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A Virgem E O Mafioso Obcessivo
A Virgem E O Mafioso Obcessivo
Por: Luísa Faruk Gerente
1: vendida pelo meu próprio pai

A vida nunca foi um conto de fadas; para mim, ela sempre teve o gosto amargo do café queimado e o cheiro de mofo das paredes da nossa casa.

Minha mãe partiu quando eu ainda era pequena, deixando-me apenas lembranças borradas de um perfume doce e o fardo de ser a única barreira entre o meu pai e o fundo do poço. Ele não era um porto seguro; era a âncora que me puxava para a escuridão.

— Você não entende, garota! Eu fiz o que pude! — o grito dele ricocheteou nas paredes descascadas, interrompendo o meu choro silencioso. — Você é uma filha da puta ingrata.

— O que você pôde? Você me vendeu! — minha voz saiu embargada, mas carregada de um desprezo que eu não conseguia mais esconder. — Eu sou sua filha, como você pode fazer isso comigo? Que tipo de homem é você?

Ele se aproximou, o hálito exalando o álcool barato de sempre, e segurou meu braço com força. Gemi de dor.

— Eu te criei desde que era uma coisinha de nada. Eu te dei teto, te dei comida. Você é minha propriedade, entendeu? E agora, finalmente, vai servir para alguma coisa: vai pagar as dívidas que você mesma ajudou a acumular vivendo sob as minhas custas.

— Você é um monstro, um verme! — gritei, empurrando-o com toda a força que me restava, mas as palavras pareciam não surtir efeito naquela carcaça de homem que eu um dia chamei de pai.

— Eu não me importo — ele cuspiu as palavras, os olhos turvos de álcool. — Você agora é propriedade de Dominic Cesari Rossi.

---

A viagem foi um borrão de lágrimas até que o carro parou diante de portões de ferro maciço. Quando os portões se abriram, o que vi não foi uma casa, mas uma fortaleza de luxo e opressão. A mansão se erguia contra o céu, imponente, com colunas de mármore e jardins impecavelmente podados. Homens armados patrulhavam cada centímetro, seus olhos frios varrendo o perímetro.

O homem que me buscou saiu do carro. Ele era uma montanha de músculos, com o cabelo curto, quase raspado nas laterais, e olhos de um cinza tão frio quanto o cano da arma que ele carregava no coldre.

— Espere na sala. E não tente nenhuma gracinha — sua voz era um trovão baixo e desprovido de emoção.

Fui deixada em um salão vasto, onde o silêncio era interrompido apenas pelo tique-taque de um relógio antigo. Logo, uma moça de aparência leve e sorriso radiante surgiu, quebrando o clima tenso.

— Olá! Sou a Lilian. Vou te mostrar onde você vai ficar.

Enquanto subíamos a escadaria de madeira nobre, ela apontou para uma porta dupla de carvalho no final do corredor.

— Aquele é o escritório do Dominic. Regra número um: nunca, sob hipótese alguma, entre lá sem ser chamada.

— Quem é ele exatamente? — perguntei, sentindo um calafrio.

— O Sr. Dominic assumiu tudo muito cedo — Lilian explicou, sua voz baixando de tom. — O cartel rival dizimou a família dele… pais, irmã… ele teve que se tornar o que é para sobreviver.

— E você… gosta dele? — olhei para ela, curiosa com tanta devoção.

Lilian soltou uma risadinha, balançando a cabeça.

— Deus me livre! Eu o vejo como um irmão mais velho ranzinza. Meu coração já tem dono… — ela olhou pela janela, onde o homem que me trouxe conferia o perímetro. — É o Gonçalo. Ele é bruto, mas eu adoro o jeito dele.

Ela me deixou no quarto. Eu estava exausta, a alma estilhaçada. Deitei na cama imensa e o cansaço me venceu.

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