3: Gaiola de ouro

Passei horas andando de um lado para o outro. A fome começou a apertar, mas o medo de sair daquele quarto era maior. Foi quando ouvi duas batidas leves.

— Posso entrar? — Era Lilian.

Ela trazia uma bandeja com um aroma que fez meu estômago roncar: sopa de legumes, pães artesanais e uma taça de vinho.

— O Sr. Dominic disse que você precisava comer. Ele vai sair para resolver "negócios" e só volta tarde.

— Ele sempre é assim? — perguntei, sentando-me à pequena mesa de canto. — Tão… invasivo?

Lilian suspirou, sentando-se na ponta da cama enquanto eu comia.

— Ele é um homem que está acostumado a ter o controle de tudo, Luísa. Quando ele perdeu a família, jurou que nunca mais seria pego de surpresa. O problema é que ele esquece que as pessoas não são soldados.

— Eu não sou uma pessoa para ele. Sou uma "propriedade".

— Ele diz isso para se proteger. Mas o jeito que ele saiu daquele quarto… ele parecia perturbado. E Dominic Rossi nunca fica perturbado.

Terminei de comer em silêncio. Lilian me ajudou a encontrar algumas roupas no armário — peças de seda e linho que claramente não eram minhas, mas que serviam perfeitamente.

— Tome um banho e tente descansar. Amanhã começa a sua "instrução".

— Instrução? Para quê?

— Dominic não mantém ninguém nesta casa que não tenha uma utilidade. Ele vai decidir o que fazer com você.

O banho foi longo. Tentei lavar não apenas a sujeira, mas a sensação das mãos do meu pai e o toque de Dominic. Deitei-me na cama imensa, enrolada em um robe de cetim, mas o sono não vinha. Cada estalo da casa parecia um passo dele em direção à minha porta.

Já passava da meia-noite quando ouvi o som de um motor potente rugindo no pátio. Corri para a janela. Dominic desceu de um SUV preto. Ele parecia tenso, a camisa desabotoada no colarinho, os movimentos rápidos.

Antes que eu pudesse me afastar, ele olhou para cima. Seus olhos cinza encontraram os meus através do vidro. Ele não desviou o olhar. Ficou ali, parado na penumbra, observando-me com aquela mesma intensidade predatória de mais cedo.

Recuei, fechando a cortina rapidamente, o coração martelando.

Poucos minutos depois, ouvi passos pesados no corredor. Eles pararam diante da minha porta. Prendi a respiração, segurando o robe contra o peito. A maçaneta girou lentamente, mas a porta estava trancada por dentro.

Houve um longo silêncio.

— Eu sei que você está acordada, Luísa — a voz dele atravessou a madeira, baixa e rouca. — Aproveite o silêncio de hoje. Amanhã, você vai descobrir que o seu pai foi misericordioso perto do que eu posso ser.

Os passos se afastaram. Eu me encolhi na cama, entendendo que a minha virgindade era apenas o começo do que ele pretendia tirar de mim. Ele queria a minha alma. E, pela primeira vez na vida, eu não tinha certeza se conseguiria mantê-la. l l l l

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