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O Bilionário Que Não Me Deixava Ir
O Bilionário Que Não Me Deixava Ir
Por: Clarice Miller
O contrato que não podia ser recusado

Helena parou diante do portão de ferro e respirou fundo antes de apertar o interfone.

A mansão à sua frente não parecia um lar. Era grande demais, silenciosa demais, perfeita demais. Vidros escuros, muros altos, câmeras discretas em cada canto. Um lugar feito para manter o mundo do lado de fora… e as pessoas sob controle.

Ela apertou a pasta contra o peito, como se aquilo pudesse protegê-la. Dentro, estavam seus documentos, o currículo simples e a última chance que tinha de não perder tudo.

— Respira — murmurou para si mesma.

O interfone chiou.

— Nome? — a voz masculina soou firme, fria, sem qualquer traço de cordialidade.

— Helena Duarte. Vim pela vaga de babá.

Houve um breve silêncio. Longo o suficiente para fazê-la pensar em dar meia-volta.

— Entre.

O portão se abriu lentamente, rangendo baixo, como se a avisasse de algo que ela ainda não entendia.

Helena caminhou pelo jardim impecável, sentindo o nervosismo crescer a cada passo. Nunca tinha trabalhado em um lugar assim. Nunca tinha sequer entrado em uma casa como aquela.

A porta principal se abriu antes que ela tocasse a campainha.

E então ela o viu.

Adrian Moretti.

Alto, postura impecável, terno escuro feito sob medida. O rosto sério, marcado por uma beleza fria e distante. Os olhos, de um tom escuro difícil de definir, a analisavam sem pressa, sem disfarce.

Ele não sorriu.

— Você está atrasada três minutos — disse, olhando para o relógio.

Helena sentiu o rosto esquentar.

— Peço desculpas. O trânsito…

— Não me interessa — interrompeu, seco. — Entre.

Ela obedeceu.

O interior da casa era tão silencioso quanto o exterior. Tudo organizado, limpo, quase impessoal. Nenhuma foto nas paredes. Nenhum objeto fora do lugar. Um ambiente bonito… e vazio.

— Sente-se — ele indicou uma cadeira em frente à mesa do escritório.

Helena sentou, mantendo a postura ereta, mesmo com o coração acelerado.

— Você sabe quem eu sou? — Adrian perguntou, abrindo uma pasta.

— Sei que o senhor é empresário — respondeu com cuidado.

— Sou bilionário — corrigiu, sem arrogância. Apenas como um fato. — E não gosto de perda de tempo.

Ele deslizou o olhar por ela mais uma vez, avaliando detalhes que Helena sentia, mas não conseguia nomear. As mãos marcadas pelo trabalho, o cabelo preso de forma simples, o cansaço escondido atrás da postura firme.

— Você tem um filho — afirmou.

— Tenho — respondeu, surpresa.

— Precisa desse emprego.

Helena não negou.

— Preciso.

Adrian assentiu lentamente.

— Ótimo. Então vamos ser diretos.

Ele empurrou o contrato sobre a mesa.

— Você foi selecionada para cuidar do meu filho, Matteo. Ele tem cinco anos. Mora comigo desde a morte da mãe.

Helena sentiu algo apertar no peito, mas manteve o foco.

— O trabalho inclui morar aqui — continuou ele. — Horários flexíveis. Disponibilidade total. Salário acima da média.

Os olhos dela se arregalaram por um segundo.

— Em troca — acrescentou — existem regras.

Ela engoliu em seco.

— Que tipo de regras?

Adrian se inclinou levemente para frente, apoiando os cotovelos na mesa.

— Primeira: você cuida do meu filho. Nada além disso.

— Segunda: sua vida pessoal fica fora desta casa.

— Terceira: não envolvimento emocional. Nem comigo. Nem com ninguém daqui.

Helena sentiu um arrepio percorrer a espinha.

— Eu sou profissional — disse, firme.

Os lábios dele se curvaram em algo que não chegava a ser um sorriso.

— Todas dizem isso.

Ele se levantou, caminhando até a janela, de costas para ela.

— Matteo não se adapta facilmente. Não gosto de trocas constantes. Se aceitar, espero lealdade.

— E se eu não aceitar? — perguntou, antes de conseguir se conter.

Adrian virou o rosto lentamente, olhando-a por cima do ombro.

— Então eu chamarei a próxima candidata — respondeu. — Mas não acho que você vá recusar.

Ele estava certo. Helena precisava daquele emprego mais do que queria admitir.

Ela pegou o contrato, leu rapidamente. As mãos tremiam levemente.

— Quando começo?

— Hoje.

Ela ergueu os olhos, surpresa.

— Hoje?

— Meu filho está esperando — respondeu ele, já caminhando em direção à porta. — E eu não gosto de esperar.

Helena se levantou, seguindo-o pelo corredor. Cada passo parecia levá-la mais fundo em algo que não compreendia totalmente.

Quando entraram no quarto infantil, Matteo estava sentado no tapete, montando um quebra-cabeça. Ergueu os olhos e a observou com curiosidade silenciosa.

— Essa é Helena — disse Adrian. — Ela vai cuidar de você.

Matteo não respondeu. Apenas continuou olhando.

Helena se ajoelhou, sorrindo com suavidade.

— Oi, Matteo.

O menino inclinou a cabeça, avaliando-a.

— Você vai embora também? — perguntou, baixo.

O coração de Helena apertou.

— Não — respondeu com sinceridade inesperada. — Eu vou ficar.

Matteo a encarou por mais alguns segundos… e voltou ao quebra-cabeça.

— Ele te aceitou — disse Adrian, atrás dela. — Isso é raro.

Helena se levantou, sentindo a presença dele próxima demais.

— Assino o contrato — disse.

Adrian assentiu.

— Ótimo.

Antes de sair do quarto, ele completou, em tom baixo:

— Só lembre de uma coisa, Helena.

— Qual?

Os olhos dele se fixaram nos dela, intensos, difíceis de sustentar.

— Esta casa muda as pessoas. E eu não gosto de perder o controle.

Helena sentiu o aviso tarde demais.

Enquanto o observava sair, teve a estranha certeza de que aquele emprego não mudaria apenas sua rotina.

Mudaria tudo.

E, naquele instante, sem saber explicar por quê, ela teve a sensação incômoda de que Adrian Moretti não estava apenas contratando uma babá.

Ele estava escolhendo alguém para não deixar ir.

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