Mundo de ficçãoIniciar sessãoHelena só precisava de um emprego. Mãe solo, endividada e sem opções, ela aceita trabalhar como babá na mansão de Adrian Moretti, um bilionário frio, controlador e emocionalmente distante desde a morte da esposa. O contrato é claro: cuidar do filho dele, manter distância e jamais se envolver. Mas Adrian não é um homem comum. Acostumado a ter tudo sob controle, ele passa a observar Helena mais do que deveria. Seus gestos, sua voz, sua forma de cuidar do filho… tudo o tira do eixo. O que começa como vigilância se transforma em obsessão silenciosa, intensa e perigosa. Helena percebe tarde demais que não está apenas trabalhando naquela casa. Ela está presa a ela. Quanto mais tenta se afastar, mais Adrian a puxa para perto. Com ciúmes disfarçados de proteção, regras que mudam sem aviso e um desejo que beira o proibido, ele deixa claro: Helena não é apenas uma babá. Ela é dele. Entre segredos, noites tensas e escolhas impossíveis, Helena precisará decidir se foge… ou se se rende ao homem que pode protegê-la ou destruí-la.
Ler maisHelena parou diante do portão de ferro e respirou fundo antes de apertar o interfone.
A mansão à sua frente não parecia um lar. Era grande demais, silenciosa demais, perfeita demais. Vidros escuros, muros altos, câmeras discretas em cada canto. Um lugar feito para manter o mundo do lado de fora… e as pessoas sob controle. Ela apertou a pasta contra o peito, como se aquilo pudesse protegê-la. Dentro, estavam seus documentos, o currículo simples e a última chance que tinha de não perder tudo. — Respira — murmurou para si mesma. O interfone chiou. — Nome? — a voz masculina soou firme, fria, sem qualquer traço de cordialidade. — Helena Duarte. Vim pela vaga de babá. Houve um breve silêncio. Longo o suficiente para fazê-la pensar em dar meia-volta. — Entre. O portão se abriu lentamente, rangendo baixo, como se a avisasse de algo que ela ainda não entendia. Helena caminhou pelo jardim impecável, sentindo o nervosismo crescer a cada passo. Nunca tinha trabalhado em um lugar assim. Nunca tinha sequer entrado em uma casa como aquela. A porta principal se abriu antes que ela tocasse a campainha. E então ela o viu. Adrian Moretti. Alto, postura impecável, terno escuro feito sob medida. O rosto sério, marcado por uma beleza fria e distante. Os olhos, de um tom escuro difícil de definir, a analisavam sem pressa, sem disfarce. Ele não sorriu. — Você está atrasada três minutos — disse, olhando para o relógio. Helena sentiu o rosto esquentar. — Peço desculpas. O trânsito… — Não me interessa — interrompeu, seco. — Entre. Ela obedeceu. O interior da casa era tão silencioso quanto o exterior. Tudo organizado, limpo, quase impessoal. Nenhuma foto nas paredes. Nenhum objeto fora do lugar. Um ambiente bonito… e vazio. — Sente-se — ele indicou uma cadeira em frente à mesa do escritório. Helena sentou, mantendo a postura ereta, mesmo com o coração acelerado. — Você sabe quem eu sou? — Adrian perguntou, abrindo uma pasta. — Sei que o senhor é empresário — respondeu com cuidado. — Sou bilionário — corrigiu, sem arrogância. Apenas como um fato. — E não gosto de perda de tempo. Ele deslizou o olhar por ela mais uma vez, avaliando detalhes que Helena sentia, mas não conseguia nomear. As mãos marcadas pelo trabalho, o cabelo preso de forma simples, o cansaço escondido atrás da postura firme. — Você tem um filho — afirmou. — Tenho — respondeu, surpresa. — Precisa desse emprego. Helena não negou. — Preciso. Adrian assentiu lentamente. — Ótimo. Então vamos ser diretos. Ele empurrou o contrato sobre a mesa. — Você foi selecionada para cuidar do meu filho, Matteo. Ele tem cinco anos. Mora comigo desde a morte da mãe. Helena sentiu algo apertar no peito, mas manteve o foco. — O trabalho inclui morar aqui — continuou ele. — Horários flexíveis. Disponibilidade total. Salário acima da média. Os olhos dela se arregalaram por um segundo. — Em troca — acrescentou — existem regras. Ela engoliu em seco. — Que tipo de regras? Adrian se inclinou levemente para frente, apoiando os cotovelos na mesa. — Primeira: você cuida do meu filho. Nada além disso. — Segunda: sua vida pessoal fica fora desta casa. — Terceira: não envolvimento emocional. Nem comigo. Nem com ninguém daqui. Helena sentiu um arrepio percorrer a espinha. — Eu sou profissional — disse, firme. Os lábios dele se curvaram em algo que não chegava a ser um sorriso. — Todas dizem isso. Ele se levantou, caminhando até a janela, de costas para ela. — Matteo não se adapta facilmente. Não gosto de trocas constantes. Se aceitar, espero lealdade. — E se eu não aceitar? — perguntou, antes de conseguir se conter. Adrian virou o rosto lentamente, olhando-a por cima do ombro. — Então eu chamarei a próxima candidata — respondeu. — Mas não acho que você vá recusar. Ele estava certo. Helena precisava daquele emprego mais do que queria admitir. Ela pegou o contrato, leu rapidamente. As mãos tremiam levemente. — Quando começo? — Hoje. Ela ergueu os olhos, surpresa. — Hoje? — Meu filho está esperando — respondeu ele, já caminhando em direção à porta. — E eu não gosto de esperar. Helena se levantou, seguindo-o pelo corredor. Cada passo parecia levá-la mais fundo em algo que não compreendia totalmente. Quando entraram no quarto infantil, Matteo estava sentado no tapete, montando um quebra-cabeça. Ergueu os olhos e a observou com curiosidade silenciosa. — Essa é Helena — disse Adrian. — Ela vai cuidar de você. Matteo não respondeu. Apenas continuou olhando. Helena se ajoelhou, sorrindo com suavidade. — Oi, Matteo. O menino inclinou a cabeça, avaliando-a. — Você vai embora também? — perguntou, baixo. O coração de Helena apertou. — Não — respondeu com sinceridade inesperada. — Eu vou ficar. Matteo a encarou por mais alguns segundos… e voltou ao quebra-cabeça. — Ele te aceitou — disse Adrian, atrás dela. — Isso é raro. Helena se levantou, sentindo a presença dele próxima demais. — Assino o contrato — disse. Adrian assentiu. — Ótimo. Antes de sair do quarto, ele completou, em tom baixo: — Só lembre de uma coisa, Helena. — Qual? Os olhos dele se fixaram nos dela, intensos, difíceis de sustentar. — Esta casa muda as pessoas. E eu não gosto de perder o controle. Helena sentiu o aviso tarde demais. Enquanto o observava sair, teve a estranha certeza de que aquele emprego não mudaria apenas sua rotina. Mudaria tudo. E, naquele instante, sem saber explicar por quê, ela teve a sensação incômoda de que Adrian Moretti não estava apenas contratando uma babá. Ele estava escolhendo alguém para não deixar ir.HelenaA gravidez mudou o tempo.Não o do relógio, mas o de dentro. Tudo passou a ter um peso diferente, uma delicadeza que eu não conhecia. Não era fragilidade. Era consciência. Cada gesto parecia pedir mais presença. Cada escolha, mais responsabilidade.Eu acordei naquela manhã com a mão apoiada na barriga, ainda pequena, mas já carregada de significado. Adrian dormia ao meu lado, virado para mim, como se mesmo inconsciente precisasse confirmar que eu estava ali. Observei seu rosto por alguns segundos e senti uma emoção quieta se espalhar pelo peito.Não era euforia. Era pertencimento.Levantei devagar e fui até a janela. O jardim estava molhado do orvalho da madrugada. A casa ainda dormia. E, pela primeira vez na vida, eu não sentia vontade de ir embora de lugar nenhum.Quando desci para a cozinha, Dona Lúcia já estava lá.— Bom dia, Helena — disse, com um sorriso mais aberto do que o habitual.— Bom dia.Ela observou meu corpo com cuidado respeitoso.— O senhor Adrian já sabe? — p
HelenaEu soube antes do teste.Soube no corpo, daquele jeito traiçoeiro que não pede licença nem confirmação. Um cansaço que não era físico. Um enjoo discreto que vinha e ia. Um atraso pequeno demais para ser alarde, grande demais para ser ignorado.Passei dias fingindo que não percebia.Não por ingenuidade. Por medo.Medo não da possibilidade em si, mas do que ela representava. Porque eu acabava de aprender a ficar. Acabava de deixar de ser provisória. E a vida tinha esse hábito cruel de testar a gente exatamente quando algo começa a dar certo.Naquela manhã, acordei antes de todos. A casa ainda dormia. Caminhei até o banheiro com passos silenciosos, como se o chão pudesse denunciar minha intenção.O teste estava escondido no fundo da gaveta havia dois dias.Eu o encarei por longos segundos antes de abrir a embalagem. As mãos tremiam levemente. Não de pânico. De antecipação. Como quem já sabe a resposta, mas ainda precisa vê-la.Sentei-me na beirada da banheira enquanto esperava.Os
HelenaCasas falam.Aprendi isso cedo, muito antes de saber nomear sentimentos. Casas falam pelos ruídos que fazem quando algo muda. Pelo jeito como os passos ecoam diferente no corredor. Pelo modo como as portas parecem demorar mais para se fechar. Pela atenção silenciosa de quem observa sem comentar.Naquela semana, a casa falou.Eu senti logo na segunda-feira pela manhã, quando desci as escadas ainda cedo, o uniforme dobrado no braço. Não o vesti. Não por rebeldia. Por verdade. Ele já não me representava do mesmo jeito.A governanta, Dona Lúcia, estava na cozinha, organizando o café. Uma mulher discreta, de fala baixa e olhar atento, que trabalhava ali há anos. Ela me viu entrar… e demorou um segundo a mais do que o habitual para falar.— Bom dia, Helena.— Bom dia — respondi, naturalmente.O olhar dela percorreu meu vestido simples, elegante, adequado para o dia, mas diferente do uniforme que eu usara por tanto tempo. Não houve julgamento. Apenas reconhecimento de mudança.— O caf
HelenaEu acordei antes do sol.Não por hábito, nem por obrigação. Foi o corpo que despertou primeiro, como se tivesse aprendido um ritmo novo durante a noite. Fiquei alguns segundos olhando o teto, tentando reconhecer onde eu estava, mas não havia estranhamento. Havia… presença.Virei o rosto devagar.Adrian dormia ao meu lado, deitado de costas, a respiração profunda, o peito subindo e descendo num ritmo tranquilo que eu nunca tinha visto nele. Não havia tensão em seus ombros, nem aquela rigidez constante que ele carregava mesmo dormindo. Pela primeira vez, parecia apenas um homem descansando.E aquilo me atingiu com força.Passei tanto tempo associando segurança a controle, distância a proteção, que ver alguém baixar as próprias defesas ao meu lado me deixou vulnerável de um jeito novo. Não assustador. Apenas real.Levantei com cuidado, puxando o lençol para não acordá-lo. O chão estava frio sob meus pés, mas meu corpo ainda carregava o calor da noite. Não o calor do desejo apenas,
A tensão não se dissipou.Ela amadureceu.Helena permaneceu encostada no peito de Adrian por alguns segundos, sentindo o ritmo da respiração dele desacelerar aos poucos. O quarto estava silencioso, mas o ar parecia carregado, como se cada partícula tivesse sido afetada pelo que ainda não acontecera por inteiro.Ela se afastou apenas o suficiente para encará-lo.O olhar de Adrian não tinha pressa. Nem contenção artificial. Havia algo novo ali, algo que Helena reconheceu com um arrepio lento: entrega sem vigilância.— Você está diferente — disse ela, quase em um sussurro.— Eu sei — respondeu ele. — E não quero voltar a ser como antes.Helena engoliu em seco. Não havia como fingir neutralidade naquele ponto. Tudo nela estava alerta, desperto, sensível. O vinho ainda aquecia o corpo, mas agora era o desejo que pulsava com mais força, silencioso e insistente.Ela levou a mão até o colarinho do próprio vestido, não para tirá-lo, mas para sentir o próprio pulso. Adrian acompanhou o gesto co
O carro deslizou pela rua silenciosa enquanto a cidade parecia diminuir o ritmo ao redor deles.Helena observava as luzes passarem pela janela, mas não as via de verdade. O vinho ainda aquecia o corpo, não em embriaguez, mas em uma espécie de expansão lenta, confortável, que deixava tudo mais sensível. A textura do vestido contra a pele. O banco de couro sob as mãos. O perfume que ainda pairava no ar do carro, misturado ao dele.Adrian dirigia com atenção, mas o silêncio entre eles não era vazio. Era denso. Carregado do que não foi dito no restaurante. Dos olhares demorados. Dos toques breves que haviam sido interrompidos por mesas, garçons, regras sociais.Agora não havia mais público.A mão de Helena descansava sobre a coxa, os dedos relaxados. A cada curva, o tecido do vestido acompanhava o movimento do corpo, e Adrian percebia. Não precisava olhar. O corpo reconhecia antes da mente.— O vinho estava bom — disse ele, quebrando o silêncio, a voz mais baixa do que o habitual.— Estav










Último capítulo