Mundo de ficçãoIniciar sessãoAnna Santos sempre acreditou que conseguiria mudar a própria vida com esforço e coragem. Mas quando a mãe adoece gravemente e precisa de um tratamento caro em outro estado, o desespero a leva a aceitar a proposta errada. Viajando como imigrante ilegal para os Estados Unidos, Anna acredita que está fazendo o necessário para salvar quem ama — até descobrir que caiu nas mãos de pessoas cruéis e manipuladoras. Após um procedimento médico que ela pensa ser uma simples doação de óvulos, Anna descobre que está inexplicavelmente grávida. Sem documentos, sem apoio e em profundo luto pela morte da mãe, ela tenta reconstruir a própria vida em silêncio. Mas, antes que consiga entender o que está acontecendo com seu corpo, o bebê nasce… e é roubado. Do outro lado da cidade, o bilionário Owen Davis acredita que sua noiva finalmente lhe deu a filha tão desejada. Ele não sabe que a mulher que está prestes a se casar com ele o engana — e que a criança que ele segura nos braços é fruto de um plano sombrio que envolve sua fortuna e a ingenuidade de uma jovem vulnerável. Meses depois, sem saber a verdade, Anna aceita um emprego como babá na mansão Davis. Ao conhecer a bebê, algo dentro dela desperta — um reconhecimento inexplicável, um laço que ela não consegue nomear. Enquanto Owen começa a se aproximar da nova babá, segredos perigosos começam a vir à tona. Agora, Anna terá que enfrentar o passado, lutar pela vida que tiraram dela… E descobrir até onde pode ir para recuperar sua filha — e talvez, encontrar o amor que jamais imaginou.
Ler maisAssim que Anna deixou a clínica, ainda atordoada pela confirmação da gravidez, Seline permaneceu alguns segundos sentada atrás da mesa, em silêncio absoluto. Seu rosto sério desapareceu no instante em que a porta se fechou. Ela respirou fundo, pegou o celular e discou um número que sabia de cor.— Chiara — disse assim que a ligação foi atendida.— Fala — respondeu a outra, em tom impaciente. — E então?— Está confirmado — Seline falou, com um leve sorriso na voz. — Anna está grávida.Do outro lado da linha, houve um breve silêncio. Em seguida, um suspiro satisfeito.— Ela suspeita de alguma coisa?— Veio à clínica hoje, desesperada — explicou Seline. — Exigindo explicações. Está assustada, confusa… exatamente como esperado.— Ótimo — Chiara respondeu. — E você controlou a situação?— Perfeitamente. Ela confia em mim — Seline disse, com segurança. — Tudo está correndo conforme o planejado.Chiara riu baixo.— Então agora é só garantir que ela não faça nenhuma besteira.— Não se preocup
Anna mal conseguiu fechar a porta do apartamento antes de desabar em lágrimas novamente. O teste de gravidez ainda estava sobre a pia do banheiro, como uma prova cruel de algo que ela não aceitava. Depois de alguns minutos tentando recuperar o controle da respiração, enxugou o rosto e tomou uma decisão. Ela não podia continuar assim. Precisava de respostas. Vestiu-se às pressas e saiu de casa com o coração disparado. Durante o trajeto até a clínica, sua mente alternava entre esperança e pânico. Talvez tudo não passasse de um erro. Talvez o médico do hospital estivesse enganado. Talvez aquele teste estivesse com defeito. Talvez eu não esteja grávida. Era nessa ideia que ela se agarrava enquanto atravessava a porta de vidro da clínica. O ambiente elegante e silencioso parecia o mesmo de sempre, mas Anna já não se sentia segura ali. Caminhou até a recepção com passos firmes, mesmo sentindo as mãos suarem. — Bom dia — disse, tentando manter a voz estável. — Eu preciso falar com a d
Anna não dormiu naquela noite.Deitada na cama estreita do pequeno quarto que alugava, ela encarava o teto como se ele pudesse lhe devolver alguma explicação. O corpo estava exausto, mas a mente seguia em um turbilhão incessante. Cada vez que fechava os olhos, a voz do médico ecoava em sua cabeça.“Você está grávida.”Ela se virou de lado, puxando o cobertor até o queixo, como se aquilo pudesse protegê-la da realidade.— Não… — sussurrou no escuro. — Isso não faz sentido.Levantou-se de repente, sentindo o coração disparar. Caminhou até o pequeno espelho preso à parede e encarou o próprio reflexo. Parecia a mesma Anna de sempre — olheiras profundas, rosto pálido, cabelos presos de qualquer jeito. Nada indicava que algo tão grande estivesse acontecendo dentro dela.— Eu não fiz nada… — disse em voz alta, quase implorando que alguém ouvisse.A lembrança da clínica voltou com força.O consultório branco demais. O cheiro forte de desinfetante. O sorriso controlado de Seline. A pressa com
O quarto de observação estava silencioso demais.O bip constante do monitor cardíaco era o único som que preenchia o ambiente, marcando um ritmo que Anna não conseguia acompanhar. Ela estava sentada na maca, com as pernas pendendo para fora, as mãos entrelaçadas no colo. O soro ainda gotejava lentamente em sua veia, mas a fraqueza agora não parecia vir apenas do corpo.Vinha do medo.Ela olhava para a porta fechada repetidas vezes, esperando o médico voltar com os resultados dos exames. Cada segundo parecia mais longo que o anterior.— Calma… — murmurou para si mesma. — Deve ser anemia… ou estresse…Mas o coração insistia em bater rápido demais.A porta se abriu com um rangido suave, e o médico entrou segurando uma prancheta. Era um homem de meia-idade, expressão serena, daquele tipo que parecia acostumado a dar notícias difíceis — boas ou ruins.— Anna Santos? — confirmou, olhando para ela por cima dos óculos.— Sou eu — respondeu, a voz baixa.Ele puxou uma cadeira e sentou-se à sua
A manhã na lanchonete começara como qualquer outra. O cheiro familiar de café se espalhava pelo ambiente, misturando-se ao aroma de panquecas e bacon que fumegavam na chapa metálica. Anna já estava acostumada ao movimento constante — clientes entrando com pressa, outros pedindo embalados para viagem, alguns sorrindo, outros mal levantando o olhar.Aos poucos, ela começava a se sentir parte daquele lugar.— Anna, pode pegar as mesas do fundo? — pediu o gerente, enquanto conferia algo no celular.— Claro — respondeu ela, pegando o bloco de notas.Mesmo tentando parecer animada, havia um incômodo no fundo de seu estômago desde que acordara. Um leve mal-estar que não conseguia explicar. Não era dor, nem enjoo forte… mas um desconforto persistente."Devo ter dormido mal," ela pensou enquanto caminhava até a terceira mesa da fileira.Clara, sempre brincalhona, notou o ritmo mais lento de Anna.— Ei, você está com uma cara… diferente — disse ela, inclinando-se perto. — Tá tudo bem?Anna sorr
A Mansão se erguia imponente contra o céu nublado de Nova York, suas janelas enormes refletindo a cidade como se fossem olhos atentos demais, capazes de perceber cada fissura sob a superfície. Por fora, tudo era perfeição — a grama cortada com precisão milimétrica, os arbustos simétricos, as luzes quentes iluminando o mármore da entrada. Mas, por dentro, a residência carregava uma tensão silenciosa, como se cada parede testemunhasse segredos que ninguém ousava confessar.Chiara Davis caminhava pelo corredor central da casa com o telefone na mão, analisando seu reflexo em cada espelho que passava. Estava impecável: cabelos ondulados, maquiagem suave e o vestido branco que escolhera propositalmente para reforçar a imagem de “grávida angelical”. Ela sabia que a imprensa amava fotografias que transmitiam pureza — mesmo quando a realidade era o oposto.— Você precisa entender, Karen — Chiara dizia ao telefone, com um sorriso treinado na voz. — Não posso parecer cansada. Sou a futura mãe do





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