Mundo ficciónIniciar sesiónKieran, o herdeiro da alcateia de Drakemont, lida com o peso de seu destino. Um ser poderoso, belo e temido, mas profundamente solitário. Seu lobo interior permanece em silêncio, sem reconhecer uma parceira. Enquanto isso, Marina chega à cidade. Uma mulher quebrada, fugindo de um passado de abusos brutais. Carrega no olhar a dor e a desconfiança. Tudo que deseja é paz.
Leer másMarina não foi acordada. Foi retirada do cativeiro. As correntes se soltaram sem aviso, o metal rangendo baixo, quase respeitoso. Mãos firmes a ergueram, mas não houve brutalidade. Isso, por si só, já era errado. O corpo de Marina ficou tenso imediatamente, cada músculo preparado para dor. Ela não veio. Em vez disso, veio silêncio. O corredor por onde a conduziram era diferente. Mais limpo. Iluminado por tochas bem posicionadas, que não lançavam sombras agressivas, mas uma luz quente, quase acolhedora. O chão não era de pedra bruta, e sim polido. Antigo. Cuidado. — Para onde estão me levando? — perguntou, a voz rouca, mas firme. Nenhuma resposta. Ela sentiu o vínculo reagir. Um aperto no peito. Um aviso silencioso. Quando a porta se abriu, Marina precisou conter o choque. O aposento era amplo. Paredes revestidas de pedra clara, tapetes grossos cobrindo o chão, móveis esculpidos com precisão. Um fogo crepitava na lareira, espalhando calor real — não o frio const
O tempo deixou de existir. Para Marina, os dias não se distinguiam mais pelas horas, mas pelos limites que Caleb testava — um após o outro. Algumas dores eram físicas. A maioria não precisava ser. Ela estava sentada no chão frio quando tudo começou de verdade. Não houve aviso. Nenhuma palavra. Nenhum toque. Apenas a mudança no ar. O cativeiro pareceu encolher ao redor dela. As paredes de pedra, antes imóveis, tornaram-se opressivas. O teto parecia baixar a cada respiração. Marina sentiu o peito apertar, o coração acelerar — não por surpresa, mas por reconhecimento. Aquilo já tinha acontecido antes. Não ali. Mas dentro dela. — Marina, para de drama. A voz surgiu nítida demais, como uma fissura se abrindo na mente. Não era presente. Não era agora. Era um eco antigo, desses que nunca desaparecem por completo. O corpo reagiu antes do pensamento. Os ombros se fecharam. A respiração encurtou. Os dedos se contraíram contra a pedra. — Não… — murmurou, mas o som mal s
O silêncio se tornou pesado demais para ser ignorado. Caleb avançou um passo, e foi como se o ar ao redor dele se tornasse mais denso. Marina sentiu antes de ver — uma pressão invisível esmagando seus pulmões, obrigando-a a inspirar devagar, como se cada respiração precisasse de permissão. Ele não tinha pressa. Nunca tinha. — Olhe para mim, Marina. — disse, com a voz calma demais para alguém que comandava monstros. Ela manteve os olhos fixos no chão por um segundo a mais do que o necessário. Sabia que era isso que ele queria. Controle. Atenção. Reconhecimento. Ainda assim, quando ergueu o rosto, o fez com o que lhe restava de dignidade. Os olhos de Caleb eram claros, frios, avaliadores. Não havia fúria neles. Nem desejo explícito. Havia posse antecipada. — Você sabe por que está aqui. — continuou ele, caminhando lentamente ao redor dela, como um predador estudando cada ângulo da presa. — Não por acaso. Não por fraqueza. Mas porque escolheu Kieran. Marina sentiu a marca queim
A consciência voltou em pedaços. Primeiro, a dor. Uma dor surda, espalhada, como se o corpo de Marina tivesse sido desmontado e remontado às pressas. A cabeça latejava com força, cada batida do coração ecoando dentro do crânio. Havia um gosto metálico na boca, seco, amargo, e o ar que entrava nos pulmões parecia pesado demais, difícil de sustentar. Ela tentou se mexer. Não conseguiu. Um gemido fraco escapou de seus lábios. Os olhos se abriram lentamente, piscando várias vezes até que a escuridão deixasse de ser um borrão indistinto. O teto acima dela era de pedra irregular, úmida, marcada por fissuras antigas e manchas escuras que ela preferiu não identificar. Raízes grossas atravessavam as paredes, como veias expostas, e um cheiro de mofo, sangue seco e terra impregnava o ar. Cativeiro. A palavra se formou em sua mente antes mesmo que o pânico chegasse. Marina tentou inspirar fundo — e falhou. O peito se apertou, o ar ficou preso, e o medo subiu rápido demais, queimando a g





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