Mundo de ficçãoIniciar sessãoNa manhã seguinte, eu mal havia tocado no café da manhã quando Lilian entrou no meu quarto como um furacão. Ela fechou a porta com um estrondo e se jogou na cama ao meu lado, os olhos brilhando de uma curiosidade que me fez gelar a espinha.
— Vocês o quê? — Lilian perguntou, sem conseguir conter a felicidade que transbordava em cada sílaba. — Você chupou mesmo o pau do Dominic? — Fala baixo! — murmurei, tapando a boca dela com a mão, o coração disparado. — Paredes têm ouvidos. Ninguém pode saber. Lilian afastou minha mão, rindo baixo, mas ainda assim com um brilho de quem tinha acabado de ganhar na loteria. — Puta merda, Luísa! — ela continuou, os olhos arregalados. — Ele pareceu gostar? — Eu… — Hesitei, sentindo o calor subir pelo meu rosto. — Acho que sim. Ele não pareceu desgostar, até sorriu. — Sorriu? Dominic sorriu? — Lilian se sentou na cama, cruzando as pernas como uma adolescente prestes a ouvir fofoca de primeira. — Meu Deus, você não entende. Esse homem não sorri para ninguém. Ele dá ordem, ele ameaça, ele mata. Mas sorrir? Isso é… isso é novidade até para mim. — Não foi um sorriso bonito — rebati, baixando o olhar. — Foi… estranho. Predatório. Como se ele tivesse descoberto um brinquedo novo. — Melhor ainda — Lilian deu um tapinha na minha perna. — E como foi? Me conta tudo. Ele te forçou? Você quis? — Eu não sei o que eu quis — admiti, a voz saindo mais baixa do que eu pretendia. — Eu só… eu só queria mostrar que não sou fraca. Que ele não pode me quebrar. — Mostrar que não é fraca chupando o pau dele? — Lilian ergueu uma sobrancelha, o sorriso malicioso. — Você não entende! — levantei da cama, começando a andar de um lado para o outro. — Ele quer me dominar de todas as formas. No corpo, na mente, na alma. Eu só queria… inverter o jogo. Mostrar que ele também pode ser vulnerável. — E funcionou? Parei no meio do quarto, encarando a parede. As palavras de Dominic ainda ecoavam na minha cabeça. "Isso não diminui sua dívida. Apenas a torna mais interessante." — Não sei — respondi, honesta. — Por um momento, eu senti que tinha controle. Ele gemeu meu nome, Lilian. Ele tremeu sob minhas mãos. Mas depois… — Depois? — Depois ele se levantou, ajeitou a roupa e me deixou no chão como se eu fosse um lenço sujo. — Minha voz falhou no final. Lilian ficou em silêncio por um instante, o rosto perdendo a brincadeira. Ela se levantou e veio até mim, colocando as mãos nos meus ombros. — Escuta, Luísa. Você está jogando xadrez com um homem que come peões no café da manhã. Ele não vai te dar vitórias fáceis. Mas o fato de você ter conseguido deixá-lo desarmado, mesmo que por um segundo… isso é mais do que qualquer pessoa conseguiu em anos. — Isso deveria me confortar? — Isso deveria te alertar. — Ela apertou meus ombros. — Porque agora ele não vai mais te subestimar. E homem que não subestima você é muito mais perigoso. — Ótimo — soltei um riso amargo. — Então eu troquei um carcereiro cruel por um carcereiro obcecado. — Talvez — Lilian deu de ombros. — Mas pelo menos você tem estilo. Quantas reféns conseguem fazer o Don Rossi gemer antes do segundo café? Eu não consegui evitar. Um riso curto escapou, misturado a um soluço. Lilian me puxou para um abraço, e por alguns segundos, o mundo pareceu menos sombrio. — Não conte para ninguém — pedi, afastando-me. — Se ele souber que eu falei… — Meu amor, eu levo segredos para o túmulo. Especialmente os sujos. — Ela piscou. — Agora toma seu café esfriando aí. Você vai precisar de energia. — Por quê? Lilian já estava na porta, mas parou, olhando para trás com um sorriso enigmático. Ela saiu rindo baixo, deixando-me sozinha com o coração aos pedaços e a certeza de que o pior ainda estava por vir.






