Mundo ficciónIniciar sesiónO resto da manhã foi um exercício de paciência. Dominic me deixou sob a vigilância de dois armários humanos enquanto resolvia "assuntos de família". Eu me sentia como um pássaro em uma gaiola de ouro, circulando pela biblioteca imensa, mas incapaz de passar da porta.
Quando o sol começou a baixar, a porta do meu quarto se abriu sem bater. Eu estava de pé junto à janela, observando os muros altos. Dominic entrou, ainda com a camisa branca, mas agora com uma mancha escura no punho que eu tinha certeza de que não era café. — Você não sabe bater? — disparei, cruzando os braços. — A casa é minha, Luísa. As portas também. — Ele caminhou até o centro do quarto, analisando o ambiente como um predador avaliando um novo território. — Não tocou no almoço. — Perdi o apetite quando percebi que sou uma moeda de troca para o meu pai e um troféu para você. Dominic soltou um riso seco e se aproximou. Cada passo dele parecia diminuir o oxigênio do quarto. Ele parou a poucos centímetros de mim, forçando-me a inclinar a cabeça para trás para sustentar seu olhar. — Você não é um troféu — ele sussurrou, a voz vibrando no meu peito. — Troféus são imóveis. Você é um problema. Um problema bonito e barulhento que está me custando caro. — Então me deixe ir. Economize seu tempo e seu dinheiro. — Não posso. — Ele estendeu a mão, e por um segundo achei que ele fosse me bater, mas seus dedos apenas traçaram a linha do meu maxilar, subindo até meu queixo. — Você é a única coisa que impede seu pai de cometer um erro fatal. E, honestamente? Gosto de ter algo que ele valoriza tanto sob o meu teto. Eu empurrei a mão dele com força. — Você é um sádico. Em um movimento rápido demais para eu reagir, Dominic segurou meus dois pulsos com uma só mão e me empurrou contra a parede fria. O impacto não doeu, mas o choque da proximidade física me deixou sem fôlego. — Você não tem ideia do que eu sou, Luísa — ele disse, o rosto a milímetros do meu. — Eu poderia ter tomado o que eu quisesse de você na primeira noite. Poderia ter quebrado você em pedaços. Mas aqui está você, gritando e me enfrentando. Sabe por quê? — Porque você é um covarde que precisa de armas e guardas para se sentir homem? — provoquei, o coração martelando contra as costelas. Os olhos dele brilharam com uma fúria perigosa, mas também com algo que parecia… admiração. Ele apertou meus pulsos contra a parede acima da minha cabeça, o corpo dele pressionando o meu de forma que eu conseguia sentir cada músculo tenso. — Porque eu quero que você venha até mim por vontade própria — ele sibilou. — Eu quero ver o momento em que esse seu orgulho vai se transformar em desejo. — Isso nunca vai acontecer. Eu prefiro o inferno. Ele se inclinou mais, o nariz roçando o meu, o cheiro de uísque e poder me entontecendo. Por um segundo infinito, achei que ele fosse me beijar à força. Meus lábios arderam com a expectativa, uma mistura de pavor e uma curiosidade proibida que eu odiava sentir. Em vez disso, ele me soltou abruptamente. — Veremos — ele disse, a voz subitamente fria enquanto se afastava em direção à porta. — Esteja pronta em meia hora. Vamos jantar. E, desta vez, tente não ser um "problema" na frente dos meus convidados. Ele saiu, fechando a porta com um estrondo, deixando-me trêmula e com a sensação perturbadora de que a maior ameaça naquela casa não eram as armas, mas o jeito que meu corpo reagia à presença dele.






