Anna não dormiu naquela noite.
Deitada na cama estreita do pequeno quarto que alugava, ela encarava o teto como se ele pudesse lhe devolver alguma explicação. O corpo estava exausto, mas a mente seguia em um turbilhão incessante. Cada vez que fechava os olhos, a voz do médico ecoava em sua cabeça.
“Você está grávida.”
Ela se virou de lado, puxando o cobertor até o queixo, como se aquilo pudesse protegê-la da realidade.
— Não… — sussurrou no escuro. — Isso não faz sentido.
Levantou-se de repente, sentindo o coração disparar. Caminhou até o pequeno espelho preso à parede e encarou o próprio reflexo. Parecia a mesma Anna de sempre — olheiras profundas, rosto pálido, cabelos presos de qualquer jeito. Nada indicava que algo tão grande estivesse acontecendo dentro dela.
— Eu não fiz nada… — disse em voz alta, quase implorando que alguém ouvisse.
A lembrança da clínica voltou com força.
O consultório branco demais. O cheiro forte de desinfetante. O sorriso controlado de Seline. A pressa com