A rotina, Arthur descobriu, era uma entidade frágil. Ela parecia sólida enquanto tudo permanecia sob controle, mas bastava um pequeno deslocamento para que começasse a revelar rachaduras e naquela semana, as rachaduras surgiram silenciosas — não em forma de crise, mas de escolha.Arthur passou a chegar mais cedo em casa, não avisava, não explicava, apenas… chegava.Na terça-feira, encontrou Helena sentada no chão da sala com Sofia, ambas cercadas por folhas coloridas, lápis espalhados e uma tesoura infantil que claramente já tinha visto dias melhores.— Isso é um castelo? — ele perguntou, parando à porta.Sofia ergueu os olhos, surpresa e animada.— É uma casa mágica! — corrigiu — A Helena disse que casas podem mudar quando as pessoas mudam.Arthur olhou para Helena, ela sorriu, quase culpada.— Metáfora exagerada, eu sei. — disse, se rendendo.Ele não respondeu, apenas se sentou no sofá e observou.Durante vinte minutos, Arthur não pensou em relatórios, metas ou telefonemas. Observou
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