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Capítulo 7 — Entre a Fuga e o Chamado

A semana passou arrastada para ambos, embora de maneiras muito diferentes.

Para Arthur Montenegro, os dias foram uma sequência precisa de reuniões, contratos e decisões estratégicas. Ele se manteve fiel ao que sempre fizera melhor: trabalhar até a exaustão. Chegava cedo ao escritório, saía tarde, evitava pausas desnecessárias e, principalmente, evitava pensar. Quanto mais ocupado estivesse, menor a chance de dar espaço àquela sensação incômoda que insistia em crescer dentro dele.

Ainda assim, era inútil.

Entre uma reunião e outra, enquanto encarava gráficos ou ouvia relatórios, flashes surgiam sem aviso. Um olhar feminino que não estava ali. Uma presença sentida mais do que vista. Às vezes, uma imagem rápida demais para ser compreendida — mãos entrelaçadas, um sorriso suave, um sentimento antigo de pertencimento. Arthur cerrava o maxilar, respirava fundo e voltava ao foco.

Ele sabia fugir. Sempre soubera.

Mas também sabia reconhecer quando algo ameaçava sua paz. E aquela conexão inexplicável, silenciosa e persistente tinha exatamente esse potencial. No fundo, Arthur tinha plena consciência de que não era apenas desejo ou curiosidade. Era algo mais perigoso. Algo que não respeitava as regras que ele havia imposto à própria vida depois da traição, das perdas e da dor.

Por isso, manteve distância.

Durante toda a semana, pediu à babá que buscasse Miguel na escola. Dizia a si mesmo que era apenas praticidade, mas cada noite, ao ouvir o sobrinho contar histórias do dia, sentia uma pontada estranha no peito. Não era culpa. Era receio. Arthur temia que, ao cruzar novamente com Helena, perdesse o controle que lutara tanto para manter.

À noite, porém, o controle falhava.

O sono vinha carregado de imagens fragmentadas. Não eram sonhos comuns. Eram cenas incompletas, intensas demais para serem ignoradas. Ele via uma mulher — sempre ela — em ambientes que não reconhecia, sob luzes quentes, envoltos por uma intimidade que o fazia acordar com o coração acelerado. Em algumas noites, sentia até o peso da ausência ao despertar, como se tivesse sido arrancado de algo real.

Arthur jamais comentaria aquilo com ninguém.

Limitava-se a levantar, vestir-se e seguir em frente, repetindo mentalmente que tudo passaria. Que sentimentos também cansam. Que tudo pode ser controlado.

Ele estava errado.

Enquanto isso, Helena Azevedo vivia dias igualmente difíceis, embora muito mais confusos. Para ela, que sempre teve uma vida simples, previsível e organizada em pequenos sonhos, aquela semana foi como caminhar por um território desconhecido.

Na escola, continuava sendo a professora doce e dedicada que todos conheciam. Sorria para as crianças, participava das atividades, conversava com os colegas. Por fora, nada havia mudado. Por dentro, porém, tudo parecia fora do lugar.

Helena sentia medo.

Não de Arthur em si, mas do que despertava nela. Durante as noites, o sono era leve e inquieto. Assim que fechava os olhos, imagens surgiam — flashes rápidos, desconexos, mas carregados de emoção. Um toque que ela nunca vivera. Um olhar intenso demais para ser invenção. Uma sensação de intimidade que fazia seu corpo reagir de formas que ela não entendia.

Acordava com o coração acelerado, a respiração curta e uma estranha mistura de vergonha e saudade.

Saudade de algo que ela não sabia nomear.

Durante o dia, tentava racionalizar. Dizia a si mesma que era imaginação, influência de livros românticos, talvez o impacto de um homem muito diferente de tudo o que já conhecera. Mas essas explicações nunca pareciam suficientes. O que sentia vinha de um lugar mais fundo, mais antigo, como se não tivesse começado ali.

Às vezes, ao observar Miguel brincando, Helena sentia uma emoção inesperada. Uma ternura profunda, quase dolorosa, que não sabia explicar. Era como se aquela criança estivesse ligada a algo maior, a um destino que ela ainda não compreendia completamente.

Ela também percebeu a ausência de Arthur.

Todos os dias, ao se aproximar do horário de saída, seu coração acelerava discretamente. E todos os dias, ao vê-lo não aparecer, vinha a mesma sensação: decepção misturada com alívio. Uma parte dela queria vê-lo. Outra tinha medo do que sentiria se isso acontecesse.

Helena conversou com Laura mais de uma vez naquela semana. Não contou tudo — ainda não tinha palavras para isso —, mas admitiu que algo estava acontecendo. Algo que a tirava do eixo. Laura ouviu, aconselhou calma, pediu que Helena respeitasse seus próprios limites. Ainda assim, nem mesmo a amiga conseguia afastar aquele sentimento crescente de inevitabilidade.

Ambos estavam sendo puxados por algo que não compreendiam.

Arthur fugia porque sabia, no fundo, que aquele sentimento tinha força suficiente para quebrar as muralhas que ele ergueu ao redor do coração. Helena temia porque sentia que aquilo mudaria tudo o que ela acreditava ser.

E, em silêncio, separados pela distância e unidos por algo invisível, os dois compartilhavam os mesmos flashes durante o sono. As mesmas imagens incompletas. As mesmas sensações de um amor que parecia existir além do tempo.

Era apenas o começo.

E, mesmo tentando negar, ambos sabiam: mais cedo ou mais tarde, aquela conexão exigiria ser enfrentada.

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