Mundo ficciónIniciar sesiónAstrid é filha de um Don, mas desde criança foi adotada e enganada pelo assassino de seus pais. Quando descobriu e recuperou o direito de ser a dama da máfia Suéca, com ele veio junto a exigência de estar casada pra assumir o que era seu por direito. João Miguel foi o homem que ela escolheu. Forte, leal, perigoso e Consigliere de uma máfia aliada. Só que no dia do casamento ela vê algo que destrói o pouco de confiança que tinha nele. Agora, presa a um homem que carrega o título que deveria ser só dela, Astrid terá que decidir: lutar contra o próprio marido… ou aprender a confiar nele. Porque entre o medo e o desejo… existe uma linha perigosa. E João Miguel pode ser exatamente o homem capaz de fazê-la cruzar. O que deveria ser apenas um acordo estratégico, rapidamente se transforma em um campo de batalha emocional. Porque Astrid não consegue se entregar. Não depois do que fizeram com ela no passado. Das cicatrizes que ainda queimam e João não sabe. "Esse casamento me dá direitos sobre você". — João Miguel exige quando perde o controle. Mas ela não nasceu fraca: "Tenta… e vê o que acontece".
Leer másCapítulo 1
Astrid Eriksson Para ser a dama da máfia Suéca, Astrid tem de casar a tempo. E João Miguel foi o homem que ela escolheu. Só que no dia do casamento Astrid ouviu voz de amor no quatro de João. — Hmmm... Ahhhh... — eram gemidos? Ele está subindo numa mulher? Ele me traiu?!!! Segurei o vestido de noiva e mesmo de salto, meti um chute na porta do jeito que aprendi desde menina. A porta cedeu. Mas no instante em que entrei— O alarme de incêndio disparou. Um som estridente tomou o ambiente, seguido de fumaça se espalhando rapidamente. — Mas que porra…? — vi sombras. Uma silhueta feminina, senti cheiro de perfume, e ouvi a voz: — O que aconteceu? — A voz… era conhecida, mas não parecia de João Miguel. Eu não tinha certeza. — Astrid? — Virei o rosto e João Miguel estava na porta. Intacto. Como se tivesse acabado de chegar. Olhei de volta para o quarto, mas não tinha nada claro, nada certo. Que droga. Avancei e o empurrei contra a parede do corredor. — Você acha que eu sou tolo? — me olhou com dificuldade por causa da fumaça que se espalhava rapidamente. — O que aconteceu? Porque saiu do quarto e entrou aqui? — ele perguntou enquanto tentava afastar a fumaça do meu rosto. — Quem estava com você naquele quarto? — gritei. Eu não me importava se o hotel explodisse, eu só queria a verdade. — Eu troquei de quarto. Nem estava ali. — Ah, claro que trocou. Bem conveniente. — Debochei me afastando com um lado do corpo, mas ele segurou meus braços. — Astrid— — Eu ouvi. Você estava com alguém ali. Eu preciso saber. Então alguém gritou no corredor: — Precisamos evacuar o prédio! — mas ignorei. — Quem estava com você, João Miguel? — Eu não estava com ninguém. — Ele segurou meu rosto com força. Estava com a voz alterada e sustentou meu olhar com aquela força masculina que tem ao encarar, e isso me irritou mais do que qualquer desculpa. Mas a situação piorou quando ouvi uma voz feminina saindo de dentro do quarto. — João Miguel! — Ela o chamou pelo nome? Virei. A mulher saiu do quarto mancando levemente. Ainda tinha bastante fumaça, mas no corredor a visão ficou mais clara. Era linda, parecia confiante arrumando os cabelos com os dedos e mantendo o rosto erguido. Cabelos negros e longos, olhos pretos como os de João Miguel. Perigosa, e com uma roupa tão curta que se abaixasse daria pra ver a calcinha. — Me ajuda a ir até o elevador? — disse, manhosa. — Virei o pé, João Miguel… — Meu estômago revirou. Ela o conhecia, agora era real. Olhei para ele esperando sua resposta pra mulher. — Não tenho tempo agora — respondeu, frio, puxando meu braço. — Vamos sair daqui Astrid. Voltei para ela, me desprendendo dele. — Você disse que não estava na sala naquele momento? Você já a conhece! —Gritei, e ele balançou seus cabelos pretos que iam no rosto com mais força que o comum, jogando pra trás. — Astrid, o prédio está pegando fogo, porra! Vai sair ou terei que te arrastar? Eu sabia que precisava sair. Dei uma última olhada pra aquela mulher e percebi que nenhum outro homem saiu pela porta do quarto. Observei o vestido desalinhado, o sorriso pra mim provocando, e então dei as costas pra ela. — Antes você era mais carinhoso, querido… nem casou e já está gritando com sua noiva? — Foi o suficiente pra me tirar do sério. Avancei sobre ela, fechei o punho e meti um soco no seu nariz. Ela caiu. — Não importa quem você seja — minha voz saiu alta, perigosa. — João Miguel é "meu" noivo. — Dei mais um passo. — E ninguém vai chamar ele de querido. Aprenda a respeitar a Donna Suéca ou não vai viver pra saber o que aconteceu. Ela quis gritar, mas ele me puxou gritando com ambas. — Já chega! — me arrastou para as escadas. De canto de olho vi um vulto que ajudou a mulher a sair de lá, mas com a puxada de João Miguel eu não identifiquei nada. Não tinha como saber se era alguém do hotel ou algum conhecido. Desci com o coração disparado, a raiva queimando, o vestido pesado contra meu corpo. — Me solta João Miguel! Não vai mais ter casamento. Está cancelado! — Ele continuou me puxando e me obrigando a descer as escadas. Eu não podia com a força dele, é bem maior e foi muito bem treinado na máfia italiana. — Não quero mais nenhum acordo! Vai embora! Quando descemos o último degrau, ele me prensou contra a parede. Seus olhos negros pareciam que iriam me consumir. — Escuta aqui, Astrid! Eu deixei todo o meu legado pra casar com você. Deixei de ser Consigliere de uma máfia a todo vigor pra me tornar seu Don. A Suécia está quebrada, e você fez sua escolha. Então cala a porra da boca e me obedece. Porque hoje você casa comigo nem que seja amarrada! — Mas você me traiu! — tentei empurrar seus punhos, cheguei a tirar da parede, mas agora me segurou pela cintura. — Ah é? Então prova amore mio. Se você conseguir, eu mesmo te devolvo seu maledetto cargo. Agora arruma essa cara e vamos até a cerimônia porque tem duas máfias grandes nos esperando. Ou vai querer chegar lá e fazer papel de inexperiente ao cancelar um casamento de negócios? Sua expressão era de puro deboche. — Negócios? É "só" um acordo mesmo, pra você?Capítulo 205 Giulia Strondda Caruso A dor me rasgou como se alguém estivesse partindo meu corpo ao meio. Ele virou a cabeça para mim no mesmo instante. Seus olhos azuis se arregalaram. A arma que apontava para o homem e a menina tremeu pela primeira vez. — Giulia! Eu não conseguia responder. A dor era diferente agora — profunda, violenta, como se meus ossos estivessem se partindo por dentro. Outra contração veio, ainda mais violenta. Senti algo quente escorrendo entre as minhas pernas. — KARL! O QUE EU FAÇO? Karl ficou paralisado por meio segundo. Outra contração me rasgou. Um grito escapou da minha garganta, rouco e longo. O médico se aproximou devagar, as mãos erguidas. Karl reagiu como um animal. Em um movimento brutal, ele agarrou a menina pelos cabelos e puxou-a contra o próprio corpo, apontando a pistola para a cabeça dela. — Se você errar um único movimento com a minha mulher ou meus filhos — rosnou para o médico, a voz mortalmente baixa —, eu
Capítulo 204 Giulia Strondda Caruso Eu estava com uma barriga tão grande que mal conseguia ver meus próprios pés. Os gêmeos pareciam ter resolvido ocupar cada centímetro disponível dentro de mim. A dor nas costas era constante, a respiração curta, e cada movimento exigia um esforço que eu tentava esconder de Karl. Mesmo assim, não conseguia parar de sorrir toda vez que olhava para ele. Ele tentava ser durão. Tentava com todas as forças. Mas bastava eu respirar um pouco mais fundo ou mudar de posição no banco que ele virava a cabeça imediatamente, os olhos azuis varrendo meu rosto em busca de qualquer sinal de desconforto. — Eu nem acredito que estamos viajando duas horas só para buscar uma fruta, Karl — reclamei, reclinando o banco o máximo que a barriga permitia. Ele manteve as mãos firmes no volante, olhar fixo na estrada. — Nossos filhos não vão ficar com vontade de nada. Muito menos você, Giulia. Se você quer a fruta da árvore, vamos buscar a fruta da árv
Capítulo 203Don João Miguel Fernandes(Meses depois)Eu sempre achei que comandar uma máfia fosse complicado.Não é.Complicado é impedir um bebê de sete meses de escalar uma estante. Johan estava exatamente tentando fazer isso naquele momento.Eu o peguei pela cintura antes que conseguisse alcançar a segunda prateleira da biblioteca e o ergui no ar.— Nem pensar.Meu filho respondeu com uma gargalhada e tentou agarrar meu nariz. Atrás de mim, Astrid riu.— Ele faz isso porque sabe que você vai impedir.— Ele tem sete meses.— Exatamente. Já entendeu como você funciona.Balancei a cabeça e sentei Johan sobre meu antebraço. O pequeno imediatamente começou a puxar o colarinho da minha camisa enquanto observava tudo ao redor com enorme interesse.Era impressionante. Em poucos meses ele havia transformado completamente a rotina da casa.Os relatórios continuavam chegando, as reuniões continuavam acontecendo, os problemas continuavam existindo, mas agora tudo parecia menor quando comparad
Capítulo 202Don João Miguel FernandesQuatro meses e meio haviam se passado desde o nascimento de Johan, e eu estava completamente perdido em casa.Nunca imaginei que um ser humano tão pequeno pudesse dominar um homem como eu. Johan Eriksson Fernandes tinha apenas quatro meses e meio, mas já comandava a casa inteira com um simples olhar ou um chorinho manhoso. Eu passava horas olhando para ele enquanto dormia, segurando sua mãozinha, ou simplesmente observando aqueles olhos azuis idênticos aos da mãe.Astrid não perdia nenhuma oportunidade de me zoar.— Olha só pra você — disse ela naquela manhã, encostada no batente da porta do quarto do bebê, braços cruzados sobre a barriga já bem chapada — O Don da Suécia, o homem que fez a África tremer, agora derretido por causa de um bebê que nem sabe falar ainda.Eu nem me dei ao trabalho de negar. Estava sentado na poltrona com Johan no colo, balançando-o devagar enquanto ele dormia.— Ele sorriu pra mim ontem — respondi, sério. — Foi um sorr





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