A casa parecia ouvir. Arthur nunca acreditara nessas ideias — casas com memória, paredes que absorvem sentimentos, espaços que guardam ecos. Mas naquela manhã, ao atravessar a sala silenciosa demais, teve a impressão incômoda de que cada canto observava seus passos com expectativa contida.
Helena já estava acordada. Ele sabia antes mesmo de vê-la. A rotina dela deixara marcas invisíveis: o cheiro de café recém-passado, a mesa organizada, a mochila de Sofia posicionada exatamente no mesmo lugar