deveria ser apenas convivência vira tentação. Divididos entre o dever e o desejo, eles precisam enfrentar mais do que a diferença social: o passado que os assombra, a pressão da imagem pública e a certeza de que aquele romance pode custar tudo. Porque alguns contratos têm prazo de validade e outros… são assinados pelo coração.
Leer másHelena Duarte apertou a alça da bolsa contra o ombro enquanto o elevador subia em silêncio absoluto.
Reconstruir não começou com grandes gestos, começou com manhãs simples.Helena acordou cedo no primeiro dia e ficou alguns minutos parada na cozinha, observando a luz entrar pela janela. Não preparou o café imediatamente. Apenas respirou, como se estivesse reaprendendo o espaço — não como alguém que pertence, mas como alguém que escolhe estar.Arthur surgiu pouco depois, ainda sonolento.— Dormiu bem? — perguntou.— Dormi. — respondeu, tranquila — Diferente.— Também senti isso. — ele disse, sorrindo.Nada foi dito além do necessário, nenhuma promessa antecipada, nenhuma tentativa de definir o que ainda estava em construção. Sofia acordou animada.— Você vai me levar hoje? — perguntou a Helena, segurando a mochila.Helena olhou para Arthur, pedindo permissão silenciosa.— Se você quiser. — ele respondeu.— Eu quero. — Sofia disse, decidida.No carro, o caminho até a escola pareceu novo, mesmo sendo o mesmo de sempre. Sofia falava sobre a professora, sobre um desenho que faria mais tar
Helena entrou na casa sem avisar. Não como antes — quando o gesto era natural, cotidiano —, mas também não como visita. Havia algo diferente na maneira como ela atravessou a porta: sem expectativa, sem obrigação, sem o peso de um papel invisível dizendo quem ela era ali.Arthur percebeu na hora.— Você veio! — constatou, com um largo sorriso.— Vim! — afirmou — Mas não como antes.Ele assentiu, respeitando o espaço que ela criava com cuidado.— Sofia está no quarto, fazendo lição. — disse, e ela sorriu de leve.— Eu sei.Sofia apareceu segundos depois, como se sentisse a presença antes de vê-la. Correu até Helena e a abraçou com força, sem pedir permissão.— Você voltou! — disse, aliviada.Helena se abaixou para ficar na altura dela.— Eu não fui embora de você. — respondeu, sorridente — Só precisei aprender outro jeito de ficar.Sofia pareceu aceitar aquilo como verdade suficiente.Mais tarde, quando a menina já dormia, Helena e Arthur ficaram na sala, sentados em sofás opostos. O si
A verdade não chegou de uma vez, ela veio em partes, como peças que finalmente se encaixavam depois de muito tempo espalhadas. Arthur percebeu isso ao ouvir Sofia falando com naturalidade demais sobre sentimentos que ele nunca soubera nomear quando criança.— Às vezes eu fico com raiva. — ela disse, sentada no tapete da sala, desenhando — Mas não é de você.— E é de quem? — ele perguntou, sentando-se ao lado da filha.Sofia pensou um pouco.— Do silêncio.A palavra ficou suspensa entre eles. Arthur sentiu o peso exato daquela resposta, não havia como fugir dela, nem suavizá-la.— O silêncio machuca. — ele disse, carinhoso — Eu demorei para entender isso.Sofia olhou para ele, curiosa.— A Helena entende. — respondeu, simples — Ela escuta até quando eu não falo.Arthur fechou os olhos por um instante. A verdade doía, mas não era injusta.Mais tarde, sozinho, Arthur encarou o próprio reflexo no espelho do banheiro. Não procurava defeitos físicos, nem sinais de cansaço. Procurava coerênc
A busca não começou com passos apressados, começou com silêncio.Arthur acordou naquela manhã com a sensação de que algo precisava ser feito — não como impulso, mas como continuidade. Correr riscos tinha aberto uma porta, mas agora era preciso atravessá-la com intenção. Não bastava sentir, não bastava apenas admitir, buscar era agir com constância. Ele levou Sofia à escola naquele dia, algo que antes delegava quando a agenda apertava. No caminho, ela segurava a mochila com força, observando a rua pela janela.— A Helena vem me buscar com você hoje? — perguntou, casualmente.— Ainda não. — respondeu, com um leve sorriso — Mas ela sabe que você pensa nela.— Então tá bom. — a garota assentiu, satisfeita.Depois de deixá-la, Arthur não foi direto ao escritório. Dirigiu sem destino por alguns minutos, organizando os pensamentos, até estacionar perto de um parque pequeno, quase vazio naquela hora. Sentou-se em um banco, observando pessoas passarem sem notar o que ele carregava por dentro.
Arthur percebeu que quebrar o orgulho não era o fim, era o começo de algo ainda mais assustador. Correr riscos significava agir sem garantia, sem saber se o outro estaria disposto a atravessar junto. Para alguém que sempre calculou perdas antes de qualquer movimento, aquilo parecia andar sem chão.Naquela noite, sentou-se ao lado de Sofia enquanto ela fazia a lição, o desenho emoldurado ainda estava ali, silencioso, observando.— Papai... — chamou, sem tirar os olhos do caderno — Você vai parar de ter medo?Arthur sorriu de lado.— Não. — respondeu,com um sorriso de canto — Mas vou parar de deixar o medo mandar.Ela pensou por um instante.— A Helena também tem medo, mas ela fica.Arthur sentiu o peso daquela constatação simples.— Eu sei. — respondeu, sincero — E eu estou aprendendo a ficar também.No dia seguinte, ele tomou decisões que não envolviam planilhas. reorganizou a agenda, delegou o que sempre centralizara, cancelou uma viagem que antes consideraria inadiável. Não para imp
Arthur sempre acreditara que o orgulho era uma forma de proteção. Não aquele orgulho barulhento, arrogante, mas o silencioso — o que se disfarça de autocontrole, de racionalidade, de “eu dou conta sozinho”. Durante anos, ele o carregara como um escudo, convencido de que manter as rédeas firmes impediria novas perdas.Naquela manhã, porém, o escudo pesava. O desenho de Sofia permanecia visível na estante do escritório, impossível de ignorar. Arthur o observou por alguns segundos antes de sair de casa, como quem se despede de uma promessa. Não era cobrança. Era lembrança.No caminho para o trabalho, desligou o rádio. Precisava do silêncio para ouvir algo que evitara por tempo demais. A si mesmo. O primeiro passo foi o mais difícil, ele parou o carro em frente ao prédio onde Helena trabalhava agora. Ficou ali alguns minutos, as mãos apoiadas no volante, o peito apertado por uma sensação que ele raramente permitia: vulnerabilidade.Ele poderia ir embora, dizer que não era o momento certo,
Último capítulo