Arthur Montenegro
Eu não queria sair naquela noite.
O convite do Eduardo tinha vindo mais cedo, durante uma reunião interminável, e eu aceitei quase por reflexo. Um jantar rápido, conversa trivial, negócios misturados com amizade antiga. Nada que exigisse muito de mim. Ainda assim, enquanto ajustava o nó da gravata diante do espelho, senti aquele incômodo conhecido no peito. O mesmo que vinha me acompanhando há dias.
Helena.
O nome surgiu na minha mente sem pedir permissão. Fechei os olhos por um segundo, respirando fundo, como se isso fosse suficiente para afastar pensamentos indesejados. Não era. Desde a semana anterior, eu vinha acordando com a sensação estranha de que algo estava fora do lugar. Um vazio inquieto, uma presença invisível que me acompanhava mesmo nos momentos mais cheios.
— Você está ficando ridículo — murmurei para mim mesmo.
Peguei as chaves, saí do apartamento e deixei que a cidade me engolisse. O trânsito, as luzes, o barulho… tudo aquilo costumava me acalmar. Se