O carro deslizou pela rua silenciosa enquanto a cidade parecia diminuir o ritmo ao redor deles.
Helena observava as luzes passarem pela janela, mas não as via de verdade. O vinho ainda aquecia o corpo, não em embriaguez, mas em uma espécie de expansão lenta, confortável, que deixava tudo mais sensível. A textura do vestido contra a pele. O banco de couro sob as mãos. O perfume que ainda pairava no ar do carro, misturado ao dele.
Adrian dirigia com atenção, mas o silêncio entre eles não era vazio. Era denso. Carregado do que não foi dito no restaurante. Dos olhares demorados. Dos toques breves que haviam sido interrompidos por mesas, garçons, regras sociais.
Agora não havia mais público.
A mão de Helena descansava sobre a coxa, os dedos relaxados. A cada curva, o tecido do vestido acompanhava o movimento do corpo, e Adrian percebia. Não precisava olhar. O corpo reconhecia antes da mente.
— O vinho estava bom — disse ele, quebrando o silêncio, a voz mais baixa do que o habitual.
— Estav