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5: Uma fuga que não deu certo

O pânico é um motor potente. Naquela manhã, o medo da noite anterior se transformou em uma coragem desesperada. Eu precisava tentar. Dominic podia ter comprado meu pai, podia ter comprado o cartão de crédito, mas ele não podia ter comprado as leis. Ou assim eu pensava, na minha doce e estúpida inocência.

Estávamos novamente no centro, dessa vez em uma área aberta, a caminho de uma joalheria. Lilian estava distraída com o celular, e Gonçalo mantinha uma distância de três metros, confiante demais na minha submissão. Foi quando eu o vi.

Um oficial de farda azul, encostado em uma viatura na esquina. O símbolo da autoridade. Meu passaporte para a liberdade.

Prendi a respiração e, em um movimento súbito, rompi a caminhada. Corri. Meus pés atingiram o asfalto com força enquanto eu ouvia o grito abafado de Gonçalo atrás de mim.

— Socorro! — gritei, chegando ao policial antes que Gonçalo pudesse me alcançar. — Por favor, você precisa me ajudar! Eu fui sequestrada!

Segurei os braços do oficial, minhas mãos tremendo, as lágrimas turvando minha visão.

— Aquele homem… ele me mantém presa! Meu pai me vendeu, eu estou em perigo! Por favor, me leve para a delegacia agora!

O policial não se moveu. Ele não sacou a arma, não me protegeu, nem sequer pareceu surpreso. Lentamente, olhou por cima do meu ombro, e um sorriso largo, quase servil, surgiu em seu rosto.

— Senhor Dominic — disse o guarda, a voz carregada de uma deferência que fez meu sangue congelar. — Bom dia. Parece que a sua… protegida… está um pouco confusa hoje.

Meu coração parou. O mundo pareceu girar em câmera lenta enquanto eu me virava.

Dominic estava parado logo atrás de mim. Ele não estava correndo, não estava ofegante. Estava com as mãos nos bolsos da calça social, exalando uma calma letal. Ele não parecia um sequestrador; parecia o dono da rua, do ar e de todos os homens que o respiravam.

— Peço desculpas pelo transtorno, oficial — Dominic disse, com um sorriso gélido que não chegava aos olhos. — Ela tem crises de ansiedade severas. O trauma da morte da mãe às vezes a faz confundir a realidade.

— Eu entendo perfeitamente, senhor — o guarda respondeu, inclinando a cabeça. — É um prazer vê-lo. Precisa de escolta?

— Não será necessário. Ela já está voltando para casa.

Dominic deu um passo à frente. O policial, o homem que deveria me salvar, simplesmente deu um passo para o lado, abrindo caminho para o meu captor.

Dominic segurou meu braço. Não foi um toque gentil. Seus dedos se fecharam como algemas de aço ao redor do meu pulso, puxando-me para perto do seu corpo quente e intimidador.

— Acabou o teatrinho, Luísa? — ele sussurrou, a voz vibrando de ódio contido perto do meu ouvido.

Ele me arrastou em direção ao seu carro particular, um sedã preto que parecia uma fera à espreita. Gonçalo abriu a porta traseira com uma expressão sombria. Dominic me jogou para dentro do banco de couro e entrou logo em seguida, fechando a porta com um estrondo que selou meu destino.

O motor rugiu, e o carro disparou. O silêncio dentro do veículo era ensurdecedor. Dominic não olhava para mim; olhava para a estrada. Mas eu conseguia sentir a fúria emanando dele em ondas.

— Você achou mesmo que um distintivo de merda ia me parar nesta cidade? — ele perguntou, sem desviar os olhos da frente. — Eu pago o salário daquele homem. Eu pago a reforma da delegacia dele. Eu sou a lei aqui, Luísa.

— Você é um monstro — eu solucei, encolhida contra a porta.

Ele freou o carro bruscamente no acostamento de uma estrada deserta, virando-se para mim com uma rapidez que me fez gritar. Inclinou-se sobre o banco, prendendo-me contra o assento, seu rosto a milímetros do meu.

— Eu tentei ser paciente. Tentei te dar roupas, comida e conforto. Mas se você quer ser tratada como uma prisioneira, eu ficarei feliz em atender seu pedido.

Ele segurou meu queixo com força, forçando-me a encará-lo.

— Ninguém vem te buscar. Ninguém vai te salvar. A partir de agora, o seu mundo termina onde o meu começa. Ficou claro?

Eu não conseguia responder, apenas soluçar. Ele soltou meu rosto com um gesto de desprezo e voltou a dirigir, com uma velocidade que deixava claro: o tempo de delicadeza tinha terminado.

Eu não tinha mais um pai, não tinha mais um nome e, agora eu sabia, não tinha mais para onde fugir.

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