2: O primeiro encontro

Acordar foi como emergir de um pesadelo para entrar em outro.

Abri os olhos e dei um salto, o coração disparando contra as costelas. Um homem estava parado ao pé da cama, observando-me com uma intensidade predatória. Ele era alto, de uma elegância perigosa, com traços esculpidos e um olhar que parecia ler meus segredos mais sombrios.

— Quem é você? O que faz aqui? — me afastei, encostando na cabeceira.

— Sou seu novo dono — ele disse, com uma calma que me irritou profundamente.

— Eu não sou um objeto para ter dono! — rebati, a raiva superando o medo.

Ele deu um passo à frente, um sorriso de canto de boca surgindo.

— Não foi o que seu pai disse quando assinou o contrato.

— Meu pai é um bêbado, um filho da puta que não sabe o que faz! — disparei.

Dominic soltou uma risada curta, seca.

— Gostei de você. Tem a língua afiada. Veremos quanto tempo isso dura.

Ele caminhou em minha direção, as mãos nos bolsos da calça de alfaiataria, e antes que eu pudesse reagir, me prensou contra a parede. O calor do seu corpo e o cheiro de perfume caro misturado a tabaco me cercaram.

— Isso é uma pena — sussurrei, encarando-o de perto — porque eu não gosto de sequestradores. É melhor você não me tocar.

Ele aproximou o rosto do meu pescoço, a respiração quente arrepiando minha pele.

— No final, pequena… será você quem vai implorar para que eu te toque.

— Isso é impossível. Eu… tenho namorado.

Menti.

Ele me encarou por um longo instante, como se quisesse perfurar minha alma. Depois, sorriu.

— Eu sei que está mentindo. Acha que não investiguei sua vida antes? Sei que está solteira. E sei que é virgem.

Ele passou a mão sobre a minha perna despida, e senti um calor percorrer meu corpo. Uma coisa que nunca tinha sentido antes.

— Sei que ninguém nunca tocou em você antes — ele sussurrou no meu ouvido. Minhas pernas fraquejaram. — Quer que eu te ensine?

Meu peito batia muito mais rápido.

Quem é esse homem?

E, com a mesma rapidez com que apareceu, ele se afastou e saiu do quarto, deixando-me trêmula e com o eco de suas palavras queimando em minha mente.

Continuei ali, prensada contra a parede, sentindo o rastro de calor que a mão de Dominic havia deixado na minha pele. Meu corpo parecia trair minha mente; eu deveria estar sentindo apenas nojo, mas havia um formigamento desconhecido, uma eletricidade perigosa que me assustava mais do que a própria prisão.

— Maldito... — sussurrei, limpando o pescoço com as costas da mão, como se pudesse apagar a sensação da respiração dele.

Caminhei até a janela e puxei as cortinas pesadas. O sol estava se pondo, tingindo o horizonte de um vermelho sangrento. Lá embaixo, vi Gonçalo conversando com outros dois homens armados. Eles não eram apenas seguranças; eram soldados. E eu era o prêmio de guerra.

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