Helena não dormiu.Mesmo deitada, com o quarto mergulhado em silêncio, sentia o corpo em alerta constante. Cada ruído parecia maior. Cada sombra, uma ameaça. A imagem do carro estacionado além da cerca insistia em voltar à sua mente, acompanhada da voz de Adrian, firme demais, segura demais.“Porque você mora aqui agora.”A frase ecoava como uma sentença.Quando o céu começou a clarear, ela se levantou. Precisava de ar. Precisava pensar longe daquela cama que, de repente, parecia mais uma cela confortável do que um quarto de hóspedes.Vestiu o uniforme branco com movimentos lentos, quase automáticos. Ao se olhar no espelho, percebeu algo que a incomodou profundamente: já não reconhecia completamente a mulher refletida ali. Estava limpa, arrumada, segura… e, ainda assim, sentia-se presa.Saiu do quarto com cuidado. A casa estava silenciosa, mas não vazia. Helena aprendeu rápido que o silêncio daquela mansão não significava ausência. Significava vigilância.Na cozinha, encontrou Adrian
Ler mais