Helena sentiu o desconforto antes de perceber o motivo.
Era uma sensação estranha, como se algo estivesse fora do lugar, mesmo quando tudo parecia exatamente igual. A rotina seguia intacta. Matteo brincava no tapete da sala, concentrado em montar uma torre de blocos, enquanto ela organizava alguns livros infantis na estante baixa. A casa permanecia silenciosa, protegida por muros altos e câmeras discretas.
Ainda assim, o ar parecia mais pesado.
Helena olhou ao redor pela terceira vez em poucos minutos, tentando identificar a origem daquela inquietação. Nada. Nenhuma sombra estranha. Nenhum barulho inesperado.
— Está tudo bem? — perguntou Matteo, erguendo os olhos.
Ela forçou um sorriso.
— Está, sim. Só estou um pouco distraída.
Mas não estava.
Algo dentro dela dizia que aquela sensação não era fruto da imaginação.
Quando Matteo foi levado para a aula particular no fim da tarde, Helena ficou sozinha pela primeira vez naquele dia. Aproveitou o silêncio para tentar ligar novamente para a