Mundo ficciónIniciar sesiónArthur Monteiro construiu um império bilionário com a mesma precisão com que ergueu seus muros emocionais. CEO de uma das maiores empresas do país e pai solo, ele acredita que controle é a única forma de manter tudo — e todos — no lugar. Inclusive seu coração. Helena Duarte só precisa de uma chance. Marcada por perdas e responsabilidades precoces, ela aceita o emprego de babá na luxuosa cobertura do CEO sabendo que aquele não é um mundo feito para ela. Existe apenas uma regra: profissionalismo absoluto. Sentimentos não fazem parte do contrato. Mas quando Helena conquista a confiança de Sofia e começa a preencher os silêncios da casa — e de Arthur —, linhas perigosas começam a se desfazer. Olhares se prolongam. Toques se tornam inevitáveis. E o que deveria ser apenas convivência vira tentação. Divididos entre o dever e o desejo, eles precisam enfrentar mais do que a diferença social: o passado que os assombra, a pressão da imagem pública e a certeza de que aquele romance pode custar tudo. Porque alguns contratos têm prazo de validade e outros… são assinados pelo coração.
Leer másHelena Duarte apertou a alça da bolsa contra o ombro enquanto o elevador subia em silêncio absoluto.
POR ARTHUR.Eu reconheceria Isabella em qualquer lugar, não importa quantos anos passem, não importa a distância construída entre nós. Há algo nos Monteiro que não se disfarça — postura, silêncio, o modo como observamos antes de agir.Quando a vi do outro lado da rua, parada com aquela elegância calculada, não senti surpresa, senti confirmação. Ela tinha voltado, não oficialmente, não com anúncio, mas voltou.Sofia foi a primeira a notar, claro que foi, minha filha tem uma percepção que me inquieta às vezes. Ela diminuiu o passo, como se o corpo tivesse entendido antes da mente que algo diferente estava ali. Segui o olhar dela e lá estava Isabella, imóvel, atenta. Não parecia casual, Isabella nunca é casual, por um segundo — apenas um — voltamos a ser crianças.Eu no alto da escada da antiga mansão e ela no jardim, braços cruzados, avaliando cada movimento meu como se estivéssemos numa competição silenciosa. Sempre fomos assim, unidos, rivais, cúmplices, adversários, tudo ao mesmo tem
O sinal da escola tocou como sempre — alto, vibrante, libertador. Crianças correram pelos corredores com mochilas balançando nas costas, risadas soltas no ar e planos urgentes sobre o que fariam à tarde. Sofia vinha no meio do fluxo, o laço do cabelo já um pouco torto, os olhos brilhando como quem carrega um segredo grande demais para caber no peito. Ela havia contado. Para as amigas, para a professora, para o menino da carteira ao lado.— Eu vou ser irmã mais velha! — repetira, com orgulho solene.Era oficialmente público, o mundo agora sabia. Ao atravessar o portão da escola, Sofia procurou com o olhar o carro do pai. Arthur sempre estacionava no mesmo ponto, estrategicamente próximo à saída, mas nunca exatamente na frente. Discreto, atento.Ela o avistou primeiro — encostado ao carro, postura firme, óculos escuros refletindo o movimento ao redor. Mesmo de longe, ela sabia quando ele estava mais alerta, era algo na forma como os ombros ficavam tensionados mas naquele dia havia mais.
POV ISABELLA.Eu não voltei por impulso, nunca faço nada por impulso. Aprendi cedo demais que, na família Monteiro, decisões precipitadas custam caro. Emoções mal administradas viram manchetes e divergências privadas se transformam em rachaduras públicas. Ainda assim, quando atravessei o portão da antiga mansão naquela tarde, não foi estratégia o que guiou meus passos. Foi inquietação.A notícia da gravidez chegou até mim como chegam todas as coisas importantes nessa família: primeiro como rumor, depois como confirmação sussurrada nos corredores certos.“Um herdeiro a caminho.”Eu deveria ter sabido por ele, mas Arthur nunca foi bom em dividir vulnerabilidades, só em administrá-las. Passei anos mantendo distância, algumas escolhas foram minhas, outras, consequência de conflitos que nenhum de nós soube resolver sem ferir o outro.Arthur sempre foi o mais obstinado. Eu, a mais orgulhosa. Uma combinação perigosa.Quando estacionei diante da escadaria da mansão, senti o tempo dobrar. Ali,
O fim do primeiro trimestre chegou como um suspiro longo depois de semanas de contenção.Helena acordou naquela manhã com uma sensação diferente, não era apenas física — embora os enjoos tivessem diminuído e o cansaço já não fosse tão avassalador — era emocional. Havia ultrapassado a fase mais delicada, os exames estavam estáveis. O médico sorrira na última consulta com aquela segurança tranquila que só a experiência permite.— Agora podemos respirar com mais leveza. — ele dissera.E Helena levou aquelas palavras para casa como quem carrega um amuleto, Sofia foi a primeira a perceber que algo havia mudado.— Então agora eu posso contar? — perguntou, os olhos brilhando de expectativa contida há semanas.Helena riu, sentando-se ao lado dela na cama.— Pode.A resposta foi seguida de um grito abafado de euforia. Sofia pulou, abraçou a mãe com cuidado — cuidado aprendido — e saiu correndo pelo corredor anunciando para a casa inteira:— Eu vou ser irmã oficialmente!Arthur apareceu na port
A antiga mansão Monteiro carregava um tipo de silêncio diferente, não era abandono, era memória.Os corredores longos ainda guardavam o eco de passos apressados, reuniões tensas, risadas ocasionais que tentavam aliviar o peso das decisões tomadas ali dentro. A casa permanecia impecável — não por ostentação, mas por respeito à história que carregava.Naquela tarde, o portão principal se abriu sem aviso prévio. O carro escuro atravessou a alameda de pedras com lentidão calculada, como se quem estivesse ao volante quisesse absorver cada detalhe antes de parar diante da escadaria.Isabella Monteiro desceu primeiro. Elegante, postura ereta, olhar firme — traços inconfundíveis da família. O cabelo preso em um coque baixo revelava um rosto bonito, mas endurecido pela distância de anos. Ela não vinha àquela casa desde antes das últimas grandes mudanças.O vento levantou levemente a barra de seu casaco enquanto ela subia os degraus. A porta se abriu antes que tocasse a campainha.Cecília.— Se
As conversas com Elisa não foram fáceis, nenhuma delas. Houve pausas longas, silêncios que pesavam mais do que as palavras, olhares que carregavam anos de coisas não resolvidas mas, em meio à tensão, também houve algo novo: honestidade sem defesa.Eu precisava ouvir, ela precisava falar e, principalmente, eu precisava decidir.Aceitar a convivência dela com Sofia não era um gesto pequeno, não era apenas permitir visitas, era abrir uma parte delicada da vida de Laura — a mais delicada de todas, Sofia.Confesso que fiquei apreensiva, por dias, por noites. A mente criava cenários que o coração tentava acalmar e, grávida, tudo parecia ainda mais intenso. As emoções estavam à flor da pele, a responsabilidade dobrada. Eu já não pensava apenas como filha, mas como mãe — duas vezes.Arthur respeitou meu tempo.— A decisão é sua. — ele disse — Eu apoio, mas você precisa estar em paz com isso.E era exatamente isso que eu buscava: paz. Não vingança, não era reparação perfeita, era paz.Elisa nã





Último capítulo