Onde tudo, finalmente, ficou

Helena

A gravidez mudou o tempo.

Não o do relógio, mas o de dentro. Tudo passou a ter um peso diferente, uma delicadeza que eu não conhecia. Não era fragilidade. Era consciência. Cada gesto parecia pedir mais presença. Cada escolha, mais responsabilidade.

Eu acordei naquela manhã com a mão apoiada na barriga, ainda pequena, mas já carregada de significado. Adrian dormia ao meu lado, virado para mim, como se mesmo inconsciente precisasse confirmar que eu estava ali. Observei seu rosto por alguns segundos e senti uma emoção quieta se espalhar pelo peito.

Não era euforia. Era pertencimento.

Levantei devagar e fui até a janela. O jardim estava molhado do orvalho da madrugada. A casa ainda dormia. E, pela primeira vez na vida, eu não sentia vontade de ir embora de lugar nenhum.

Quando desci para a cozinha, Dona Lúcia já estava lá.

— Bom dia, Helena — disse, com um sorriso mais aberto do que o habitual.

— Bom dia.

Ela observou meu corpo com cuidado respeitoso.

— O senhor Adrian já sabe? — p
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