Mundo de ficçãoIniciar sessãoNarrado por Luísa
— Onde ele está? — perguntei, encontrando Gonçalo no corredor. — Se está perguntando do Dominic, ele está no escritório. Em reunião. Não respondi. Passei por ele em direção ao cômodo. Lembrei da vez em que Lilian me disse que era proibido entrar, mas não liguei. Agora eu sou noiva, não é? Não bati. Apenas empurrei a porta pesada e entrei. Toda a atenção da sala se voltou para mim. Eram cinco homens sentados à mesa de carvalho. Todos vestidos como se o dinheiro fosse uma segunda pele. Os dedos brilhavam com anéis de ouro branco, alguns cravejados de rubis ou ônix. Um deles usava um relógio Patek Philippe tão caro que daria para comprar a casa do meu pai cinco vezes. Pulseiras de prata grossas. Abotoaduras de platina. Colares discretos, mas ostensivos, escondidos sob colarinhos de seda. E os olhos — todos os olhos me avaliando, me pesando, me descartando. Nenhum deles se levantou. — Bom dia, senhores — disse, a voz firme, mesmo com o coração aos pulos. — Poderiam me dar licença? Preciso falar com meu noivo. Silêncio. Eles não se moveram. Apenas viraram o rosto lentamente para Dominic, como marionetes esperando o comando do mestre. Dominic estava sentado na ponta da mesa, uma caneta entre os dedos, o olhar pregado em mim. Por um segundo, achei que ele fosse me mandar embora. Mas então ele acenou com a cabeça — um gesto mínimo, quase imperceptível. — Os senhores podem se retirar — disse ele, a voz baixa e carregada de autoridade. Os homens se levantaram como um só. Pastas fechadas, cadeiras rangendo, olhares de soslaio na minha direção. Nenhum deles me dirigiu a palavra. Nenhum deles precisava. O desprezo estava estampado em cada ruga de seus rostos. Na porta, Dominic falou de novo, sem levantar os olhos: — E, senhores? Da próxima vez que minha noiva fizer um pedido, é melhor que obedeçam. A porta se fechou. Finalmente estávamos sozinhos. Ele jogou a caneta sobre a mesa e recostou-se na cadeira, os braços cruzados sobre o peito largo. — Então — ele disse, um meio-sorriso nos lábios — como posso ajudar? Caminhei até a mesa, passei os dedos pelo couro frio das cadeiras vazias, sentindo o peso da minha própria coragem. — Eu quero voltar a fazer faculdade. Ele riu. Um riso curto, seco, que morreu antes de nascer. — Não. Isso não é opção. — Eu fazia psicologia. E gostava do meu curso. — Não me interessa que merda de curso você fazia. A resposta é não. É muito arriscado. — Eu sei me defender. Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo com um gesto cansado. Pela primeira vez, notei as olheiras escuras sob seus olhos. Ele não vinha dormindo bem. — Por causa disso? — perguntou, a voz agora mais baixa. — Você pode ter tudo o que quiser, Luísa. Do bom e do melhor. Roupas, viagens, joias, o carro que você quiser. Por que diabos você quer sentar numa sala de aula com gente comum? Parei em frente a ele. A mesa nos separava, mas eu me inclinei sobre ela, forçando-o a olhar para mim. — Não é só sobre dinheiro — disse, sentindo a paixão subir pela minha garganta. — É sobre conquistar alguma coisa. A vida inteira meu pai disse que eu não seria nada. Toda gente me subestimou. Quero provar que posso ser algo. Por mim mesma. Não como sua noiva, não como sua propriedade. Como Luísa. Ele ficou em silêncio por um longo tempo. Os olhos verdes escaneavam meu rosto, procurando alguma coisa. Não sei o que encontrou. — Puta merda — ele murmurou, a mão subindo para coçar a nuca. — Você é um problema.






