Mundo de ficçãoIniciar sessãoSinopse: Leyla só queria um emprego para ajudar a irmã e fugir de uma vida apertada. O que ela não esperava era testemunhar um assassinato… nem ser poupada pelo homem mais perigoso de Milão. Dante Moretti é frio, calculista e implacável. Ele não deixa pontas soltas — exceto ela. Quando Leyla aceita um trabalho como babá em uma mansão isolada, descobre tarde demais que entrou na casa do próprio homem que jurou nunca mais ver. Presa entre o medo, o silêncio e uma criança que precisa dela, Leyla terá que escolher: fugir… ou sobreviver ao jogo psicológico de um mafioso que não aceita perder o controle. Porque, nesta casa, ninguém entra por acaso. E sair… pode ser muito mais difícil
Ler mais**Ponto de Vista: Leyla****Cinco anos depois...**O ar de Toronto tinha uma frieza polida, uma claridade que iluminava tudo, mas não aquecia as camadas mais profundas da alma. Para quem olhasse de fora, eu era apenas Sarah Miller, uma tradutora que vivia em um bairro arborizado, frequentava a biblioteca local e levava uma vida de uma simplicidade quase monástica. Mas, por baixo das camadas de lã e da rotina previsível, eu era um animal em eterna vigília.Cinco anos. Mil oitocentos e vinte e cinco dias respirando o ar do Canadá, sentindo o gelo sob as botas e a constante, paralisante sensação de que o horizonte poderia, a qualquer momento, vomitar uma sombra vinda de Roma.Eu havia aprendido a viver no "entre". Entre o medo e a esperança. Entre o passado que me marcara com ferro e fogo e o futuro que eu tentava construir com as mãos trêmulas. Minha vida era um castelo de cartas erguido sobre um lago congelado; eu sabia que o gelo era espesso, mas também sabia que o peso de Dante Moret
**Ponto de Vista: Dante**O frio de Catskills era um insulto. Não era o frio aristocrático dos Alpes ou a brisa cortante de Roma; era um frio úmido, sujo, que penetrava nos ossos como uma acusação de fracasso. Eu caminhava pela neve fofa em direção àquela cabana de madeira miserável, cercado por dez dos meus melhores homens, todos movendo-se como espectros negros contra a alvura da floresta.Três semanas de uma fúria silenciosa que consumiu meus dias e transformou minhas noites em um pesadelo de insônia e sede de sangue. Eu queimei metade dos meus contatos no submundo de Nova Iorque, esmaguei os dedos de três informantes que tentaram me dar pistas falsas e, finalmente, aqui estava eu.A porta da cabana estava entreaberta, balançando levemente com o vento, produzindo um som rítmico de madeira batendo contra madeira. *Tock. Tock. Tock.* Como um relógio marcando o fim da paciência de um Deus.— Entrem — ordenei, minha voz saindo como o estalar de um chicote.Enzo e os outros invadiram o
**Ponto de Vista: Leyla**O ar de Nova Iorque não era doce, mas tinha o gosto inebriante da liberdade. Quando saí do JFK, misturada à multidão frenética de turistas e executivos, senti como se estivesse emergindo de um túmulo de mármore em Roma. Cada passo que eu dava no asfalto americano era um ato de rebeldia contra o homem que jurou que eu jamais veria o sol sem a sua permissão.O reencontro com Bianca na Quinta Avenida foi um borrão de lágrimas e silêncios desesperados. Nós não nos abraçamos por muito tempo; o medo de que os olhos de Dante estivessem em cada câmera de segurança nos impelia a nos mover. Não ficamos na cidade. Nova Iorque era grande, mas para os tentáculos de um Moretti, era apenas um aquário de vidro.Viajamos dez horas para o interior, para as montanhas de Catskills, sob identidades que meu pai, em sua previdência paranoica de anos atrás, nos deixara como herança. Agora, éramos apenas *Sarah e Jane Miller*, duas irmãs em busca de uma vida pacata em uma cabana de m
**Ponto de Vista: Dante**O helicóptero cortava o céu noturno de Roma como uma lâmina de aço negro. Lá embaixo, Civitavecchia ainda ardia. O clarão alaranjado da refinaria explodindo era o funeral que eu havia prometido aos portugueses. Meus punhos estavam manchados de sangue que não era meu, e minhas roupas cheiravam a fumaça, pólvora e vitória. Eu sentia uma adrenalina selvagem percorrendo minhas veias, uma satisfação primitiva de ter esmagado cada crânio que ousou conspirar contra o que é meu.Mas, acima de tudo, eu sentia pressa. Uma pressa irracional de voltar para os braços da mulher que, na noite anterior, havia se tornado a minha bússola no meio da tempestade. Leyla. A mulher que segurou minha arma, que guardou minha casa, que se entregou a mim com uma intensidade que eu ainda sentia vibrando em meus ossos.— Don, pouso em dois minutos — a voz de Enzo soou pelo rádio. Ele estava com um curativo improvisado no ombro, mas sorria. Tínhamos vencido.— Avise a guarda interna. Quero
Último capítulo