Mundo de ficçãoIniciar sessãoAcordei sufocando, com o lençol enroscado nas pernas e o coração batendo na garganta. Um grito mudo morreu na minha boca.
— Luísa? A voz veio do canto escuro do quarto. Eu dei um pulo, puxando o cobertor até o queixo. Uma silhueta se moveu. — Quem está aí? — Minha voz saiu aguda, trêmula. A luz do abajur foi ligada no mínimo. Dominic estava sentado em uma poltrona, ainda com as roupas do jantar, mas o terno estava jogado de lado. Ele segurava um copo de uísque e tinha uma mancha fresca de sangue no colarinho da camisa. — Sou eu. Acalme-se. — O que você está fazendo no meu quarto? Você me vigia enquanto eu durmo? — A indignação começou a substituir o pavor. — Você estava gritando — ele disse, a voz rouca. Ele se levantou e caminhou até a beira da cama. — Parecia que estava sendo morta. — E eu não estou? — rebati, tentando controlar a respiração. — Minha vida acabou, Dominic. Você a matou. Ele não respondeu de imediato. Ele se sentou na borda do colchão, e o peso do seu corpo fez a cama inclinar em sua direção. O cheiro de pólvora e chuva vinha dele. Ele tinha acabado de voltar da rua. — Tivemos problemas na fronteira — ele disse, como se estivesse justificando o sangue na camisa. — O mundo não para porque você está triste, Luísa. — Eu não estou triste. Estou com raiva. — Raiva é bom. Raiva mantém você viva. O medo é que mata. Eu o encarei. Sob a luz fraca, as linhas de cansaço no rosto dele eram visíveis. Pela primeira vez, ele não parecia o Don implacável, mas um homem carregando um fardo pesado demais. Sem pensar, estendi a mão e toquei o tecido da sua camisa, perto da mancha de sangue. — Você se feriu? — A pergunta saiu antes que eu pudesse contê-la. Dominic segurou minha mão. Seus dedos eram grandes, quentes e ásperos. Ele não me soltou. — Não é meu — ele sussurrou, fixando os olhos cinzas nos meus. — Você se importa? — Eu... eu não quero ver ninguém morto. Nem mesmo você. Dominic deu um sorriso amargo e puxou minha mão para mais perto, encostando-a no seu peito. Eu conseguia sentir o batimento rítmico e forte do seu coração. — Mentira. Você adoraria me ver em um caixão se isso significasse sua liberdade. — Talvez — admiti, mas não puxei minha mão de volta. — Mas quem me protegeria dos outros lobos se você morresse? O olhar dele suavizou por um microssegundo. Ele se inclinou para frente, a mão livre subindo para afastar uma mecha de cabelo do meu rosto suado. — Ninguém — ele disse, a voz baixa como um segredo perigoso. — Por isso, trate de dormir. Enquanto eu respirar, nada vai entrar por aquela porta para te machucar. Ele não saiu. Ele continuou ali, sentado na beira da cama, segurando minha mão até que o tremor no meu corpo parasse. E o mais assustador não foi o pesadelo que tive, mas o fato de que, com Dominic ali, eu finalmente consegui fechar os olhos e dormir.






