Mundo de ficçãoIniciar sessãoÉris nunca quis se meter na vida de ninguém — até encontrar um diário perdido no campus. Um diário confessional, cheio de raiva, desejo, confissões intensas e segredos demais para pertencer a qualquer pessoa normal. O plano era simples: devolver e fingir que nunca leu. Só que o diário é dele. Noah Hale. Arrogante. Fechado. Competitivo. O único cara capaz de transformar qualquer conversa em uma competição… e qualquer competição em guerra. Eris detesta Noah. Noah parece detestar Éris ainda mais. Mas o homem que escreve aquele diário não tem nada a ver com o inimigo que ela conhece. Ali, no papel, ele é vulnerável. Brutalmente honesto. Quente demais. Cheio de medos que ele jamais mostraria. E quanto mais Éris lê, mais percebe que está se apaixonando… não pelo Noah que existe, mas pelo Noah que ele tenta esconder. O problema? Ele descobre que ela leu. E quando isso acontece, o jogo muda completamente. Agora Noah não quer distância. Quer respostas. Quer controle. Quer ela. E Éris precisa decidir se devolve o diário… ou se devolve o coração que ele nem sabe que colocou ali. Um romance leve, afiado e cheio de tensão — onde o maior perigo não é o diário ser encontrado, mas o que acontece quando duas pessoas que se detestam descobrem que se desejam mais do que deveriam.
Ler maisEu acho que apaguei.Ou desmaiei.Ou morri por alguns segundos.Não sei.Porque quando minha consciência voltou, não veio inteira.Veio em pedaços.Primeiro as vozes.Depois o frio.Depois o peso da dor.Depois a sensação clara de que alguma coisa estava muito, muito errada.E acima de tudo isso…a voz dele.— Éris. Éris. Ei. Ei, abre o olho. Abre o olho, por favor…A voz tremia.Não era um tremor emocional.Era tremor de alguém entrando em choque.Tentei abrir os olhos, mas parecia que tinham colocado cimento nas minhas pálpebras.— Não — Noah soltou, quase num soluço. — Não… não agora… por favor. Abre o olho.Ele estava segurando minha cabeça, eu acho. Senti a mão dele atrás da minha nuca, apoiando com cuidado, como se meu pescoço fosse de vidro.A outra mão estava pressionando o ferimento.Eu senti.Ardeu tanto que meu corpo inteiro tremeu.Ele percebeu e gemeu:— Eu sei, eu sei… eu sei que dói. Eu sei. Mas não tem outro jeito. Fica comigo, por favor.O volume da voz dele aumentava
E aí…a lâmina entrou.Não teve som bonito.Não teve música dramática.Não teve tempo.Só um impacto quente, seco, que atravessou minha lateral e roubou meu ar como um soco por dentro.Por um segundo, achei que tinha sido empurrada.Só senti o tranco.O estalo do corpo reagindo.O pulmão falhando.Depois veio a dor.Um rasgo queimando.Crescendo rápido demais.Eu senti a lâmina sair.Isso doeu mais do que entrar.Meus joelhos cederam.O asfalto subiu na minha visão.O homem que segurava a faca se desequilibrou para trás, surpreso comigo aparecendo ali — ele não esperava que eu fosse entrar na frente.A expressão dele mudou de raiva para puro pânico.Mas Noah…Noah não viu a facada.Ele só viu o agressor erguendo a mão.E viu meu corpo desviar de eixo.E viu o brilho metálico.E aí alguma coisa dentro dele explodiu.Ele virou tão rápido que o ar pareceu estalar.O agressor tentou dar outro passo para trás, mas Noah já estava nele.Não foi soco.Não foi golpe.Foi impacto.Corpo contra
— Éris.Meu corpo inteiro congelou, mas não do jeito que se congela quando se tem esperança. Foi um tipo de congelar que vem da confusão, da falta de ar, da sensação de que alguma coisa está fora do eixo do mundo.A voz veio de trás deles, da escuridão mais profunda do estacionamento.Baixa.Arranhada.Quase irreconhecível.Os homens que me seguravam também pararam por um segundo, mas não de medo. De irritação. Como se alguém tivesse interrompido um trabalho.O maior virou a cabeça primeiro. O outro ainda segurava minha boca, forte o suficiente para deixar minha mandíbula travada.E então, mais uma vez, a voz:— Éris.Não tinha carinho ali.Não tinha saudade.Era aviso.Era ameaça.Era como se alguém tivesse arrancado o som da garganta dele com força.Meu coração bateu tão alto que senti nos ouvidos.A silhueta dele saiu da sombra devagar.Passos lentos.Firmes.Medidos.Os dois homens se endireitaram.O que segurava meu braço soltou um “tá de brincadeira”.Eu tentei virar meu rosto,
Eu deveria ter saído mais cedo.Mas quando olho para trás agora, percebo que isso não teria feito nenhuma diferença.Não naquela noite.Passei horas na sala de estudos da faculdade. Duas, três, talvez quatro. A cabeça já não processava nada direito. As letras começavam a se mexer sozinhas na tela. Eu piscava devagar, com aquela sensação de areia dentro dos olhos. O corpo inteiro estava mole, cansado, irritado. Mas eu não queria ir pra casa. Não queria ficar sozinha com meus pensamentos.Com ele.Noah.O nome me atravessou como sempre. Um golpe rápido no peito.Um mês.Um mês dele sumido.Um mês de silêncio.Um mês de tentar seguir.E falhar.Fechei o notebook com mais força do que pretendia. O barulho ecoou pelo corredor vazio. E eu senti aquele peso familiar de estar acordada quando o resto do mundo parecia ter ido dormir. Não gosto dessa hora do dia. As sombras são mais longas, as coisas parecem maiores, e eu sempre sinto que tem alguma coisa que eu deveria estar enxergando, mas não





Último capítulo