O pânico é um motor potente. Naquela manhã, o medo da noite anterior se transformou em uma coragem desesperada. Eu precisava tentar. Dominic podia ter comprado meu pai, podia ter comprado o cartão de crédito, mas ele não podia ter comprado as leis. Ou assim eu pensava, na minha doce e estúpida inocência.Estávamos novamente no centro, dessa vez em uma área aberta, a caminho de uma joalheria. Lilian estava distraída com o celular, e Gonçalo mantinha uma distância de três metros, confiante demais na minha submissão. Foi quando eu o vi.Um oficial de farda azul, encostado em uma viatura na esquina. O símbolo da autoridade. Meu passaporte para a liberdade.Prendi a respiração e, em um movimento súbito, rompi a caminhada. Corri. Meus pés atingiram o asfalto com força enquanto eu ouvia o grito abafado de Gonçalo atrás de mim.— Socorro! — gritei, chegando ao policial antes que Gonçalo pudesse me alcançar. — Por favor, você precisa me ajudar! Eu fui sequestrada!Segurei os braços do oficial,
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