Mundo de ficçãoIniciar sessãoUma refém. Um criminoso. Uma dívida paga com o corpo e a alma. Luísa nunca teve sorte. Filha de um pai alcoólatra e falido, sua única herança foi uma vida de privações e abandono. Mas nada a preparou para a noite em que o próprio sangue a entregou como pagamento de dívidas. Vendida a Dominic Cesari Rossi, o temido herdeiro de um império construído sobre cadáveres e silêncio, Luísa é lançada em um mundo de luxo opressivo, homens armados e paredes de mármore que escondem segredos mais escuros que a morte. Agora, ela não tem nome, não tem direitos e não tem fuga. Dominic perdeu tudo ainda jovem — a família, a inocência, a capacidade de confiar. Criado entre sangue e poder, ele transformou a solidão em domínio absoluto. E Luísa é apenas mais uma propriedade em sua coleção. Ou assim ele acredita, até que a língua afiada da refém e sua recusa em se curvar despertam nele algo muito mais perigoso do que posse: desejo. Entre provocações cortantes, toques que queimam e batalhas silenciosas por controle, Luísa descobre que a coleira de diamantes tem gosto de obsessão. E que, às vezes, cair nas mãos do monstro certo pode ser o golpe de sorte mais cruel que alguém pode ter. Ninguém escapa de Dominic Rossi. Mas será que ele conseguirá escapar dela?
Ler maisA vida nunca foi um conto de fadas; para mim, ela sempre teve o gosto amargo do café queimado e o cheiro de mofo das paredes da nossa casa.
Minha mãe partiu quando eu ainda era pequena, deixando-me apenas lembranças borradas de um perfume doce e o fardo de ser a única barreira entre o meu pai e o fundo do poço. Ele não era um porto seguro; era a âncora que me puxava para a escuridão. — Você não entende, garota! Eu fiz o que pude! — o grito dele ricocheteou nas paredes descascadas, interrompendo o meu choro silencioso. — Você é uma filha da puta ingrata. — O que você pôde? Você me vendeu! — minha voz saiu embargada, mas carregada de um desprezo que eu não conseguia mais esconder. — Eu sou sua filha, como você pode fazer isso comigo? Que tipo de homem é você? Ele se aproximou, o hálito exalando o álcool barato de sempre, e segurou meu braço com força. Gemi de dor. — Eu te criei desde que era uma coisinha de nada. Eu te dei teto, te dei comida. Você é minha propriedade, entendeu? E agora, finalmente, vai servir para alguma coisa: vai pagar as dívidas que você mesma ajudou a acumular vivendo sob as minhas custas. — Você é um monstro, um verme! — gritei, empurrando-o com toda a força que me restava, mas as palavras pareciam não surtir efeito naquela carcaça de homem que eu um dia chamei de pai. — Eu não me importo — ele cuspiu as palavras, os olhos turvos de álcool. — Você agora é propriedade de Dominic Cesari Rossi. --- A viagem foi um borrão de lágrimas até que o carro parou diante de portões de ferro maciço. Quando os portões se abriram, o que vi não foi uma casa, mas uma fortaleza de luxo e opressão. A mansão se erguia contra o céu, imponente, com colunas de mármore e jardins impecavelmente podados. Homens armados patrulhavam cada centímetro, seus olhos frios varrendo o perímetro. O homem que me buscou saiu do carro. Ele era uma montanha de músculos, com o cabelo curto, quase raspado nas laterais, e olhos de um cinza tão frio quanto o cano da arma que ele carregava no coldre. — Espere na sala. E não tente nenhuma gracinha — sua voz era um trovão baixo e desprovido de emoção. Fui deixada em um salão vasto, onde o silêncio era interrompido apenas pelo tique-taque de um relógio antigo. Logo, uma moça de aparência leve e sorriso radiante surgiu, quebrando o clima tenso. — Olá! Sou a Lilian. Vou te mostrar onde você vai ficar. Enquanto subíamos a escadaria de madeira nobre, ela apontou para uma porta dupla de carvalho no final do corredor. — Aquele é o escritório do Dominic. Regra número um: nunca, sob hipótese alguma, entre lá sem ser chamada. — Quem é ele exatamente? — perguntei, sentindo um calafrio. — O Sr. Dominic assumiu tudo muito cedo — Lilian explicou, sua voz baixando de tom. — O cartel rival dizimou a família dele… pais, irmã… ele teve que se tornar o que é para sobreviver. — E você… gosta dele? — olhei para ela, curiosa com tanta devoção. Lilian soltou uma risadinha, balançando a cabeça. — Deus me livre! Eu o vejo como um irmão mais velho ranzinza. Meu coração já tem dono… — ela olhou pela janela, onde o homem que me trouxe conferia o perímetro. — É o Gonçalo. Ele é bruto, mas eu adoro o jeito dele. Ela me deixou no quarto. Eu estava exausta, a alma estilhaçada. Deitei na cama imensa e o cansaço me venceu.Sinopse Lia é uma jovem mestiça de 22 anos, filha de mãe brasileira e pai americano de ascendência europeia, que vive em Hialeah, Miami, em condições precárias. Desde a morte do pai, sua vida tem sido uma espiral descendente: a mãe está internada em um hospital com uma doença grave, e o padrasto, Junior, é um homem irresponsável que contraiu dívidas com pessoas perigosas. Desesperada para pagar o tratamento da mãe, Lia passa os dias percorrendo as ruas de Miami em busca de emprego, enfrentando rejeições constantes, cansaço extremo e a humilhação de ser vista como "exótica" demais para se encaixar.Em uma manhã fatídica, seu padrasto a convence a assinar um documento apressadamente, alegando ser uma autorização para buscar papéis no hospital. Cansada e sem paciência, Lia assina sem ler — e esse ato de confiança ingênua a condena. Ao voltar para casa, encontra seu padrasto acompanhado de Eugene Carter, o temível chefe do Sindicato Carmesim, a máfia mais poderosa dos Estados Unidos. Lia
Engoli em seco, antes de começar. — Eu não me orgulho de admitir isso, mas o método que usei para matar o Julián Fonsi não foi um dos melhores. — Comecei, com uma amargura latente. — Eu juro que, se pudesse ter feito de outra forma, eu nunca... Tentei, mas antes que pudesse terminar ele me interrompeu. Sua expressão era séria. Tão séria que estremeci culpada. — Eu sei disso, meu anjo. — Ele me disse, sua voz caindo em uma nota mais sombria. — Havia uma câmera no quarto que não era vigiada, mas que estava ativa. — Ele me contou, tirando todas as palavras da minha boca. — E eu vi as gravações, Luísa, eu as vi muitas vezes, assim como os Egorov também as viram. — E então? — Indaguei, não sabia mais como proceder ou o que Dominic pensava. Ele me achava uma vagabunda, mesmo que tivesse seduzido o Fonsi apenas por vingança e defesa? Ele me considerava suja? Porque eu estava me sentindo suja. Abaixei a cabeça, sem ter coragem de olhar em seus olhos. Mas Dominic ergueu o meu queixo, me
--- Estava em uma situação decadente. Mas me sentia estranhamente feliz. Não sabia ou muito menos me lembrava com o que havia sonhado, mas uma coisa era fato: meu longo sonho, um que havia feito Dominic ficar acordado por três dias, tinha me feito bem de maneira que não sabia explicar ou pouco me lembrava. Mas foi divino, não sei por quê. Porém, isso havia ficado para trás. Agora estava no lugar em que deveria ficar, com Dominic e com os nossos bebês. — Aconteceu algo de especial no meu tempo "isolada"? — Lhe perguntei, me movendo levemente na cama hospitalar. Estremeci ao sentir uma leve dor, mas a ignorei mesmo vendo a carranca de Dominic pelos meus movimentos imprudentes, esperando a sua resposta. — Inventei uma desculpa para seu desaparecimento para seu pai adotivo, mas o velho é esperto e continua desconfiado, já que faz uma semana que não te vê. — Ele me contou acariciando a minha mão, bem onde estava a nossa aliança de casamento. — Máximus já está em um estado estável,
Luísa havia atirado em suas pernas, esculpido com lâmina um nome que combinava bem com o maldito, cortado todos os seus dedos, o castrado e, por fim, pelo que havia sido analisado pelos meus soldados, enquanto ele ainda estava vivo, o meu belo anjinho havia cravado uma faca no coração do verme. Ela era tão perfeita. Minha Luísa fizera um trabalho profissional ao matar seus inimigos, como uma torturadora treinada pela própria famiglia, e a sua fama, tanto de mulher sem piedade quanto de esposa devota, ou na minha percepção idiotamente sem amor à vida, se espalhou por todo o submundo do crime. Todos a temiam quanto a admiravam, mas eu ansiava, precisava da mia rosa. — Sabia que você faria um trabalho sublime, meu anjo. — Lhe disse com orgulho, antes de completar com amargor. — Mas você não deveria ter se colocado na minha frente para receber aquele tiro no meu lugar, mesmo que isso pudesse resultar na minha morte. Olhei para trás, com uma carranca, ao lembrar em quão subitamente Lu





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