Mundo ficciónIniciar sesiónSinopse: Leyla só queria um emprego para ajudar a irmã e fugir de uma vida apertada. O que ela não esperava era testemunhar um assassinato… nem ser poupada pelo homem mais perigoso de Milão. Dante Moretti é frio, calculista e implacável. Ele não deixa pontas soltas — exceto ela. Quando Leyla aceita um trabalho como babá em uma mansão isolada, descobre tarde demais que entrou na casa do próprio homem que jurou nunca mais ver. Presa entre o medo, o silêncio e uma criança que precisa dela, Leyla terá que escolher: fugir… ou sobreviver ao jogo psicológico de um mafioso que não aceita perder o controle. Porque, nesta casa, ninguém entra por acaso. E sair… pode ser muito mais difícil
Leer más**Ponto de Vista: Leyla**O sono nunca era profundo naquela casa, mas naquela noite, ele era um vidro fino prestes a estilhaçar. Eu estava mergulhada em um sonho confuso com Nathan e campos de trigo, quando um som metálico e seco me arrancou da escuridão.O clique de uma arma sendo destravada.Abri os olhos de supetão, o coração disparando contra as costelas como um pássaro enjaulado. A silhueta imensa de Dante estava parada ao lado da minha cama, recortada pela luz pálida do corredor. Ele não era mais o homem ferido e febril da noite anterior. Ele era o espectro da morte novamente. Usava roupas pretas táticas, um colete de kevlar e segurava um fuzil curto com uma naturalidade aterradora.— Levante-se — ele ordenou. Sua voz era um sussurro ríspido, sem espaço para perguntas.— Dante? O que... o que está acontecendo? — Minha voz saiu falha, rouca de sono e medo. Olhei para o relógio na cabeceira: três da manhã.— Agora, Leyla! — Ele se aproximou e agarrou meu braço, puxando-me para for
**Ponto de Vista: Dante**O ombro queimava, uma lembrança pulsante da minha mortalidade, mas a dor física era um ruído de fundo comparada à agitação na minha mente. Eu estava sentado na poltrona de couro da varanda do meu quarto, escondido pelas sombras das colunas de mármore. Dali, eu tinha a visão perfeita do jardim leste, onde Nathan e Leyla passavam a tarde.Eu segurava um copo de uísque, mas não bebi. Apenas observava.Lá embaixo, o sol batia nos cabelos escuros de Leyla, criando reflexos acobreados que eu sentia vontade de tocar. Ela estava sentada na grama, cercada por giz de cera e papéis. Nathan, que raramente permitia que alguém entrasse em seu espaço pessoal, estava sentado quase no colo dela. Ela ria de algo que o menino desenhava — um som cristalino que parecia um insulto à seriedade daquela mansão.Um sentimento amargo e pesado subiu pela minha garganta. Ciúme.Era ridículo. Era doentio. Eu estava com ciúmes de uma criança de cinco anos. Do meu próprio sobrinho, o sangue
**Ponto de Vista: Leyla**Eu não preguei o olho. Como eu poderia dormir com o peso de um assassino sobre o meu corpo?A noite foi uma sucessão de minutos agonizantes. Dante ardia em febre ao meu lado, o calor que emanava dele era quase insuportável, misturado ao cheiro metálico e acre de sangue que agora impregnava não apenas meus lençóis, mas a minha própria pele. O braço dele, pesado e possessivo, permanecia cruzado sobre a minha cintura, prendendo-me contra ele mesmo em seu estado de inconsciência.Cada vez que ele soltava um gemido baixo de dor durante o sono, meu coração dava um solavanco. Uma parte de mim — a parte que ainda lembrava do beco e das câmeras no meu banheiro — gritava para eu me desvencilhar, fugir dali e deixá-lo sucumbir ao próprio veneno. Mas a outra parte, aquela que cuidava de Nathan com tanta devoção, não conseguia ignorar o sofrimento de um ser humano, por mais monstruoso que ele fosse.Quando os primeiros raios de sol começaram a atravessar as frestas da cor
Ponto de Vista: DanteO som do metal sendo dilacerado por balas de fuzil ainda ecoava nos meus ouvidos. A emboscada na periferia de Palermo foi cirúrgica, mas eles esqueceram de um detalhe: eu não morro fácil. Meu SUV blindado parecia um queijo suíço, e o ombro esquerdo queimava como se tivessem despejado chumbo derretido diretamente nas minhas veias.— Don, precisamos ir ao hospital da família — Luigi disse, segurando o volante com as juntas brancas enquanto acelerava pelas ruas escuras.— Não. Vá para a mansão — respondi, minha voz saindo entre dentes cerrados. O sangue quente ensopava minha camisa de linho branco, tornando-a pesada e pegajosa.Minha mente não estava no território perdido ou no traidor que revelou minha rota. Minha mente estava na única coisa que se tornou meu ponto fixo de sanidade naquela semana de caos: Leyla. A ideia de que aqueles desgraçados pudessem ter chegado perto da mansão enquanto eu não estava lá fez meu estômago dar um nó mais doloroso que o ferimento
Ponto de Vista: LeylaUma semana. Eu estava naquela mansão há exatamente sete dias, e cada um deles parecia um mês de exílio. Minha rotina com Nathan era a única coisa que me mantinha sã. O menino era um anjo silencioso em um palácio de demônios. Eu passava as manhãs lendo para ele e as tardes tentando fazê-lo pintar, ganhando sorrisos tímidos que eram pequenas vitórias em meio ao meu naufrágio.Mas hoje, o castelo de cartas desabou.Eu estava prestes a me vestir após um banho quente, tentando me sentir humana novamente, quando algo brilhou no canto do teto, escondido entre os detalhes da moldura de gesso do quarto. Um ponto vermelho minúsculo, quase imperceptível. Meu coração parou. Aproximei-me, subindo na ponta dos pés, e o terror que senti foi físico. Uma lente. Uma microcâmera, apontada diretamente para a minha cama.O pânico foi como uma explosão. Eu não pensei. Não raciocinei. A humilhação de ser observada em meus momentos mais íntimos queimou meu sangue.— AH! AH! — O grito es
Ponto de Vista: LeylaA porta do meu novo quarto se fechou com um clique metálico que ressoou como o veredito de um juiz. A Sra. Bianchi tinha acabado de sair, após me mostrar o que seria o meu "aposento". Chamar aquilo de quarto era um insulto; era uma suíte maior que o apartamento inteiro onde eu morava com Bianca. Os lençóis eram de seda egípcia, as cortinas de veludo pesado bloqueavam qualquer resquício da lua, e o banheiro tinha mais mármore do que uma igreja antiga.Mas, para mim, cada detalhe luxuoso gritava "prisão".Eu me sentei na beirada da cama, sentindo o corpo tremer. O encontro no escritório ainda passava pela minha mente em câmera lenta. O modo como Dante me olhava... não era apenas o olhar de um assassino que quer eliminar uma testemunha. Era algo mais denso, mais sombrio. Ele me olhava como se eu fosse uma propriedade que ele finalmente tinha adquirido após uma longa negociação.— O que eu fiz da minha vida? — sussurrei para o vazio.Tirei o celular do bolso. Tinha c
Último capítulo