Helena
Eu acordei antes do sol.
Não por hábito, nem por obrigação. Foi o corpo que despertou primeiro, como se tivesse aprendido um ritmo novo durante a noite. Fiquei alguns segundos olhando o teto, tentando reconhecer onde eu estava, mas não havia estranhamento. Havia… presença.
Virei o rosto devagar.
Adrian dormia ao meu lado, deitado de costas, a respiração profunda, o peito subindo e descendo num ritmo tranquilo que eu nunca tinha visto nele. Não havia tensão em seus ombros, nem aquela rigidez constante que ele carregava mesmo dormindo. Pela primeira vez, parecia apenas um homem descansando.
E aquilo me atingiu com força.
Passei tanto tempo associando segurança a controle, distância a proteção, que ver alguém baixar as próprias defesas ao meu lado me deixou vulnerável de um jeito novo. Não assustador. Apenas real.
Levantei com cuidado, puxando o lençol para não acordá-lo. O chão estava frio sob meus pés, mas meu corpo ainda carregava o calor da noite. Não o calor do desejo apenas,