Mundo de ficçãoIniciar sessãoMaria é uma jovem com a humildade posta a prova quando desiste de todo o luxo e tem que voltar a vida normal da que nunca se acostumou, mas nunca é tarde para regar as raizes e fazer brotar uma nova flor.
Ler maisOlhei para ele caído no chão, o sangue escorrendo pela lateral da testa, e só assim senti o estômago revirar De repente meu corpo congelou e me dei conta de que não foi normal o que eu acabo de fazer, eu fiz uma coisa ruim — Meu Deus… o que foi que eu fiz? — sussurrei, cambaleando para trás. Meu ar começou a falhar e as lágrimas já turvavam minha visão, o homem que eu amo, não pode ser o homem que eu odiarei O mesmo homem que me buscou do inferno que eu estava, e ao mesmo tempo me fazia querer fugir do suposto paraíso que me levou… agora estava ali, inerte, por minha causa. E pior… Não dá para correr, desaparecer, fingir que nada tinha acontecido, a onda de culpa agora atravessou meu peito, esmagando qualquer impulso de abandono. E se ele morrer aqui, sozinho, por minha mão? Corri para pegar o telefone e dedos trêmulos, peguei nele, que quase escorregou das minhas mãos suadas. O primeiro nome que me veio à mente foi Saul Ele sempre soube lidar com os estragos, ou
Eu estava na cozinha, mexendo distraída as panelas como se o cheiro da comida fosse suficiente para me distrair da confusão dentro da minha cabeça. Não era. Meus pensamentos martelavam, todos voltando para o depósito, e para aquele homem que parecia o espelho de Enzo. De repente, sinto braços fortes me rodeando por trás. Quase deixei a colher cair , então soltei tudo e larguei a faca, sem pedir licença, ele pegou a faca da bancada, começou a cortar os legumes como se fosse o marido perfeito. Depois se inclinou e beijou meu ombro, lenta e demoradamente. — Tenho tantas saudades de você… como mulher. — murmurou contra minha pele. mas minha boca não conseguiu acompanhar meus gestos, apenas assenti, sem coragem de confirmar com palavras, que eu também, mas não estava pronta — Estou cansada, Enzo. — respondi baixo, como desculpa. E acho que ele acreditou, é que tem sido assim nos últimos quatro meses tem sido assim… não consigo fazer nada com vontade Ele parou, e me enc
Com ele daquele jeito, dava para sentir o peso dele inteiro sobre mim e, antes que pudesse dizer qualquer palavra, ele simplesmente desmaiou, e como ele é pesado, apesar de parecer ter emagrecido — Meu Deus! — gritei Tentei empurrar ele de cima de mim, mas como eu disse antes, o cara é pesado demais, e cada movimento só aumenta a demanda do meu trabalho, o que quase me fez chorar E a minha lanterna do celular ainda refletia sobre o rosto dele, que parecia exatamente o de Enzo Parte de mim gritava, Sai daí, foge! Ele pode ser perigoso Mas outra parte… me puxava de volta a momentos atrás, no modo como ele me segurou para não me deixar cair… Afinal, ele me protegeu, não me machucou e ele parece precisar de ajuda, e não acredito como Enzo Enzo apodreceu tanto a ponto de colocar o irmão, em cativeiro Engoli em seco, olhando para a porta fechada atrás de mim, e o vazio do depósito. Minhas mãos tremiam tanto que quase deixei o celular cair quando toquei o rosto dele Q
A porta entreaberta parecia um pesadelo, o que eles fariam se me encontrassem? Me encolhi ainda mais, tentando controlar a respiração e de repente uma nova voz ecoou pelo galpão desesperada — Enzo? Onde está o meu filho? O meu coração só não saiu pela boca porque na garganta ele não cabe, era a voz de Ana, o que faz aqui? Falando de filho? Do que ela estava falando? Será que Enzo foi capaz de fazer alguma coisa com Inácio? E até entenderia sua preocupação, afinal Inácio também saiu do ventre dela Só que o tom de Lisandro ficou baixo, cauteloso, e eu não consegui entender as palavras — Já lhe dei Christine de vez. Como é que é? Ela me deu de vez para quem? estava ficando doida por acaso? — Tudo que você precisa agora é soltar o meu filho e deixar ele em paz e aí você pode viver com a Christine. — Vou devolver o seu filho quando você parar de atormentar os meus planos. — pelo amor de Deus… — Ana chorava, um som seco, dolorido. — Até lá, se enterre viva– disse Enzo
O portão de ferro fez um barulho quando o empurrei devagar, e o eco soou alto demais para o silêncio que dominava o armazém. Entrei de mansinho, o cheiro de poeira, ferrugem e algo que parecia mofo me fez prender a respiração por um instante. No chão, marcas de pneus recentes denunciavam que o lugar não estava tão abandonado quanto parecia. Mais ao fundo, entre pilhas de caixas, percebi algumas abertas, com papéis espalhado, me aproximei, peguei um maço de documentos e comecei a folhear, credores falsos, assinaturas. Contratos que não faziam sentido nenhum, segundo o papel que estava aí, era tudo faxada Algumas folhas carimbadas com o nome da clínica da família Costa e sim, Enzo estava no meio daquilo. Como senhor Arthur estaria triste ao ver o que Enzo se tornou me abaixei para guardar um papel no bolso quando ouvi passos, se aproximando. Droga! Olhei ao redor, procurando uma saída, ali perto havia uma escada enferrujada e um armário antigo encostado na parede, corri a
O som da porta rangendo me despertou, eu estava de bruços na cama, com o rosto afundado no travesseiro, quando senti o colchão afundar e o calor do corpo de Enzo se aproximar. Seus lábios roçaram nas minhas costas, subindo em beijos lentos até a nuca e senti um arrepio, não de desejo, mas de inquietação. Afastei-me bruscamente, me levantando sem olhar para ele, fui até a cozinha, abri a torneira e enchi um copo de água só para ter algo entre minhas mãos que tremiam. Enzo veio atrás, como se estivesse preocupado — Christine… — sua voz carregava um charme ensaiado, aquele tom macio que ele usava sempre que queria me dobrar. Virei de frente, firme, encarando-o. — Para! — minha voz saiu baixa, mas cortante. — Para de agir feito merda, Enzo. Ele franziu o cenho, confuso. — O quê? — Você acha que eu não percebo? — apertei o copo entre os dedos, como se ele fosse o copo — Os sumiços, conversas que você não explica e mais… — respirei fundo, buscando coragem — por que você e
Último capítulo