Helena AzevedoAcordei antes do despertador.O quarto ainda estava mergulhado na penumbra suave da manhã, mas o meu coração já batia apressado, como se tivesse corrido durante a noite inteira. Levei a mão ao peito, tentando entender aquela sensação estranha — um misto de inquietação, calor e uma saudade que não fazia sentido algum.E então, como se fosse inevitável, o rosto dele surgiu na minha mente.Arthur.Os olhos escuros, profundos. A voz grave dizendo meu nome. O jeito sério, contido… e, ainda assim, carregado de algo que eu não sabia definir. Virei-me na cama, tentando afastar os pensamentos, mas quanto mais resistia, mais nítida a imagem ficava.Era como se ele tivesse deixado uma marca em mim.Levantei-me devagar, sentindo o corpo diferente, sensível, atento demais a tudo. No espelho do banheiro, encarei meu próprio reflexo e quase não me reconheci. Meus olhos pareciam mais brilhantes, as bochechas levemente coradas. Eu parecia… desperta. Não apenas do sono, mas de algo dentr
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