Mundo ficciónIniciar sesiónMaria é uma jovem com a humildade posta a prova quando desiste de todo o luxo e tem que voltar a vida normal da que nunca se acostumou, mas nunca é tarde para regar as raizes e fazer brotar uma nova flor.
Leer másO tempo parou para mim, quando vi Rafael vindo em minha direção, com aquele olhar focado no chão e as mãos apertando as alças da mochila — Rafael! — chamei baixinho, para não assustá-lo. Ignorei o peso da barriga e me agachei diante dele. Dei a ele um abraço rápido, do jeito que ele suportava — Oi, meu anjo... Agradeci ao tutor, trocamos palavras rápidas e cordiais de despedida, e peguei na mão de Rafael, guiando-o com cuidado. Eu só queria chegar em casa, mas lá encostada numa coluna, nos observando como uma hiena estava Sandra de novo... — Que cena tocante — ela debochou — Vai levar o pacotinho para a sua viela? Deve ser o ambiente perfeito para vocês, entre o esgoto e a gentalha, ele vai se sentir em casa, não é, Christine? O sangue subiu à minha cabeça, já tive uma semana de humilhações e de medo, fui chamada de culpada pelo homem que amo Então tudo explodiu e antes que eu pudesse processar, minha mão voou e soltei um tapa no rosto de Sandra que cambaleou, com o
Peguei as chaves e saí novamente, para preparar o terreno, Rafael é um garoto duro de agradar, então tenho que caprichar Entrei na loja de roupas masculinas e meus olhos brilharam, porque já conhecia cada detalhe das necessidades dele. — Preciso de conjuntos de algodão, sem etiquetas internas, por favor — pedi à vendedora, lembrando-me de como o poliéster e as costuras grossas o incomodavam. por isso escolhi tons de azul escuro e cinza, cores que ele sempre disse que tinham um som calmo, que só ele entende, Comprei meias macias e uma manta nova da liga da justiça e depois, fui ao mercado. Aquela era a parte mais importante. Caminhei pelos corredores com uma lista mental rigorosa, que quem olhar de fora, vai achar minha cesta estranha, mas eu sei exatamente para que é — Macarrão tipo parafuso, mas só de uma marca específica, por quê você tinha que ter esses gostos, Rafa? — murmurei para mim mesma, verificando a embalagem. Comprei as frutas que ele aceitava comer e os s
Ao tentar abrir a porta senti uma dor horrível num dos sítios do curativo, foi tipo um aviso agudo dos pontos nas minhas costas, mas a dor de ver Christine partir sem mim era infinitamente pior. Eu precisava alcançá-la, sentir o cheiro dela, tocar aquela barriga e pedir perdão até que minha voz sumisse. — Christine! — tentei chamar, mas minha voz saiu falha, abafada pelo vidro. Eu já estava com a mão na maçaneta, forçando o corpo para fora, quando a mão da minha mãe pousou sobre o meu ombro com uma firmeza que eu não esperava. — Enzo, não! — ela ordenou, com voz baixa mas carregada de uma autoridade inquestionável. — Mãe, ela está ali... eu não posso deixar ela ir embora assim. — Olhe para ela, meu filho — Ana disse, forçando-me a encarar a cena através do vidro. — Olhe para ela! Se você descer agora, com essa cara de quem acabou de sair de uma guerra, instável e cheio de culpa, você só vai trazer o caos de volta para o dia dela. Eu parei! Foi questionavelmente estran
Acho que o desacostume da luz do sol feriu meus olhos, porque assim que cruzei a porta de vidro do hospital. E isso quase me fez chorar, pois doeu mais que meus pontos na costas que se repuxavam, mas só que a dor física é real como um soco constante da culpa no meu estômago. Eu me sentia um lixo. Como eu pude olhar para a mulher que enfrentou aquele pesadelo sozinha e lançar contra ela o meu ódio? — Enzo, meu filho, por favor... — A voz da minha mãe, era um ruído persistente ao meu lado. — Você não tem condições de ir para aquele apartamento agora… Vamos para a mansão! Lá você terá enfermeiros, silêncio, o conforto que merece. — Eu não quero conforto, mãe — respondi, com Zé minha voz saindo mais áspera do que eu pretendia. — Eu quero a minha mulher. Rafael, sempre impecável e silencioso, segurava meu braço com a firmeza necessária para eu não cairabriu a porta do carro, esperando minha decisão. — O senhor deveria ouvir sua mãe, chefe — Rafael pontuou, com a cautela.










Último capítulo