Mundo ficciónIniciar sesiónRecém-formada em Pedagogia, Helena tem apenas 19 anos e carrega no coração a doçura de quem veio do interior e acredita no amor, mesmo sem nunca o ter vivido por completo. Professora do ensino infantil, ela encontra conforto na inocência das crianças — até que o destino a coloca frente a frente com um homem que mudará a sua vida para sempre. Arthur Montenegro é um CEO multimilionário, poderoso e enigmático. Marcado por um casamento destruído pela traição, ele ergueu muros intransponíveis à sua volta, decidido a nunca mais se entregar a um romance. O único ponto frágil do seu mundo é o sobrinho de três anos, que ele vai buscar à escola… exatamente onde Helena leciona. O primeiro encontro é intenso, inexplicável. Olhares que carregam memórias que nenhum dos dois consegue explicar. Sonhos, sensações e fragmentos de um passado que não viveram — pelo menos não nesta vida. À medida que a proximidade cresce, segredos começam a emergir, revelando uma verdade impossível de ignorar: eles já se amaram numa vida passada. Presos entre o medo, o desejo e um destino que insiste em uni-los, Helena e Arthur terão de decidir se são capazes de desafiar as dores do passado e os mistérios que os cercam. Assim como na outra vida, ele torna-se o primeiro homem da vida dela — e talvez o único capaz de despertar um amor que atravessa o tempo. Um romance intenso, repleto de drama, mistério e emoções profundas, onde o amor não conhece limites… nem mesmo o da morte.
Leer másHelena Azevedo
Nunca acreditei em destino.
Cresci numa cidade pequena demais para grandes coincidências e simples demais para mistérios. Lá, tudo tinha explicação: o sino da igreja marcava as horas, as pessoas sabiam o nome umas das outras e o futuro parecia seguir uma linha reta e previsível. Eu achava que a minha vida também seria assim.
Até ele entrar na minha sala de aula.
O cheiro de tinta guache ainda estava no ar quando ouvi a porta abrir. Era final de tarde, as crianças já começavam a ficar inquietas, e eu organizava os desenhos do dia com aquele cansaço doce de quem ama o que faz. Quando levantei os olhos, o mundo pareceu… falhar por um segundo.
Alto. Elegante. Um olhar frio, intenso, quase sombrio. Ele usava um terno impecável, completamente fora do universo colorido da educação infantil. Mas não foi isso que me deixou sem ar. Foi a sensação absurda que atravessou o meu peito — como se o meu coração o reconhecesse antes mesmo da minha mente.
— Boa tarde — ele disse, com a voz grave e controlada. — Vim buscar o meu sobrinho, o Miguel.
Demorei um segundo a reagir. Senti as mãos tremerem, algo que nunca me acontecia. Forcei um sorriso profissional, tentando ignorar o turbilhão dentro de mim.
— Claro… o Miguel está ali — apontei, ainda sem conseguir sustentar o olhar por muito tempo.
Enquanto ele se aproximava da criança, observei-o em silêncio. Havia algo naquele homem que não combinava apenas com poder ou riqueza. Era dor. Uma dor antiga, guardada com rigor. Eu não sabia como, mas sentia isso com uma clareza assustadora.
Miguel correu para ele, chamando “tio” com alegria. E foi nesse momento que vi o contraste: o homem frio transformou-se por segundos. A dureza no olhar suavizou, os lábios quase sorriram. Aquela imagem ficou gravada em mim de um jeito estranho… íntimo demais para um primeiro encontro.
Quando ele voltou a olhar para mim, nossos olhos se cruzaram novamente.
E então aconteceu.
Uma onda de calor percorreu o meu corpo. Imagens confusas passaram pela minha mente — risos que não reconhecia, mãos entrelaçadas, uma promessa sussurrada à luz de velas. Afastei o olhar assustada, o coração disparado.
O que está acontecendo comigo?
— Professora… — ele chamou, baixo.
— Helena — respondi num fio de voz. — Meu nome é Helena.
Ele assentiu lentamente, como se o nome despertasse algo nele também.
— Arthur — disse. Apenas isso. Arthur.
Houve um silêncio estranho entre nós. Um silêncio cheio de coisas não ditas, de perguntas que não sabíamos formular. Senti-me pequena diante dele, não apenas pela diferença de idade ou posição, mas pela intensidade inexplicável que nos ligava.
Quando ele se despediu e saiu com o sobrinho, pensei que tudo acabaria ali.
Voltei a organizar os brinquedos, mas a minha mente continuava presa à imagem dele. Era impossível não pensar. Arthur não parecia apenas um homem bonito — havia nele uma presença que ocupava espaço, mesmo quando já não estava ali.
Ele devia ter por volta de 30, pensei. Jovem demais para carregar aquele olhar cansado… e maduro demais para passar despercebido. O rosto era marcado por traços firmes, masculinos, como se a vida o tivesse moldado à força. A barba por fazer destacava ainda mais o maxilar forte, e o cabelo escuro, perfeitamente alinhado, denunciava alguém que controlava tudo ao seu redor — inclusive a própria imagem.
Mas foram os olhos que me deixaram inquieta.
Eram escuros, profundos, quase insondáveis. Olhos de quem já amou e perdeu. De quem aprendeu a se fechar para sobreviver. Quando me olharam, senti como se ele estivesse a enxergar algo além da professora jovem e simples que eu era… como se visse a minha alma nua.
O terno que ele usava era claramente caro, ajustado ao corpo atlético de quem frequenta academias e reuniões importantes. Nada nele parecia fora do lugar. Ainda assim, havia uma contradição dolorosa: por trás daquela elegância impecável, existia um homem quebrado.
E eu senti isso.
Senti como se aquela dor chamasse pela minha, mesmo que eu não soubesse explicar por quê. Eu, que nunca tinha sido tocada por outro homem. Eu, que só conhecia o amor pelos livros e pelos sonhos de menina do interior.
Passei o resto do dia tentando ignorar o aperto no peito. Disse a mim mesma que era apenas curiosidade, talvez admiração. Mas no fundo… eu sabia que não era só isso.
Porque quando fechei os olhos naquela noite, antes de dormir, a imagem dele voltou com força.
Mas naquela noite, sonhei com ele.
Sonhei com um amor antigo. Com lágrimas. Com despedidas dolorosas. Sonhei que ele me chamava de “minha”, como se já o tivesse sido antes. Acordei com o peito apertado e a certeza que mudou tudo:
Eu podia não acreditar em destino.
Mas o destino acreditava em mim.
A manhã chegou devagar, quase respeitosa, como se o mundo soubesse que dentro daquela casa existiam silêncios que não podiam ser quebrados com pressa. Helena abriu os olhos antes mesmo do despertador tocar. Por um instante, não reconheceu o quarto. O teto branco, as cortinas claras, o silêncio diferente. Então a lembrança veio inteira, como um sopro quente no peito: ela estava na casa de Arthur.O beijo.A chuva.O jeito como ele segurara seu rosto.Seu coração acelerou imediatamente, como se tivesse acabado de correr. Levou a mão ao peito, respirando fundo, tentando se acalmar. Sentia o corpo estranho, sensível, como se cada centímetro ainda estivesse desperto. Não tinha dormido de verdade. Apenas cochilado entre pensamentos, imagens e sensações que insistiam em voltar.Levantou-se devagar, vestindo novamente a camisa dele que havia usado para dormir. O tecido ainda carregava o cheiro masculino que a deixava confusa e, ao mesmo tempo, estranhamente segura. Caminhou até a porta do qua
O quarto de hóspedes estava mergulhado em um silêncio quase absoluto, quebrado apenas pelo som distante da chuva que ainda insistia em cair, agora mais fraca, como se também estivesse cansada. Helena estava deitada de lado, encarando a parede, os olhos abertos, o coração acelerado demais para permitir qualquer descanso.O beijo.A lembrança vinha como uma onda, repetidas vezes, sem pedir licença. O toque das mãos dele em seu rosto, o calor, a urgência contida, a forma como o mundo pareceu desaparecer por alguns segundos. Ela levou a mão aos lábios, como se ainda pudesse sentir o gosto dele ali. Nunca tinha sido beijada antes — e isso tornava tudo ainda mais intenso, quase avassalador.— Meu Deus… — murmurou baixinho, virando-se de barriga para cima.O corpo não conseguia relaxar. Havia uma sensação nova, quente, pulsando sob a pele, misturada com algo mais profundo, quase antigo. Não era apenas desejo. Era reconhecimento. Como se aquela experiência tivesse despertado algo que sempre e
O céu já estava carregado quando o taxi parou em frente à casa de Arthur. Nuvens escuras se acumulavam como se refletissem exatamente o que ela sentia por dentro. O coração batia acelerado, não de medo, mas de raiva — uma raiva misturada com frustração, saudade e uma sensação amarga de estar sendo afastada sem explicação.Ela respirou fundo por um segundo, mas não deu tempo para o bom senso intervir. Abriu a porta do carro decidida, sentindo as primeiras gotas de chuva caírem sobre seus cabelos.Caminhou até a porta e tocou a campainha com mais força do que pretendia.Arthur abriu a porta poucos segundos depois, visivelmente surpreso. Vestia uma camiseta simples e calça escura, o cabelo levemente bagunçado, como se tivesse sido arrancado de um pensamento profundo.— Helena? — ele disse, confuso. — O que você…?— Posso entrar? — ela perguntou, já ultrapassando o limite da porta antes mesmo da resposta.Arthur deu espaço automaticamente, fechando a porta atrás dela enquanto tentava ente
Helena acordou antes do despertador tocar. O quarto ainda estava mergulhado numa penumbra suave, e por alguns segundos ela ficou imóvel, encarando o teto, tentando identificar o que a havia despertado. Não era barulho. Não era um sonho claro. Era aquela sensação persistente no peito — uma mistura de expectativa e cansaço — como se o coração tivesse passado a noite inteira acordado.Sentou-se devagar na cama, apoiando os pés no chão frio. Respirou fundo. Hoje eu vou tentar voltar ao normal, prometeu a si mesma. Precisava disso. Precisava da rotina como quem precisa de um chão firme depois de dias andando em areia fofa.No banho, deixou a água quente cair sobre os ombros, tentando lavar não só o corpo, mas os pensamentos. Pensou em Arthur — e imediatamente se repreendeu. Pensou nas crianças da escola, em Miguel, no sorriso fácil dele, na forma como a presença de Arthur parecia sempre alterar o ar ao redor. Fechou os olhos com força.— Chega — murmurou.Vestiu-se com cuidado, escolheu um
Arthur estava sentado à mesa da cozinha, mas não via o café à sua frente. O vapor subia lentamente da xícara, dissipando-se no ar como os pensamentos que ele não conseguia organizar. O peito apertava de um jeito estranho, dolorido, como se algo estivesse sendo arrancado de dentro dele aos poucos, sem aviso, sem anestesia. Ele levou a mão ao centro do tórax, respirou fundo, tentando ignorar aquela sensação sufocante.Foi inútil.As lágrimas começaram a escorrer sem que ele percebesse. Não vieram com soluços nem com barulho. Apenas desceram, silenciosas, pesadas, como tudo o que ele vinha guardando há anos.— Arthur… — a voz de Dona Maria soou baixa, cuidadosa.Ele ergueu os olhos, surpreso por ter sido visto naquele estado. Tentou limpar o rosto rapidamente, como se ainda fosse possível esconder alguma coisa.— Eu tô bem — disse, a voz falhando no meio da frase.Dona Maria não respondeu de imediato. Apenas puxou uma cadeira e sentou-se à sua frente. O movimento foi lento, respeitoso. D
A noite tinha caído devagar, como se a cidade também estivesse cansada. Helena estava sozinha em casa, sentada no sofá, com as luzes apagadas e apenas o abajur da sala aceso, criando sombras suaves nas paredes. O silêncio não era incômodo — era denso. Carregado de pensamentos que ela vinha tentando organizar desde que voltara da casa dos pais.Sobre a mesa de centro, havia uma pequena pilha de coisas que ela tirara das gavetas durante a arrumação da tarde: cartas antigas da família, fotografias amareladas, um terço que fora da avó, e um caderno de capa simples que ela não lembrava exatamente quando tinha comprado. Abriu-o por curiosidade. As primeiras páginas estavam em branco, mas mais adiante havia frases soltas, escritas com a própria letra.“Eu prometi esperar.” “Mesmo que em outra vida.”Helena franziu a testa. Não lembrava de ter escrito aquilo. Passou os dedos pelas palavras, sentindo um arrepio percorrer-lhe a espinha. O coração bateu mais rápido, não de medo, mas de reconhec
Último capítulo