Mundo de ficçãoIniciar sessãoMarco Moretti vive de controle. CEO bilionário, poderoso, reservado, ele domina números, empresas e pessoas. Menos o passado que mantém trancado atrás de uma porta que ninguém jamais abriu. Luna Ferreira só queria um trabalho. Arquiteta talentosa, espirituosa, dona de uma beleza que não pede permissão, ela aceita um projeto temporário sem imaginar que o cliente é um homem que exala perigo, silêncio e desejo contido, nem que aquela casa guarda muito mais do que problemas estruturais. Desde o primeiro encontro, a atração entre eles é imediata, física, perturbadora. Daquelas que se sente no corpo antes de chegar à razão. Enquanto Luna circula pela casa e se aproxima do quarto proibido, Marco luta para manter distância do que mais o ameaça: a forma como ela o faz querer tocar, ceder, sentir e coisas que ele jurou nunca mais permitir. Entre regras rígidas, provocações sutis, olhares que duram mais do que deveriam e um desejo que cresce a cada centímetro invadido, eles caminham perigosamente para um limite que não admite retorno. Porque algumas portas guardam segredos. Outras, culpas. E algumas escondem desejos que, uma vez despertos, não aceitam permanecer fechados.
Ler maisLuna
Eu aprendi cedo a identificar riscos estruturais. Pisos mal nivelados, vigas mal calculadas, falhas que parecem inofensivas até o momento exato em que deixam de ser. Aprendi a prever quedas antes que acontecessem, a enxergar problemas invisíveis para a maioria das pessoas, a confiar no meu olhar técnico mais do que na sorte. Ainda assim, não esperava que o primeiro sinal de perigo daquela noite fosse o meu salto escorregando em um salão lotado. O evento era grande demais, elegante demais, barulhento demais. Luzes quentes refletiam em taças de cristal, risadas ecoavam com a confiança típica de quem acredita que nada pode dar errado em ambientes caros e bem decorados. Homens de terno circulavam com passos seguros, mulheres equilibravam vestidos e saltos como se o mundo tivesse sido projetado exatamente para elas. Até deixar de ser. O chão cedeu um milímetro. Só isso. Mas foi o suficiente. Meu corpo inclinou para frente, o equilíbrio se perdeu em silêncio, e o constrangimento chegou antes da queda, rápido, certeiro, cruel. Aquela fração de segundo em que você já se imagina no chão, cercada de olhares, transformada em comentário alheio antes mesmo de tocar o piso. Eu não caí. Uma mão firme me segurou pela cintura. Grande. Segura. Quente. Por um segundo meu cérebro simplesmente desligou, porque não era todo dia que alguém segurava você como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo, como se não houvesse esforço, nem hesitação, nem necessidade de exibição. — Cuidado — disse uma voz masculina, baixa, grave, absurdamente calma. Levantei o rosto no mesmo instante. Ele era alto. Muito alto. Daqueles homens que fazem você perceber a própria altura sem que precisem dizer uma palavra. Ombros largos preenchiam o terno escuro com facilidade, a postura impecável denunciava alguém acostumado a ser observado, obedecido, respeitado. O corpo era forte sem exagero, contido, elegante, como se cada movimento tivesse sido aprendido ao longo de anos de autocontrole. O rosto era bonito de um jeito sério. Maxilar marcado, barba curta por fazer, traços firmes. Os olhos, escuros e atentos, não combinavam com o ambiente de festa. Não havia dispersão ali. Ele observava tudo como quem avalia riscos. O tipo de olhar que não se perde. — Obrigada — eu disse, tentando soar normal, enquanto meu coração claramente não colaborava. — Acho que quase inaugurei um desastre público. O olhar dele desceu rápido, avaliando se eu estava bem, antes de voltar ao meu rosto. — O piso está irregular ali — respondeu, com uma tranquilidade irritante. — Não é você. Aquilo arrancou de mim um sorriso imediato. — Fico aliviada. Prefiro culpar a arquitetura, é mais profissional da minha parte. O canto da boca dele se moveu. Não chegou a ser um sorriso completo, mas eu vi. Vi também o relógio caro no pulso forte, discreto demais para quem não precisava provar nada. Poder silencioso. Daquele que não pede atenção, mas recebe. — Marco — ele disse. — Luna. Afastei-me um pouco, endireitando o corpo, ajeitando o vestido, e odiei perceber que, mesmo ereta, ainda precisava levantar o rosto para encará-lo. Um centímetro, pensei. Era só isso que faltava para alcançar o mítico um e setenta, aquela altura oficialmente considerada respeitável, apesar de eu disfarçar muito bem com saltos e uma postura confiante que enganava até a mim mesma. A diferença entre nós era gritante. Uns Vinte centímetros com certeza. O silêncio se estendeu por um segundo a mais do que o necessário. Ele me observava com atenção demais, como se estivesse registrando detalhes que eu não tinha autorizado, e aquilo me deixou estranhamente consciente do meu próprio corpo, da minha respiração, da proximidade. — Bom… — apontei vagamente para o salão. — Obrigada por evitar minha humilhação pública. — Disponha — respondeu, com uma voz controlada demais para alguém que ainda me segurava segundos antes. — E cuidado por onde pisa. Marco se afastou antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa inteligente para dizer. Não trocamos contatos. Não fizemos promessas. Não houve nada além daquela sensação incômoda de algo inacabado, como uma porta que não se fecha direito, como um assunto interrompido no meio da frase. Passei o resto da noite tentando convencer a mim mesma de que aquilo tinha sido apenas um acaso elegante. Falhei. Mais tarde, já em casa, descalça, o vestido jogado sobre a cadeira, meu telefone vibrou na mesa de cabeceira. A mensagem era da Helena, esposa do Tomás, uma amiga antiga que aparecia e desaparecia da minha vida com a mesma facilidade com que surgiam projetos improváveis. Lu, você está livre amanhã? O Tomás precisa indicar alguém de confiança para um cliente complicado. Sorri sozinha ao ler. Projetos urgentes, clientes difíceis e indicações feitas às pressas raramente terminavam bem. Ainda assim, respondi que sim, sem pensar duas vezes, sem imaginar que algumas coincidências começam muito antes de a gente perceber. E que algumas portas, quando se abrem, jamais voltam a ser apenas portas. 💌 Nota da Autora Algumas histórias nascem do desejo. Outras, do mistério. Essa nasceu do encontro entre os dois. A Porta Que o CEO Nunca Abriu é um romance sobre silêncios que pesam, portas que não foram feitas apenas para separar espaços e sentimentos que insistem em existir mesmo quando o passado pede cautela. Aqui, você vai encontrar drama, bom humor, desejo, aproximações imperfeitas e personagens que carregam mais do que mostram. Nada acontece rápido demais, mas tudo acontece com intenção. Se você gosta de histórias que aquecem, inquietam e deixam aquela sensação de “só mais um capítulo”, seja muito bem-vinda. Espero que você atravesse essa porta comigo, no seu tempo, no seu ritmo. Com carinho, VanessaLunaEu estava rindo quando aconteceu.Rindo de verdade, daquela risada solta que só aparece quando o Davi decide fazer uma análise completa e absolutamente desnecessária da minha vida amorosa recente, com direito a gráficos imaginários, teorias não solicitadas e conclusões dramáticas.— O problema — ele dizia, mexendo o café com intensidade exagerada — é que você tem um talento natural para homens emocionalmente indisponíveis. Se isso fosse esporte olímpico, você já teria medalha, patrocínio e documentário na Netflix.— Eu discordo — respondi. — O último era só confuso.— Confuso é o nome carinhoso que você dá para trauma com pernas — ele rebateu, sério demais para alguém falando besteira.Revirei os olhos, ainda sorrindo.A cafeteria era daquelas novas, modernas, escondidas em uma rua tranquila, com mesas pequenas demais para conversas longas, iluminação baixa, plantas penduradas e gente bonita fingindo que trabalhava enquanto observava todo mundo ao redor. O tipo de lugar onde você
LunaSe alguém me perguntasse quando exatamente as coisas começaram a mudar, eu não saberia responder com precisão.Não houve um gesto claro.Nenhuma conversa definitiva.Nenhum acontecimento óbvio.Foi algo mais sutil.Um deslocamento silencioso.Depois do episódio no corredor, Marco passou a circular pela casa de um jeito diferente. Não se escondia, não evitava encontros, mas parecia sempre um passo à frente, como quem antecipa riscos antes mesmo que eles existam.E eu comecei a notar os olhares.Não os diretos, esses eram raros, calculados, breves demais para serem acusados de qualquer coisa. Eram os outros. Os que surgiam quando ele achava que eu não estava prestando atenção, os que pesavam mais do que perguntas.Eu estava revisando medições na sala principal quando senti a presença dele antes mesmo de vê-lo. Aquela sensação estranha de ar mudando, de espaço sendo ocupado de forma definitiva.— Algum problema? — ele perguntou, encostado no batente da porta.— Nenhum — respondi. —
LunaDepois do que aconteceu no corredor, a casa mudou.Não fisicamente — as paredes continuavam no mesmo lugar, a luz entrava pelas janelas do mesmo jeito, Dona Teresa seguia com sua rotina silenciosa —, mas algo no ar parecia mais atento, como se tudo estivesse levemente em alerta.E Marco também.Ele não evitava minha presença, não se afastava de forma óbvia, mas havia uma contenção nova, quase palpável. Os olhares eram mais curtos, os silêncios mais longos, e cada frase parecia cuidadosamente medida antes de ser dita.Era estranho.Porque não havia hostilidade.Nem frieza.Havia cautela.Passei a manhã inteira revisando detalhes técnicos do projeto, concentrada demais para pensar nele o tempo todo, mas consciente o suficiente para perceber quando Marco surgia em algum cômodo. A presença dele mudava o ritmo do espaço, como se a casa se organizasse ao redor da figura alta e controlada que ele representava.— Precisa de algo? — ele perguntou em determinado momento, parado à porta da
Marco Eu não sonho. Ou pelo menos é isso que repito há anos, porque chamar aquilo de sonho sempre pareceu gentil demais para algo que vem em pedaços, sem lógica, sem começo nem fim, como tudo o que eu faço questão de manter fora da luz. O que acontece comigo à noite não constrói histórias. Não tem enredo, não tem sentido. São fragmentos. Sensações. Ruídos. Como se o passado tivesse aprendido a se infiltrar nos momentos em que minha vigilância falha. Naquela noite, veio diferente. Acordei com o peito apertado, o coração rápido demais, o corpo tenso como se ainda estivesse em movimento. Levei alguns segundos para entender onde estava, a cama grande demais, o teto alto demais, a ausência de qualquer som humano confirmando que eu tinha realmente despertado. O silêncio da casa era absoluto. Sentei-me na beira da cama e passei a mão pelo rosto, sentindo a umidade fria da pele, tentando afastar imagens que insistiam em permanecer, contaminadas pelo que tinha acontecido mais cedo naque
Luna Eu não percebi quando cheguei tão perto. Foi só quando meus dedos se ergueram, quase por reflexo, que me dei conta de que estava a poucos centímetros da maçaneta. Não por curiosidade banal, não por desafio, mas por uma sensação estranha, quase hipnótica, como se aquela porta tivesse puxado minha atenção aos poucos, sem pedir permissão. Branca. Lisa. Fria demais para um corredor que recebia sol quase o dia inteiro. A pintura estava impecável, sem marcas, sem desgaste, como se ninguém jamais tivesse tocado ali, o que, de alguma forma, tornava tudo ainda mais inquietante. A maçaneta refletia a luz de um jeito discreto, e por um segundo absurdo pensei em como seria o som ao girá-la, metálico, comum demais para algo que parecia carregar tanto peso. Era só uma porta. E, ainda assim, meu corpo não reagia como se fosse. Meu dedo indicador avançou, lento, quase curioso, como se eu estivesse sendo conduzida por algo que não sabia explicar. — Não toque. A voz surgiu at
Luna Davi percebeu antes de eu terminar a primeira frase. — Não — ele disse, largando a xícara na mesa com uma força teatral. — Não. Pela sua cara, eu já sei que isso não vai prestar. Revirei os olhos e afundei no sofá do apartamento dele, largando a bolsa no chão como quem deixa um dia inteiro cair junto. — Eu só comecei a falar. — Exatamente — ele respondeu. — E já começou com essa expressão de vou fingir que é só trabalho, mas não é. Suspirei. — É um cliente novo — comecei, tentando soar profissional. — Um projeto grande, complicado, cheio de regras estranhas. — Rico — ele interrompeu. — Reservado. — Rico reservado — corrigiu. — Difícil. — Bilionário? — perguntou, já sorrindo. — CEO — respondi. Ele levou a mão ao peito. — Ai, Luna. Começou errado. — Não é isso — tentei. — Ele é educado. Controlado. Quieto. — Lindo — completou. — Alto. — Muito alto. — Não exagera. — Luna, você mede um metro e sessenta e nove com documentação emocional questionável — ele disse. —
Último capítulo