Mundo de ficçãoIniciar sessãoMaria é uma jovem com a humildade posta a prova quando desiste de todo o luxo e tem que voltar a vida normal da que nunca se acostumou, mas nunca é tarde para regar as raizes e fazer brotar uma nova flor.
Ler maisRafael voltou a se endireitar e com a mesma postura ereta, ajustando os óculos no rosto com um toque preciso do dedo indicador e franziu o cenho, o que é claramente uma microexpressão de desaprovação técnica. — Enzo, as leis da física determinam que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, mas a biologia sugere que, em situações de vulnerabilidade, a proximidade entre espécimes com laços afetivos acelera a estabilização homeostática... Em termos leigos, por que você ainda está aqui e não no quarto com a Christine? — Eu... eu estava esperando por você, Rafael — respondi, um pouco sem jeito. — Achei que deveríamos ir juntos. Rafael inclinou levemente a cabeça para o lado, analisando-me como se eu fosse uma paleta de estudo, bem lento. — Sua lógica é falha... Eu não sou uma réplica ou uma miniatura curta da sua amada, Enzo! Embora o nosso DNA compartilhe uma semelhança de aproximadamente cinquenta porcento, o que explica a nossa similaridade fenotípica, eu não possu
Depois de um tempo esperando, o hospital parece giraresse cheiro de éter e produtos de limpeza, que antes me era tão familiar e confortável nos tempos de plantão, agora me sufocam a cada respiração, mas talvez seja só o peso de cada erro cometido na última semana. — Christine! Onde ela está?! — Gritei na recepção, batendo com as mãos no balcão, assim que me informaram que ela já tinha saído das urgências, enquanto Rafael, meu assistente, segurava meu ombro tentando me manter focado, mas eu mal conseguia respirar. — Enzo? — Uma voz conhecida ecoou pelo corredor Virei e vi Saul, que ainda usava o jaleco azul da emergência, o mesmo que usávamos juntos antes de eu pedir licença para tentar salvar o que restava da minha sanidade, então corri até ele, ignorando a fisgada nos meus pontos. — Saul, pelo amor de Deus, me diz que ela está bem... Me diz que o meu filho está bem! Saul colocou as mãos nos meus ombros, me estabilizando, com aquele olhar de quem já viu mil mortes, mas sentia c
Entrei no consultório e tudo estava tão silencioso ali dentro, que fiquei até assustado. Mas quando virei com as mãos já quase arrancando os cabelos e rosto, vejo um menino pequeno sentado com uma postura impecável, movendo-se num ritmo lento, que assim que me viu, deslizou para a cadeira ao lado, como se fosse um convite para que eu ocupasse o lugar. — Olá, Enzo — disse ele, sem desviar os olhos de um ponto fixo na parede — Olá, você deve ser o Rafael. Obrigado por me ligar! Fez muito bem Ele parou o movimento dos pés e virou o rosto para mim, com o olhar analítico da cabeça aos pés, e sem a hesitação que a maioria das crianças carrega e fechou o rosto — Na literatura clássica e nos contos de cavalaria que M.G já leu para mim, existe algo recorrente, um herói que possui o objetivo primário de proteger os necessitados e garantir a integridade de sua donzela nobre, no entanto, seus romances recentes, Enzo, representam uma falha grave Você por exemplo, se ausentou e uma donze
O tempo parou para mim, quando vi Rafael vindo em minha direção, com aquele olhar focado no chão e as mãos apertando as alças da mochila — Rafael! — chamei baixinho, para não assustá-lo. Ignorei o peso da barriga e me agachei diante dele. Dei a ele um abraço rápido, do jeito que ele suportava — Oi, meu anjo... Agradeci ao tutor, trocamos palavras rápidas e cordiais de despedida, e peguei na mão de Rafael, guiando-o com cuidado. Eu só queria chegar em casa, mas lá encostada numa coluna, nos observando como uma hiena estava Sandra de novo... — Que cena tocante — ela debochou — Vai levar o pacotinho para a sua viela? Deve ser o ambiente perfeito para vocês, entre o esgoto e a gentalha, ele vai se sentir em casa, não é, Christine? O sangue subiu à minha cabeça, já tive uma semana de humilhações e de medo, fui chamada de culpada pelo homem que amo Então tudo explodiu e antes que eu pudesse processar, minha mão voou e soltei um tapa no rosto de Sandra que cambaleou, com o





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