O quarto de observação estava silencioso demais.
O bip constante do monitor cardíaco era o único som que preenchia o ambiente, marcando um ritmo que Anna não conseguia acompanhar. Ela estava sentada na maca, com as pernas pendendo para fora, as mãos entrelaçadas no colo. O soro ainda gotejava lentamente em sua veia, mas a fraqueza agora não parecia vir apenas do corpo.
Vinha do medo.
Ela olhava para a porta fechada repetidas vezes, esperando o médico voltar com os resultados dos exames. Cada segundo parecia mais longo que o anterior.
— Calma… — murmurou para si mesma. — Deve ser anemia… ou estresse…
Mas o coração insistia em bater rápido demais.
A porta se abriu com um rangido suave, e o médico entrou segurando uma prancheta. Era um homem de meia-idade, expressão serena, daquele tipo que parecia acostumado a dar notícias difíceis — boas ou ruins.
— Anna Santos? — confirmou, olhando para ela por cima dos óculos.
— Sou eu — respondeu, a voz baixa.
Ele puxou uma cadeira e sentou-se à sua