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Capítulo 3 — O Que Meu Corpo Lembra

Arthur Montenegro

Eu não costumava sonhar.

E quando sonhava, nunca era assim.

Aquela noite começou como todas as outras: silêncio, um copo de uísque intocado sobre a mesa e a sensação incômoda de que algo tinha saído do lugar. O rosto dela surgia na minha mente contra a minha vontade. Helena. Professora. Jovem demais. Doce demais. Perigosa demais para alguém como eu.

Deitei decidido a dormir, mas o sono veio pesado… e carregado de memórias que eu não lembrava de ter vivido.

No sonho, ela estava diante de mim.

Não com roupas simples de professora, mas envolta por uma luz quente, quase dourada. Os cabelos caíam soltos sobre os ombros, e o olhar — aquele mesmo olhar inocente — agora me encarava com entrega. Não havia medo nela. Havia reconhecimento.

Como se o corpo dela soubesse exatamente quem eu era.

Aproximei-me devagar. No sonho, eu não era o homem quebrado que acordava todos os dias. Eu era inteiro. E ela era minha. Sempre tinha sido. Quando toquei seu rosto, um arrepio percorreu-me inteiro. A pele dela sob os meus dedos despertou uma fome antiga, profunda, que não tinha nada a ver apenas com desejo.

Era saudade.

Ela encostou a testa na minha, respirando comigo, como se nossos corpos se lembrassem de um ritmo que a mente havia esquecido. O beijo veio lento, intenso, carregado de emoção — não era pressa, era necessidade. Cada toque dizia “eu esperei por você”. Cada suspiro dela ecoava dentro de mim como uma promessa cumprida.

No sonho, eu a puxava para mais perto, sentindo o calor do corpo dela contra o meu, encaixando-se com uma naturalidade assustadora. Não havia culpa. Não havia passado. Só nós dois… e uma intimidade que parecia ter sido construída ao longo de vidas.

Ela sussurrou o meu nome.

Não como quem aprende.

Mas como quem se lembra.

Ao ouvir meu nome saindo dos seus labior, senti como se aquela voz tivesse atravessado vidas para me alcançar. Segurei-a como se pudesse perdê-la a qualquer instante, como se o tempo estivesse prestes a nos separar outra vez.

Acordei de repente, com o coração acelerado e o corpo tenso, como se tivesse sido arrancado de algo real demais para ser apenas imaginação. Passei a mão pelo rosto, tentando recuperar o controle, mas a sensação dela ainda estava ali — viva, pulsando sob a minha pele.

Aquilo não tinha sido só um sonho.

Era uma lembrança.

Meu corpo lembrando de um amor que eu tentei esquecer… e que nunca me esqueceu.

Levantei-me, inquieto, andando pelo quarto escuro. Eu, que tinha jurado nunca mais me envolver. Eu, que tinha fechado o coração depois da traição, agora era perseguido por uma garota jovem que eu mal conhecia… e que, ainda assim, parecia ter me amado antes de tudo.

— Isso é loucura… — murmurei para mim mesmo.

Mas no fundo, eu sabia.

Quando nossos olhares se cruzaram naquela sala colorida, algo dentro de mim tinha despertado. Algo que eu tinha enterrado junto com o passado. E por mais que eu tentasse negar, uma verdade começava a se formar com clareza assustadora:

Helena não era apenas uma tentação.

Ela era o eco de um amor que nem o tempo conseguiu apagar.

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