Mundo ficciónIniciar sesiónAcordar foi como emergir de um pesadelo para entrar em outro.
Abri os olhos e dei um salto, o coração disparando contra as costelas. Um homem estava parado ao pé da cama, observando-me com uma intensidade predatória. Ele era alto, de uma elegância perigosa, com traços esculpidos e um olhar que parecia ler meus segredos mais sombrios. — Quem é você? O que faz aqui? — me afastei, encostando na cabeceira. — Sou seu novo dono — ele disse, com uma calma que me irritou profundamente. — Eu não sou um objeto para ter dono! — rebati, a raiva superando o medo. Ele deu um passo à frente, um sorriso de canto de boca surgindo. — Não foi o que seu pai disse quando assinou o contrato. — Meu pai é um bêbado, um filho da puta que não sabe o que faz! — disparei. Dominic soltou uma risada curta, seca. — Gostei de você. Tem a língua afiada. Veremos quanto tempo isso dura. Ele caminhou em minha direção, as mãos nos bolsos da calça de alfaiataria, e antes que eu pudesse reagir, me prensou contra a parede. O calor do seu corpo e o cheiro de perfume caro misturado a tabaco me cercaram. — Isso é uma pena — sussurrei, encarando-o de perto — porque eu não gosto de sequestradores. É melhor você não me tocar. Ele aproximou o rosto do meu pescoço, a respiração quente arrepiando minha pele. — No final, pequena… será você quem vai implorar para que eu te toque. — Isso é impossível. Eu… tenho namorado. Menti. Ele me encarou por um longo instante, como se quisesse perfurar minha alma. Depois, sorriu. — Eu sei que está mentindo. Acha que não investiguei sua vida antes? Sei que está solteira. E sei que é virgem. Ele passou a mão sobre a minha perna despida, e senti um calor percorrer meu corpo. Uma coisa que nunca tinha sentido antes. — Sei que ninguém nunca tocou em você antes — ele sussurrou no meu ouvido. Minhas pernas fraquejaram. — Quer que eu te ensine? Meu peito batia muito mais rápido. Quem é esse homem? E, com a mesma rapidez com que apareceu, ele se afastou e saiu do quarto, deixando-me trêmula e com o eco de suas palavras queimando em minha mente. Continuei ali, prensada contra a parede, sentindo o rastro de calor que a mão de Dominic havia deixado na minha pele. Meu corpo parecia trair minha mente; eu deveria estar sentindo apenas nojo, mas havia um formigamento desconhecido, uma eletricidade perigosa que me assustava mais do que a própria prisão. — Maldito... — sussurrei, limpando o pescoço com as costas da mão, como se pudesse apagar a sensação da respiração dele. Caminhei até a janela e puxei as cortinas pesadas. O sol estava se pondo, tingindo o horizonte de um vermelho sangrento. Lá embaixo, vi Gonçalo conversando com outros dois homens armados. Eles não eram apenas seguranças; eram soldados. E eu era o prêmio de guerra.






