Mundo ficciónIniciar sesión"A bondade foi a sua ruína. Mas, um contrato pode ser a sua salvação". Grace Reed viu sua vida perfeita desmoronar: uma traição dupla devastadora e sua reputação profissional arruinada. Sem nada a perder, ela se entrega a uma paixão de uma noite. A surpresa vem ao amanhecer: Grace descobre que o homem que lhe proporcionou a noite mais intensa de sua vida é ninguém menos que Dominic Thorne, o novo e impiedoso Diretor do Hospital em que trabalha e o homem que decidirá o futuro dela. Dominic, porém, não quer demiti-la. Ele tem uma proposta. Um acordo mútuo capaz de salvar a carreira dela e garantir os interesses dele. Tudo o que Grace precisa fazer é dizer "sim" ao homem mais perigoso que já conheceu. Será que Grace conseguirá manter o relacionamento apenas no papel, ou a química daquela noite proibida se transformará em um amor real capaz de curar todas as feridas?
Leer másGRACE REED
O cheiro de hospital nunca me incomodou. Para a maioria das pessoas, era o cheiro da doença, da dor, do final inevitável. Para mim, era o perfume da conquista. Eu tinha lutado com unhas e dentes, estudando enquanto outros dormiam, trabalhando em dois empregos para pagar a faculdade de medicina, tudo para estar exatamente onde estava agora. Eu estava me preparando para emendar mais um turno quando Brenda, uma colega residente, começou a gritar por mim. — Estou aqui! — Grace? — Ela me encontrou entre os armários e juntou as mãos como pedido. — Sei que você vai dobrar, mas queria te pedir um favor imenso. — Diga, Brenda. — Eu tenho um compromisso inadiável amanhã de manhã, com a escola do meu filho. Você poderia trocar comigo? Você pega meu turno amanhã e eu fico com o seu de hoje. — Tudo bem — disse eu, com um sorriso cansado. — Eu cubro você amanhã. — Sério? — Os olhos dela se arregalaram. — Sim. Vou aproveitar e fazer uma surpresa para o Derek. — Você é um anjo, Grace! Um anjo! Enquanto ela saía correndo, eu me permiti sorrir. Uma troca de turno. Isso significava que eu estava livre agora. A fadiga desapareceu de imediato. Peguei minha bolsa e saí para o ar fresco da tarde. Em vez de ir para casa dormir, dirigi direto para o mercado gourmet do centro. Eu queria mimá-los. Estávamos todos muito ocupados ultimamente. Eu, com as cirurgias de emergência, Derek, com os contratos da agência, e Jéssica, minha melhor amiga que se mudara para o nosso quarto de hóspedes há seis meses após perder o emprego. Quase não nos víamos, apesar de dividirmos o mesmo teto. Comprei bifes. Peguei duas garrafas de um Cabernet Sauvignon envelhecido que Derek adorava e uma torta de limão que era a favorita de Jéssica. — Vai ser uma noite perfeita — murmurei para mim mesma enquanto o caixa passava os itens. O valor total foi alto, mas não me importei. O dinheiro servia para isso, não é? Dirigi até nosso prédio com o rádio ligado, cantando baixinho. Subi animada, pronta para gritar "Surpresa!", mas as palavras morreram na minha garganta antes de nascerem ao ouvir os ruídos abafados e rítmicos. Franzi a testa e deixei as sacolas no chão da entrada, sem fazer barulho. Encontrei roupas e sapatos no caminho do corredor. Meu estômago deu um nó frio e apertado. — Isso... mais forte, Derek, meu Deus... Cheguei na porta da sala de estar, que estava entreaberta. Eu olhei. E o que vi queimou minhas retinas para sempre. Derek estava por cima dela. As costas dele, que eu conhecia tão bem, cada sarda, cada músculo, se contraíam com o esforço. Jéssica estava embaixo dele, as pernas envolvendo a cintura do meu namorado, a cabeça jogada para trás, os cabelos loiros espalhados pelo estofado. Eles estavam em um frenesi. Havia uma conexão perversa na forma como as mãos dele seguravam os quadris dela, na forma como ela arranhava as costas dele, que me dizia que aquela não era a primeira vez. Nem a segunda. Como médica, eu estava acostumada a reagir rápido. Mas ver o homem que eu amava penetrando minha melhor amiga foi um golpe que me deixou zonza. Abri a porta em automático e o movimento no sofá parou instantaneamente. Derek virou a cabeça, os olhos arregalados, o rosto vermelho de esforço e prazer transformando-se em choque. Jéssica empurrou o peito dele e se cobriu com uma almofada, soltando um grito agudo e ridículo. — Grace? — A voz de Derek saiu rouca. — O que você está fazendo aqui? Você não tinha plantão? A audácia da pergunta me tirou o ar. — O que eu estou fazendo aqui? — Olhei para as sacolas na entrada. — Eu vim fazer uma surpresa. Um jantar. Jéssica começou a chorar. — Grace, amiga, por favor, não é o que você está pensando... — ela balbuciou, tentando puxar o vestido para cobrir os seios. — Não é o que eu estou pensando? — Eu ri. Devo parecer muito burra pra ela, né? — Vocês estão nus no meu sofá. O pau do meu namorado ainda está... — Apontei, sentindo a bile subir na garganta. — Não insulte a minha inteligência, Jéssica. Eu pago o teto sobre a sua cabeça! Derek finalmente se levantou, vestindo a calça às pressas. Mas em vez de cair de joelhos e pedir perdão, a expressão dele endureceu. — Sabe de uma coisa, Grace? Talvez se você estivesse em casa mais vezes, isso não tivesse acontecido — disparou ele. — O quê? — Recuei um passo, surpresa com o ataque repentino. — Você é fria — continuou ele, ganhando confiança na própria canalhice. — Você vive naquele hospital. Você chega em casa cheirando a morte, cansada demais para me tocar. A Jéssica... ela está sempre aqui. Ela me escuta. Ela me admira. Ela é uma mulher de verdade. — Eu trabalhava para sustentar nós três! — gritei, as lágrimas finalmente transbordando, quentes e dolorosas. — Eu pago a comida que você e essa vadia comem! — E você nunca nos deixa esquecer disso, não é? — Ele zombou. — A grande e bondosa Dra. Reed. Mas adivinha? Não preciso da sua caridade. Olhei para Jéssica, esperando que pelo menos ela dissesse que ele estava louco já que quem a sustentava era eu. Mas ela apenas desviou o olhar, murmurando: — Ele se sentia sozinho, Grace. A gente se apaixonou. Aconteceu. Eu olhei para os dois. Duas pessoas que eu amava tanto. E de repente, pareciam estranhos. — Saiam daqui — sussurrei. — O apartamento está no meu nome também, Grace — Derek disse, com um sorriso cruel. — Na verdade, acho que você deveria sair. Você está histérica. Não dá para conversar com você assim. — Quer saber... Eu estou cansada demais pra discutir. — Saí do apartamento deixando a porta aberta. Cheguei à calçada, o ar frio bateu no meu rosto molhado. Eu não sabia para onde ir. Foi quando meu celular tocou no bolso. Limpei o rosto com as costas da mão, tremendo. Olhei para a tela. "Hospital Geral NY - Administração". Atendi, tentando firmar a voz. — Dra. Reed falando. — Dra. Grace Reed? Aqui é Richard, do departamento jurídico e de ética do hospital. Franzi a testa. Jurídico? — Sim, Richard. Aconteceu alguma coisa? — Dra. Reed, estou ligando para informar que você está suspensa de todas as suas funções médicas, com efeito imediato. Não apareça para o seu próximo turno. — O quê? Do que você está falando?VICTORIA THORNE— Eu amo você, Liam! A declaração saiu da minha boca como uma explosão. Foi a primeira vez que eu disse isso em voz alta. A primeira vez que aquelas palavras tomaram forma no mundo real. Eu amo você. O silêncio desabou sobre nós. O corpo de Liam enrijeceu de uma forma assustadora. A minha declaração o atingiu em cheio. Eu vi a parede de gelo tremer. Eu vi o maxilar dele travar, e eu vi os olhos azuis dele se encherem de lágrimas não derramadas. Por um segundo, um milésimo de segundo milagroso, eu achei que ele iria quebrar. Eu achei que ele iria me puxar para os braços dele, enterrar o rosto no meu pescoço e dizer que a verdade não importava, contanto que estivéssemos juntos. Mas o orgulho de Liam Mercer era muito maior do que a sua paixão. O senso de inadequação, o abismo intransponível entre as nossas realidades financeiras e a dor da traição falaram mais alto. A parede de gelo não caiu. Ela se reconstruiu, ainda mais espessa, ainda mais fria e completamente inde
VICTORIA THORNELiam Mercer cruzou as portas do anfiteatro. Ele usava a mesma jaqueta de couro surrada, a mochila pendurada em um ombro, olhando para o chão. Ele parecia ter envelhecido dez anos em três dias. O rosto dele estava pálido, a mandíbula tensa e rígida, e a postura sempre orgulhosa dele parecia carregar o peso do mundo inteiro. Ele levantou a cabeça e os nossos olhos se encontraram. Por um milésimo de segundo, eu vi o Liam que me beijou na escuridão da biblioteca. Eu vi a paixão, a saudade e o desespero brilharem naqueles olhos azuis profundos. Eu dei um passo para frente, o meu coração dando um salto de esperança no peito. Eu abri a boca para chamar o nome dele. Mas a luz nos olhos dele se apagou antes mesmo que eu pudesse falar. A transformação foi assustadora. O calor desapareceu. A mágoa engoliu a saudade. E o que sobrou foi um muro de gelo espesso, intransponível e cortante. A expressão dele se tornou uma máscara de indiferença tão cruel que eu senti como se ele ti
VICTORIA THORNE Setenta e duas horas. Quatro mil trezentos e vinte minutos. Trezentos mil e duzentos segundos. Eu contei cada um deles. O lockdown da família Thorne não era uma medida de precaução comum. Quando o meu pai, Dominic Thorne, acionava o protocolo de pânico vermelho, o mundo lá fora simplesmente deixava de existir para nós. As portas da nossa cobertura se trancaram com travas de aço magnético. O sistema de comunicação da casa foi criptografado. Homens armados e vestidos de preto patrulhavam os corredores do nosso andar dia e noite, silenciosos como fantasmas, mas letais como feras. A ameaça, segundo o Senhor Smith me informou de maneira monossilábica, era um antigo rival corporativo do meu avô que havia contratado mercenários para tentar sequestrar um membro direto da linhagem da Thorne Industries, a fim de chantagear o meu pai. Uma tentativa patética e desesperada que o meu pai estava esmagando com a força de um trator. Mas, durante aqueles três dias agonizantes, eu n
VICTORIA THORNE Eu não chamei o táxi de volta. O pátio do campus ficava a algumas quadras dali, e eu precisava do ar frio do outono para clarear a minha mente. Enquanto caminhava, eu repassava o meu discurso mentalmente. Eu começaria pedindo desculpas. Explicaria o peso das ameaças que a minha família sofreu no passado, explicaria a superproteção do meu pai, e imploraria para que ele enxergasse além dos bilhões e visse a garota que amava dividir pizza fria com ele.Cheguei à praça principal que dava acesso aos grandes portões de ferro batido da universidade. Faltavam apenas três minutos para as quatro horas. A praça estava relativamente vazia, com alguns estudantes sentados nos bancos lendo, e o vento soprava forte, fazendo o meu casaco balançar.Eu olhei para o fundo da calçada arborizada e o vi.Liam estava caminhando na minha direção. Ele usava a velha jaqueta preta de couro que eu tanto amava, as mãos nos bolsos, a mochila pendurada em um ombro e aquele sorriso torto e irresistív





Último capítulo